2018... tudo ficou para trás! Tudo é sensacional!

Orla do Guaíba, dezembro de 2018. Foto: Beto Andarilho
Bom, esta nem de longe é a minha melhor fotografia... mas ela é uma das últimas e representa o horizonte como gosto, com cores. Envelheci, mas me vi com coração de criança... e de acordo com meus amigos jovens, pouco importa a minha idade, pois eles mesmos não me olham desta forma. Talvez eu tenha falado sobre a minha separação umas mil vezes... mas também não foi a pior coisa que me aconteceu, na verdade, foi uma das melhores. Seguimos caminhos diferentes e agora nem olhamos para trás... Permitir a mudança naquele momento foi espetacular... pois se 2016 e 2017 foram difíceis, 2018 foi sensacional. Devo muito aos amigos... mas também a força das minhas pernas e olhar persistente. Eu corri e me superei, emagreci, mas mais que isto, me senti vivo. Tive dores da velocidade que achei nem ter mais... cheguei a fazer os 5 km na casa dos 21 minutos. Eu tenho o hábito de me superar... de serrar os dentes na lâmina da faca. Nunca esqueço... fui um prancheiro e arrastei linhas contra a arrebentação centenas e ou milhares de vezes. Nunca vão me tirar isto... eu fiz isto enquanto outros olhavam com receio e me chamando de louco. Se tive medo? Muitas vezes... mas todo medo foi superado com persistência e fé. Se foi Deus ou eu mesmo quem teve uma força maior do que podia imaginar, talvez uma mãe que me encorajasse, não sei... mas eu fiz, isto e outras coisas muito legais. Eu caminhei dezenas de km na cidade de New York, no mesmo dia... eu pedalei pela Califórnia, eu pedalei 300 km em 18 horas, sem parar. Eu arrebentei meu ombro depois de um tombo feio... e pedalei mais 130 km com muita dor, enquanto os jogadores da seleção brasileira gemiam por quebrar a unha. Conheço o som do projétil cortando o vento por passar perto da minha cabeça, experimentei ser fotojornalista do front, que ganhava muito mal para fazer algo que gostava muito. Eu senti muita dor algumas vezes... mas eu lembro das vezes e gosto de olhar para elas como pequenas medalhas de prata, pois ouro pleno não tem tanto sabor quanto a prata da superação. Meus check points da linha da vida são estes momentos... alguns foram tristes, outros muito felizes. 
Tenho uma grande amiga... hoje ela faz papel de namorada, mas eu vejo ela como amiga a quem ofereço os meus cuidados, recorro para compartilhar alegrias e as minhas questões pessoais. Tenho me permitido conhecer bem alguém, também ser conhecido por este alguém. Tenho amigos, bem jovens... espetaculares, talentosos fotógrafos, acadêmicos da fotografia, meus colegas. Eu tenho muitos amigos aos quais daria a minha vida... porque não suportaria a ideia de viver sem eles, assim acontece com a minha família. Todos de agora... Sinto que fazem parte de mim, desta fase nova, mas que de alguma forma os enriqueço de experiências também... e sentir-se assim é especialmente bom. Eu tive menos tempo que gostaria, mas eu tive bastante tempo... Aos que se foram e não mais voltarem para perto, obrigado, pelos ensinamentos. Aos que ressurgirem, sejam bem vindos, aos que ficam sempre, não estaremos sós... senta aqui e vamos prosear durante um café.  Gostaria que todos vocês sentissem a textura da areia sobre os pés na praia... e reparassem no prazer do toque, de algo tão simples. Lembrem das outras milhares de sensações! Desconheço o que surge depois disto tudo, mas estar vivo é top. 
Estou procurando pela arte dentro de mim... as vezes elas aparecem em palavras, por vezes em fotografias, mas até meu entendimento sobre arte parece estar diferente. Prefiro chamar meus momentos de inspiração de caminhada espiritual... não crie dependências para encontrar a si mesmo. Nem religiosas, nem habituais, menos ainda se forem químicas. Você não sabe o poder de um carinho? Peça para alguém... 
Se posso deixar algum tipo de expectativa para o futuro? Sim... que seja como quiseres, mas que aconteçam coisas inesperadas para que possamos aprender, juntos ou separados, que sejam muitas sensações, mas que tu lembres de tudo, para contarmos um ao outro, pois partilhar me parece a melhor coisa da vida. Pra quem não sabe, ou esqueceu, sobre como represento o futuro... troco as reticências pelo cursor, pois agora não deixo apenas aberto o futuro, mas atualizo meus pensamentos para a era em que estou. Gratidão pelo caminho_

Pequeno infinito pra onde fui...


