Fluxo

Imagem feita com um Samsung J7, por Roberto Furtado. 
        A vida... ela se explica com alguma facilidade quando entendemos que ela tem início e fim, pode ter uma trajetória especial. Se ela não fosse finita, jamais daríamos tanto valor. Então... perceba que damos valor a ela justamente por possui prazo de validade. Somos recebidos, somos anfitriões, somos passagem na vida das pessoas. Ontem fui recebido, hoje recebo, no fim direi palavras para alguém que talvez tenha chance de segurar na minha mão. Até aqui, sempre tive quem me apoiou... minha mãe, algumas vezes outros passageiros deste trem me deram o conforto e alegria. A vida breve das borboletas é um sinal... uma forma de vermos o tempo que a vida simula seus prazos, com transformações e velocidade. Aprendi a lutar pelas coisas as quais eu poderia manter na minha vida, aprendi também que algumas vezes é preciso apenas aceitar. Nossos amigos, nossos avós, nossa vida... Manter presente, deixar ir, tudo faz parte de um plano que não controlamos. Podemos pensar que sim... que controlamos, mas é apenas uma forma de nos testar, para nos conhecermos e sabermos se somos e quanto somos capazes. Entendi o que era fluxo... fluxo é o movimento de tudo, que surge, que troca de lugar, que dá sinais quando é hora de mudar. O amor, de toda maneira, é uma forma de aprendermos. Perdoar, ensinar, iluminar são alguns artifícios de quem ama alguém... as pessoas falham, as pessoas fazem coisas sensacionais, elas passam tentando. Muitas vezes elas pensam acertar, mas erram... tentam de novo, acertam, erram, num ciclo que tende nos evoluir gradualmente. A vida... como num filme, nos submete para situações onde parecemos que tudo é conhecido, mas não é! O amor... dado por quem compartilha algum momento de vida contigo, se torna a maior experiência para quem se abre. Deixar pelo caminho boas lembranças é uma forma de se tornar eterno, para alguém e melhorando o mundo... 
Sobre o fluxo... ame, receba e deixe ir, o tempo dos passageiros da tua vida é o tempo que eles precisarem de ti, tua missão é compartilhar. Você aprimora os passageiros, eles aprimoram você... Gratidão por esta estrada tão boa... e um feliz dia das mães! bj grande

Pensamentos nas minhas linhas...

Clique realizado no Ferrinho (GEF), bairro Navegantes,
em Porto alegre. Foto: Roberto Furtado.

   No que diz respeito à vida do homem e suas relações... Cada tempo é como o vento, possui intensidades diferentes, direções diferentes, nunca é igual e assim nos acostumamos com o passar dos dias. De alguma forma, somos empurrados para mudanças ou acomodados num confortável processo de estabilização. Entre certos e errados permanece o tempo de cada um, pois cada pessoa é única e se transforma conforme suas próprias experiências. Vivemos nos relacionando com pessoas com propostas diferentes, da amizade, do trabalho, ou família, e algumas são mais intensas e próximas, geralmente onde começamos uma outra família. Aliás, conceito de família pode ser muito bem exemplificado por um amigo que tu acaba chamando de irmão, sendo apenas uma das variações para as quais atribuímos o título familiar. Houve um tempo em que tudo era rotina, vivia como em um modo de piloto automático. O tempo passou e mudanças foram necessárias. Olhei para meu próprio painel de controle e decidi apertar o reset para ver o que aconteceria. A imprevisibilidade da vida nos coloca em um conjunto de suposições, muito embora isto seja impossível calcular. Você vai traçar uma história, ela vai se quebrar, e inevitavelmente vai tentar se remontar até encontrar uma nova fórmula que faça sentido. As situações são recalculadas a cada instante... quem você gosta hoje, pode não te fazer feliz amanhã, ou quem te fará feliz no futuro você nem imagina quem possa ser. E talvez, teus ideais sejam formatados de uma maneira aos 20 anos, mudaram aos 30, e aos 40 possuem outra programação. Certamente aos 50 anos seremos diferentes, e isto mudará a cada período. Decidi que mudaria minha óptica sobre estas questões quando percebi que previsibilidade é assunto que mora fora da ciência e portanto é de natureza irreal. No entanto, uma outra parte da minha vida consigo controlar, ou quase. Tento caminhar nesta direção, pelo menos, agora! Espero para ver o que acontece, sem querer induzir, apenas fazer acontecer. A porta fica aberta, o cachorro entra em casa, a chuva começa, o aroma de terra molhada invade a sala, o cheiro doce do bolo no forno começa a se espalhar... Teus ídolos se vão, outros aparecem, outro dia tu ganha um fã, sem imaginar que poderia. A vida é um filme com cenas complexas ou simples, cheia de graça e coisas esquisitas. Simplicidade faz tudo parecer fácil, mas em algumas coisas complicadas mora o sabor da diversão. Acabei de me lembrar de uma frase dita pelo Capitão John H. Miller ao final do longa metragem O resgate do soldado Ryan: "Faça valer a pena!"