Eu nunca tive medo de me perder... 
eu tive muito medo de não me encontrar!


Eu sentei ao lado de um lago e pensava para que lado olhar... eu via os pássaros, via as árvores e as pessoas, vi o céu, e o vento balançando as coisas. E em dado momento eu percebi que só deveria olhar, não faria mais nada além de olhar... e então, vi dezenas de insetos minúsculos dançando sobre a água. E vi que os insetos voavam sobre a superfície da água que refletia o céu... e foi ali que encontrei a fotografia que procurava naquele dia. Eu nunca tive medo de me perder... eu tive muito medo de não me encontrar!

Pouso do descanso...

BR-448, Canoas - Porto Alegre. 
É de um lugar mais alto que se observa de forma mais ampla... em um pouso demorado a gente consegue pensar em tudo. O trabalho é o algo que nos motiva na vida, principalmente se você fez escolhas que te levaram a uma vida de solteiro. Não sei se fiz estas escolhas ou se as coisas se escolheram para serem desta forma... acho pouco impreciso dizer que somos responsáveis pela vida que temos, uma vez que todo acontecimento não depende exclusivamente de nós. Não é como um fechar de torneira ou acender uma lâmpada acionando o interruptor. Neste momento queria tanto uns dias pra descansar e esquecer do tempo correndo... este lance do relógio que não descansa e faz questão de nos mostrar é um pouco assustador. E deixar o relógio em casa parece funcionar um pouco, mas o tempo passa de qualquer jeito. Não é o relógio que faz tudo andar, ele apenas mostra para nós que tudo voa se tratando do decorrer de um dia. Ser completo é saber produzir e lidar com tudo na vida... e nem tudo é dinheiro, mas a gente vê que as pessoas estão pensando que se tem dinheiro podem tudo. Como se o mundo estivesse aos pés delas apenas por possuírem números em uma conta de banco ou um carro no valor de um apartamento. Engraçado, e prefiro engraçado do que estranho, é olhar alguém tão poderoso com um carro super poderoso esperar o socorro para trocar o pneu quando fura. Na verdade a pessoa não tem poder nenhum... ela pensa que tem e o destino mostra para ela que vai depender de um outro alguém que tem menos dinheiro e que exerce uma função que é a solução. Acho que este post é sobre modéstia e noção de capacidade, não sobre descanso! O descanso, mesmo que seja de alguns minutos, é apenas uma possibilidade para olhar para dentro e para fora. Somos tão ligados no piloto automático que não percebemos quanto somos dependentes de mecânicos, carteiros, feirantes, agricultores, etc. Alguns de nós nem sabem ligar ou desligar um botão... ou fechar um registro. Vivemos a era do smartphone que promete fazer tudo, ensina tudo, capacita todos! No entanto, não temos tempo... somos ocupados e sempre vai ter alguém que serve a nós como se isto fosse uma obrigação! Quantas pessoas dizem: "Tenho o meu dinheiro, mando fazer... não preciso saber!" Espero que o dia depois de amanhã não chegue... somos, muitos de nós, verdadeiramente inúteis. Isto também nos faz patos para muitos prestadores de serviços... que cobram caro para realizar coisas banais ou nem fazem direito por saber que não entendemos. Este não é bem meu caso... tenho muitas limitações, mas fiz muitas coisas por querer, como ser técnico automotivo, marceneiro amador, fotógrafo profissional! Certamente cometo meus erros, com frequência, aliás... este post também parece ser sobre modéstia. Poderia ser tambem sobre o trato... no fim a gente observa que tudo se mistura. Tem dias que nada nos abala... as vezes só gostaria de ficar em casa, trabalhar, estudar e voltar pra casa. O só não me parece muito comodista na minha frase anterior, afinal, me parece mais do que muitos fazem. E sempre faço mais alguma coisa... me preocupo tambem com o todo que dirigi este ano. Por uma questão de me poupar, também por uma questão ambiental, certamente que por uma questão de tempo, me vejo como um motorista na prisão do ter que conduzir por obrigação. E há quem pense que dirigir é liberdade... só que liberdade é ter como escolher, em quais horários realizará. Acho que estou só cansado pelo final de ano... Não vejo a hora de dormir dois dias inteiros e pensar que não tenho nada no dia seguinte, então decidir pegar o carro sem nenhum planejamento e ir na direção de uma praia. O pouso do descanso é um post estranho... não sei se foi uma tentativa de desabafo, se foi uma alusão ou ilusão, um devaneio! Enquanto me distancio de montar minha barraca em algum lugar, me reservo o limite de trabalhar no meu canto... hoje, será mais um dia daqueles com horas a fio em frente ao computador e algumas horas de aula, sem esquecer das dezenas de quilômetros na direção do automóvel. Talvez eu faça uns cliques pelo caminho... tenho feito o meio do caminho, em algum lugar da estrada, parte do meu ferrolho. Parece que ali nada pode me perturbar... bendito quilômetro sem sinal de celular, com luzes de automóveis para ilustrar uma paisagem. Com fotografia de longa exposição... controlo parte do meu tempo.

Perspectivas sobre o mercado fotográfico 20.11.2018

Disciplina de Fotografia em Cores 02/2018

Profª Elisabete Teixeira / Aluno Roberto Furtado

Pesquisa: Perspectivas sobre o mercado fotográfico

O segmento corporativo é uma aposta na continuidade, possuindo desafios de inovar e criar imagens que contem histórias das empresas através de revistas e jornais internos, também para utilizam em pautas externas sobre o investimento destas empresas em tecnologia e recursos humanos. Foto: Roberto Furtado / Revista Vide Bula

Renan Costantin aposta no mercado
da publicidade e no corporativo.
Foto: Roberto Furtado
O mercado de trabalho é visto com receio quando o assunto nas rodas de conversa entre os profissionais da fotografia. As variações do mercado são notadas pelos profissionais antigos e experientes, mas também são vistas com um grande desafio para os jovens e recém chegados ao mercado. A estrada do mercado da fotografia é marcada com bons e maus momentos, com o fechamento de grandes estúdios e abandono do ofício por parte de profissionais reconhecidos no mercado. Um mercado que sofreu com a crise mundial, também com a evolução do filme 35mm para o sistema digital. As crises econômicas atuam diretamente na decisão de investimento do consumidor aos trabalhos do profissionais, mas há formas de observar esta grande dificuldade. Enquanto alguns profissionais costumam manter uma linha de trabalho sem alterações, outros entendem que é preciso investir em si mesmos, inovar dentro da proposta de trabalho e gerar mudanças para cativar o cliente. Para Renan Costantin: 

"A fotografia é uma ferramenta de grande importância para as empresas, portanto é preciso adaptar-se e seguir as tendências de mercado, oferecendo algo sempre atual ao cliente. Não podemos passar 10 anos produzindo o mesmo resultado! Devemos observar, evoluir e surpreender o cliente com a intenção de alcançar não apenas o cliente, mas também o que ele busca com este investimento. Investir em fotografia é desejar um retorno para um negócio!" 

Observando a posição de Renan, entendemos como alguns profissionais perdem ou ganham mercado. Muitos profissionais esperam que a continuidade do trabalho seja suficiente para manter o mercado, mas isto não acontece. Assim como Renan, alguns fotógrafos interagem com a necessidade do cliente para que seus trabalhos sejam necessários e atuais, desta forma eles mantem o mercado e criam o interesse de outras empresas no trabalho. Enquanto outros apenas apostam na continuidade, sem inovar, reduzindo o fluxo de trabalho e o faturamento, profissionais como Renan encontram a luz no caminho, tão importante para a fotografia e para a sobrevivência neste mercado concorrido. E se falarmos em mercado concorrido, não podemos deixar de falar que as crises econômicas e a onda de demissões geram redirecionamento de parte de profissionais de outras áreas para a fotografia. Quem nunca ouviu antes as frases: "Comprarei um automóvel e farei uber!", "ou farei um cursinho de fotografia e fotografarei aniversários para fazer uma grana!" Questões como estas colocam profissionais no mercado e desafiam os antigos e dedicados. 