Pensamentos do cursor_

O prumo pertence a caixa de memória que me conecta ao meu avô, um topógrafo que mediu muitas coisas aqui no RS.
Hoje_

Parece que o dia não é longo o bastante_
Eu fiz algumas coisas_ uma relação de tarefas e priorizei o que era mais importante, mas ao longo do dia as coisas aconteciam sem nenhuma explicação_ 
Trabalhos acadêmicos, revisão do TCC, anotação do roteiro do trabalho, preciso começar urgente o fotolivro_
Eu sempre acho que não vou dar conta_ mas de alguma maneira eu faço acontecer_ 
Recebi o técnico que instalou os softwares que eu precisava para trabalhar no projeto_
Meus pensamentos pulsam desta cabeça quente_ então, pensei: "Preciso correr!"
Fui lá e corri 5 km, gastei 24 minutos correndo, mais 20 minutos me deslocando. Enquanto isto, pensava que não ia dar tempo. E hoje nem precisei lavar roupa, mas claro que fiz meu almoço_
O cursor é uma identidade tão próxima da minha realidade_ ele diz algo como se fosse um próximo passo, uma próxima necessidade, uma próxima tarefa_
Eu penso na minha mãe, na minha irmã, nas minhas amigas_ eu penso nelas toda hora_ Me desculpem os amigos, mas hoje eu não pensei neles_ Não significa que não me importe, mas o tempo foi tão curto hoje_
Agora pouco resgatei um beija flor que se debatia num corredor de vidro. Eu vejo como somos responsáveis por tudo, por todos, por nós mesmos! Eu queria que a vida fosse realmente como o cursor das minhas frases, que ficasse terminantemente em aberto para fechamento com correção. Para que eu errasse menos, para que eu agradasse a todos, para que eu me sentisse maior do que um humano se sente. O nosso peso sobre este mundo é muito grande... O mundo é maior que o meu teclado, ele pode até estar dentro do meu universo, mas o mundo jamais será pequeno o bastante para que eu o abrace_ por fim, deixarei o cursor após a última palavra, assim poderei voltar aqui e arrumar qualquer parte, bastando que eu queira_

Caixa Preta

             Estou trabalhando num projeto que resolvi chamar de caixa preta por um motivo bastante simples... A caixa preta, para um fotógrafo, pode representar o lado escuro de uma câmera. De outras formas, poderia descrever ou associar a caixa preta ao quarto escuro da revelação, ou uma caixa onde estão contidas informações que aguardam pela oportunidade de ganhar o mundo. Como numa caixa preta, que pode ser de um avião, as informações são importantes para um conjunto de respostas que formarão uma ideia maior ou que expliquem algo que estão além do imaginário para um dado momento. Um projeto que liga pensamentos e fotografias, mas muito mais do que isto... representa a percepção e a fotografia, ligando o cotidiano fotográfico ao lúdico, para uma fantasia que relaciona a grafia com a imagem, linguagens tão presentes no mundo dos homens. 

Velocidade... não brinque comigo!

BR-448, ao cair da noite. Foto: Roberto Furtado

               Nem percebemos... mas o tempo, passou! Me vi algumas vezes com medo, como todo mundo que se submete à vida. Ela corre, pede, oferece as cartas e, sabemos que pouco de tudo controlamos, outra parte apenas nos sujeitamos. Cheguei aqui sem receita de bolo pra viver... tive que aprender tudo do jeito que podia. Pessoas próximas, como meu avô, minha mãe, cuidaram para que eu tivesse algumas facilidades no caminho, outras vezes caí de cara no chão, inclusive, literalmente. Caminhei, arrumei uma profissão, depois de um tempo, mudei de profissão, também fui casado, também estudei e abandonei, tornei a estudar, abandonei, tornei a estudar, agora estou indo e possivelmente vá me formar. Os passos são engraçados... querem que acreditemos que mandamos nas coisas, mas são as letras pequenas que não lemos que decidem por nós. Ou de outra forma não seríamos surpreendidos nunca, jamais. Alguém diz que não vai mais morar contigo, ou você diz... Ou teu chefe oferece novas condições que no fundo é para tirar proveito ou te fazer ir embora. Ou outro motivo te faz mudar tudo. E tudo tem passado tão rápido como comer uma pizza, como o tempo que passou voando durante uma conversa com aquele amigo que tu queria que fosse teu irmão. Aquela garota, que tu chama de namorada, te disse: "Vamos dormir, já são duas da manhã!". 
O tempo voa... tem até uma letra de música, da Vera Loca que diz... "tá ruim demora, se tá bom vai embora!", chama-se velocidade. Eu juro que aos quase 42 anos, tentei, e tentei, e tentei encontrar um meio de controlar o tempo. E não consegui... depois entendi o que John Mayer quis dizer com a música "stop this train", pois era impossível. Talvez alguém consiga, por isto sigo tentando, porque se eu desistir jamais vou saber se é possível. Eu queria que meus amigos lessem isto... não por ser brilhante, mas para eles não esquecerem que o tempo é impiedoso. 
Tempo... só o que peço é que não brinque comigo, vivo na maior velocidade que posso, ainda que algumas vezes possa parecer insuficiente para tudo que gostaria. 

Sensibilidade... uma janela do sentir!

Janela do mundo, em Grêmio Esportivo Ferrinho, 2018. Foto: Roberto Furtado / Disciplina de Semiótica / CST Fotografia
             Uma nova onda de pensamentos, de curiosas conexões me surgem... eu, certamente, não sei mais do que somos. Talvez exista uma explicação para sermos como somos, talvez não. Acredito que o comportamento do ser humano segue também os padrões da evolução, que estudamos no colégio, também nos básicos acadêmicos das faculdades ligadas a biologia. Somos evolutivos, diferentes, por razões óbvias... nos adaptamos ao meio, para evoluir e, para isto, nascemos diferentes uns dos outros. Cada um com sua parcela de importância, perfazendo um todo! Quis ser muitas coisas no passado, embora ficasse evidente capacidade e até inadequação para certas atividades, sim, todos as temos. Me lembro de coisas que vi quando era criança... eu me lembro de coisas que meus amigos de infância não lembram, eu me lembro de coisas da minha jovem vida, de momentos que as pessoas geralmente não lembram. Eu me lembro de frames, cenas, quadros observados pelos meus olhos. Talvez não tivesse nem três anos, talvez dobro disto... fato é que colocamos estas memórias em caixas muito bem organizadas, de outra forma jamais lembraríamos. Eu me lembro muito bem... a minha memória é montada em imagens. Sou péssimo com palavras, até que as visualize escritas em algo... não as ditas, as escritas. Lembro de trechos de longos textos, lembro de faixas, placas, de muros pintados! Os meus olhos são a janela do meu mundo, se ligam com meu cérebro de uma estranha forma... tão ligados, parece que de alguma forma meus olhos não envelhecem, precisa o meu cérebro dos meus olhos, será? Talvez, mera suposição, apenas impressões... mas sim, somos diferentes. Sabemos como lidar com situações distintas, damos soluções! Aprendi a observar meus amigos, meus colegas, vejo o jeito que se mexem, vejo no que são bons, vejo os que sabem e os que não sabem tirar proveito de dons. E aliás, cada um faz e usa como quiser... nascemos com o livre arbítrio. Não sou bom em tantas coisas, mas como lamentar? Somos o que somos, somos bons em algo... e talvez leve o homem muito tempo para entender isso, talvez leve apenas tempo, tempo de cada um!


Janela

     Quando olho por uma janela tenho esperança... de que algo vai acontecer. Pode ser algo simples, algo complexo, algo novo. Outro dia, observei pela janela um pássaro, voava estranho em torno de galho, até que pousou e bicou algo que parecia ser uma lagarta, num passo tão rápido a engoliu. Ficou ali parecendo aguardar o cair no fundo do estômago, e partiu num planar perfeito. A beleza esta em arestas estranhas da razão, as vezes não as compreendemos, mas não estamos aqui para julgar, mas sim para entender!