Rogério Silveira atua há muito tempo
no mercado da moda e publicidade e
observa as mudanças com atenção.
Foto: Roberto Furtado
Outra questão importante sobre estes desafios da fotografia e o mercado foi a mudança do sistema de filme fotográfico para arquivo digital que gerou impacto no mercado nos últimos anos. A verdade é que o mercado cresceu, mas também se popularizou, entregando ao mundo câmeras fotográficas digitais automáticas que apresentam bons resultados sem nenhum conhecimento. Assim, clientes em potencial desapareceram, aproveitando-se da qualidade das imagens e do baixo custo. A verdade é que este perfil de cliente não compreende tão bem a questão da qualidade profissional, que traz criatividade aos trabalhos, não apenas nitidez. Em muitos casos, também podemos observar que economizar é mais importante para uma grande maioria. A recordação e o resultado são percebidos e lamentos ao longo do tempo, mas isto é uma questão de construção deste olhar sobre a fotografia. É possível que em alguns anos as pessoas vejam estas faltas de fotografias através das imagens perdidas dos arquivos, levadas pelo tempo em algum dano de HD de servidor ou mesmo perdas de usuários em bancos de imagens (nuvens). Fotografias devem ser impressas... assim como negativos, arquivos digitais se perdem, provando que a fotografia impressa é a melhor garantia de uma recordação existir no futuro. 
O trabalho com fotografia é uma constante luta por conhecer, aprender e se relacionar com o meio que possa contratar o profissional. É praticamente impossível se manter em qualquer mercado sem que exista uma evolução do profissional em relação a evolução da tecnologia e tendências de mercado. É preciso ser especializado, mas é também preciso conhecer outros mercados. Rogério Silveira, fotógrafo de moda e publicidade, percebeu esta necessidade para crescer há muitos anos atrás:

"Em dado momento, percebi que era preciso experimentar e observar outras áreas. Foi então que tentei "resetar" o que eu entendia de fotografia, que era basicamente voltado para o fotojornalismo, e fui trabalhar em um grande estúdio especializado em publicidade. Lá, o fotógrafo chefe, me disse para esquecer tudo que eu via no jornal e ficar aberto para uma nova fotografia. Aprendi muito e passei a trabalhar neste segmento desde então!"

O interessante nos depoimento de Renan e de Rogério é que ambos estão no mercado há algum tempo, mas embora tenham encontrado condições de trabalho e momentos diferentes, perceberam que o caminho para crescer e superar estava em uma observação de como as coisas iam acontecendo. O mundo é dinâmico, prático, mas ao mesmo tempo exigente. Rogério é do tempo da fotografia com filme fotográfico, e Renan já começou na fotografia digital, ambos perceberam que a fotografia era um negócio, embora estivessem ligados a prática pelo amor a fotografia. Eles mantiveram o foco no trabalho, na necessidade de seus clientes e não no que eles entendiam sobre fotografia. Manter-se aberto, como eles fizeram, permite que o fotógrafo esteja preparado para encontrar todo tipo de mercado e adaptar-se ao novo.

Quando comecei a fotografar encontrei um mercado em mudança, era justamente o momento em que a fotografia com filme fotográfico sucumbia para o sistema digital. As grandes produções de moda ainda eram realizadas com câmeras de médio formato e/ou câmeras de grande qualidade para ampliações. A qualidade das digitais não profissionais ou semi profissionais era tão ruim que só era possível trabalhar com flash e ISO baixo. Então para trabalhar era preciso investir mais ou ficar girando em trabalhos de baixo valor. Aos poucos, as câmeras ficaram melhores e com propostas de valores mais de acordo com o mercado. O ISO melhorou muito nas profissionais, especialmente nas câmeras full frame, permitindo produzir alguns trabalhos com baixa luminosidade, que trouxe também uma boa forma de explorar luz e sombra sem ter tanto problema de ruído. Vantagens que a tecnologia vai apresentando no decorrer do tempo. Estas vantagens devem ser observadas, inclusive, para mudarmos a linha de trabalho. Toda inovação desperta interesse do público. Nos mercados existentes da fotografia, todos eles se percebe a necessidade de inovar e o resultado que se apresenta com esta mudança. Fixar-se no mercado é uma questão de olhar para o mundo e não pensar apenas em fotografia.