Sentir

    Estranho... como definir o sentir, pois bem, acho que não posso. Quero apenas pensar nesta dificuldade, nesta inércia funcional do nascer. De dor para alegria, realizações! Uma amiga, muito querida, talvez uma forma de amor que todo homem deveria entender, me disse que eu era um dos homens mais sensíveis que ela conhecia. Talvez seja... mas tão natural para mim é sentir. Parece tão triste imaginar o mundo sem o sentir, tão impossível também. 
Ontem, uma outra amiga me disse: "O que sentes é uma dor boa!"


É um blog...

     Se me faço entender, escrevo como quiser... uso, um cursor como reticências, e se sabes o que significa, uma sugestão de pensamento e de continuidade. O cursor, reticências, recursos velhos ou novos, fora de ordem, como eu quiser! Meu velho amigo, agora em outro plano, se chamava Zé, me ensinou uma coisa tão importante. Ele dizia: "Se a história é minha, conto do jeito que eu quiser!"
Num passo de, desde que a verdade seja contada, conta a história na ordem, forma, lucidez que eu quiser. Deixo meu adeus a ele... sentirei tua falta meu velho, mas aqui comigo sempre estará. Engraçado é ter sentimentos que brigam entre si, nas lembranças que tenho de ti... começo a rir de lembrar de vc, depois me dá um nó na garganta da tua falta, depois torno a sorrir. Disseram-me que isto se chama... S-A-U-D-A-D-E.


Caminhada

     Sigo na direção do inevitável... me deram prazo. Disseram: "Roberto, estamos te dando um presente... chama-se vida, pode ter longa duração, mas não é inquebrável. Terá que cuidar como se fosse tua, mas ela é também de outras pessoas, como o tempo entenderá. Aproveite para sentir tudo que puderes, evite dormir demais, mas não durma menos que o necessário. Mude dos erros para os acertos, ensine, compartilhe, principalmente amor. Pode acreditar no que quiser... evite machucar os outros e perdoe os que fizeram a ti, mesmo não sendo fácil. E lembre-se... o que se leva da vida é a vida que se leva!"

O som dos meus passos...

Fim de tarde no Guaíba, Porto Alegre, em frente ao Iberê Camargo. Com um celular Samsung J7, foto: Roberto Furtado.
           E chegou o final de domingo... e eu, pensando entre tarefas acadêmicas, uma pausa para o minha corrida. Já imagino que será praticamente impossível correr antes de quarta, pois esta semana tenho muitas atividades para conciliar. Eu... sou, possivelmente sempre serei, um eterno dependente de cenários para reiniciar meus ciclos, daí então, imagino, um motivo importante para ter me tornado um fotógrafo. Eu morreria se ficasse confinado em um lugar sem janelas, sem horizontes! Finais de tarde, ou amanhecer... estes, me cativam! Há tanta beleza em contra luz, também no dourado do sol, idem para as nuances de azul do infinito céu. É bem bom... e é barato, melhor... é de graça! "A vida é de graça, tem gente que paga pra viver..." (Vera Loca).
Fui para a orla da minha Porto Alegre... eu queria correr, bem de boa, tipo num ritmo para ir e voltar, sem estresse muscular, sem dores por correr no asfalto. Seja vagaroso, contínuo, sinta seus pés e sorria... impossível um corrida ser melhor! Saí correndo, primeiro de som alto... aí percebi que queria ouvir o som dos pés tocando o asfalto. Então, escutava aquele toque toque de cada pé, um ritmo, sereno, contínuo, pensando nas batidas do meu coração... é tão bom sentir, o vento, o calor suavizado pela brisa. As referências... nosso presente! Não sabemos e não conhecemos nada sem o que já existe... é disto que que comparamos e sentimos. Ter noção... de si mesmo, do mundo ao redor, ser o centro de um universo de forma responsável, afinal, somos temporários. Não perca tempo... isto aprendi e não posso mais deixar de pensar. E no som dos meus passos, bem, de agora em diante, sigo, sorrindo, cantando em inglês errado, pensando como é bom ir além sem pensar aquém. Os meus passos tem um som que aprendi a entender... antes tarde, do que depois. O som dos meus passos...