Referências

https://www.lightstalking.com

https://www.dpreview.com

https://fhox.com.br/

Eu, fotojornalista!

Zoomei ao clicar, intencionalmente, para causar o efeito que se apresenta na imagem. 

Me deu vontade de rever o que fiz até aqui... pra atualizar o saber do que eu sou! Os shows são meus preferidos, mas adorava os trabalhos de rua. Muitos trabalhos perdi naquele HD novo, num raio que atingiu o bairro. Não adianta lamentar, apenas lembrar. As fotos ficaram espalhadas no tempo e no espaço... Fotografei shows de todos os tamanhos... para agências, para patrocinadores, para bancos de imagens e, claro que para mim mesmo! Me pego olhando o que é feito hoje em dia... a direção da fotografia e fico pensando o que aprendi no Foto Cine Clube Gaúcho e me lembro que me achava um aprendiz bem fraquinho. Só que o tempo correu e aquela teimosia em melhorar... era de fato, a melhor das qualidades que eu podia ter, além da observação. Hoje, vejo os parâmetros da literatura da fotografia, todos quebrados, como se jamais existissem. É verdade que fotos de todo tipo entram no mercado com o argumento de que arte é arte... ainda que no jornalismo isto jamais pareça adentrar. Imagino um mundo onde todo mundo faz o que quer, sem estudar, sem persistir, sem embasamento técnico, sem agilidade, contando com todo tipo de automatismo e comodismo. Bom... mercado é mercado. Lá fora o treco fala alto... ou você faz, ou não te chamam de novo. Não tem chance pra errar... a selvageria é ácida. Entrar no mercado pode ser questão de sorte, mas manter-se nele é quanto tu aguenta... persistir fazendo o que se aprende por toda caminhada da vida profissional. Quanto suei... quanta dor senti nas costas fotografando esportes, nas ruas ou em eventos longos e quentes. Isto tudo é o sabor mais doce que um fotógrafo pode sentir... não tem nada que alguém faça ou diga, tu tem uma caminhada, ela ilustra todo passado do qual participou, teu nome estará lá... nos cantinhos do jornal, das revistas, e hoje em dia nos veículos online. E o sabor de tudo isto é quando tu escuta... "eles vão te chamar!" É o que muitos chamam de sorte... de tradicional da fotografia para "chama ele pq tá garantido!" Sou sim um fotojornalista... eu não mexo na cena, sou antiquado, sou sim! Sou também... um dos bem poucos que circulam por aí e aos quais tenho orgulho de chamar de colegas. Isto não é arrogância, nem nada disto... é saber exatamente a que lugar pertence, justamente por uma história bem comprida de erros e acertos! Aos meus colegas...

Canon 1D Mark IV

foto: https://www.dpreview.com/reviews/canoneos1dmarkiv/3

Experimentei muitas câmeras... sendo que a 7D, primeira versão, tive três unidades simultaneamente e acho que foi a câmera que mais usei. Depois... a 5D Mark III, tenho duas, foi a câmera que mais gostei em termos de nitidez. Confesso que já não percebo muita diferença de qualidade em fotografias de 5D Mark III e Mark IV, tenho tentado ler sobre e olhar as diferenças apresentadas. Acho que a 5D Mark IV veio pra trazer tecnologias extras que a 5D Mark III não possuia... tal como WIFI e outros recursos práticos. A velocidade da versão nova é uma boa vantagem, já que a nova é 25% mais rápida em relação a versão anterior. Alguns recursos perdem em favor de outros... a qualidade vs. velocidade das câmeras é e, possivelmente, sempre será o grande X da questão valor e tecnologia. Atualmente, com valor do dólar elevado, não vejo um motivo de trocar câmeras quando estão acima ou iguais a 1D Mark IV ou 5D Mark III. As câmeras produzem mais que o dobro de pixels desejados pelos clientes e estou tão familiarizado com estes modelos que levarei algum tempo para ficar novamente integrado com novos modelos. Não tenho nenhum interesse em migrar, por hora. Além do mais... o que mais vemos no mercado são profissionais trabalhando com modelos inferiores, que por mais que sejam atuais, como a 6D Mark II, ainda não chega aos pés da 5D Mark III, na minha opinião, é claro. 

Minha preferida... 1D Mark IV

Por mais que a 5D Mark III seja uma câmera melhor de operar, com qualidade de imagem superior por ser uma fullframe, prefiro a 1D Mark IV pra trabalhar. Se o trabalho for movimento na rua, nem penso duas vezes, vou direto com ela. Ela é uma devoradora de imagens... tem quase o dobro da velocidade da Canon 5D Mark III e 20% mais de velocidade que a 5D Mark IV. Se você parar pra pensar em uma câmera lançada em outubro de 2009, entenderá a proposta que faz 9 anos... o que muitos olham com pesar, penso que é um trunfo. Fazer 10 fotos por segundo é algo que a grande maioria das câmeras ainda não consegue... nas fullframes isto só é visto nas gerações recentes da 1D, como 1Dx Mark I e II. O fator de conversão de 1.3 da 1D Mark IV, deixa ela na frente da 7D Mark II, que também faz 10 fotos por segundo, mas tem sensor menor. Ainda com atributos tão interessantes... um corpo robusto, digno de uma câmera de guerra, perfeita para fotojornalismo, sem falar nos importantes slots para cartão SD e CF, gravando simultaneamente nos dois cards. A 1D Mark IV tem tantos atributos que para eu sair dela, dos pobres 16 MP para ir para uma Full Frame, deverá ter um apelo forte da baixa luminosidade. Só não saio com ela se não houver luz boa... porque aí acabo escolhendo a 5D Mark III. A sensação de ter uma câmera que foi topo de linha da marca em 2009 não significa nada para mim, mas o que ela me oferece... o crop de 1.3, multiplicado com teleconverter de 2X e uma lente 70-200mm, permite que eu tenha uma 520mm, quando seria uma 400mm em uma fullframe. O som de trabalho desta câmera é sensacional... se percebe que o mecanismo não é igual, talvez por isto a canon diga que este é feito para 300.000 clicks, quando nas demais é para 150.000 ou menos. Estamos a falar de uma guerreira indestrutível. A minha possui cerca de 120.000 clicks... nunca teve uma peça trocada. É um tanque de guerra do jornalismo... as demais? Cuide pra não derrubar, pois não suportarão! O ônus é o peso... é o peso do corpo e da bateria. A bateria... faz 1500 disparos com uma carga. Não é brincadeira... e vou dizer que se não fosse o fato de ser cropada e ter apenas 16 MP, seria a melhor câmera já fabricada pela Canon. As irmãs mais novas tem mais qualidade, mas perdem em outros atributos... eu fiz um teste comparativo do DPreview pra ver várias questões de desempenho: DPreview
Na hora de escolher uma câmera... pense, nem sempre a opção nova e mais recente é a melhor opção para o tipo de trabalho que vc faz. 

9 imagens para me representar... impossível!


A fotografia para mim é a expressão que escolhi. Ela é simples, calada, discreta, com seus limites e vantagens! Sou um fotojornalista, conto histórias que não se repetem, elas figuram revistas e jornais que cada vez mais dão lugar aos informativos online e redes sociais. Assim como a fotografia, sigo na direção do inevitável, me adapto, me transformo, me faço necessário! A fotografia é a minha conexão com as pessoas! Ofereço minha forma de ver o mundo, exponho minha versão silenciosa, pacífica! Por vezes me perco no tempo, em fragmentos do tempo e do espaço, uma física que se representa pelo que entendemos como fotografia. Sempre me pergunto: pelo que você quer ser lembrado? Faço um reset dos meus pensamentos e tento alimentar o novo no meu olhar, todos os dias! (Furtado, Roberto. 2018)