Na chuva...

Show no beira rio. Foto: Roberto Furtado
       Lá estava... de capa, na chuva, numa espera, paciente! Dona de mãos delicadas, unhas pintadas, mal cuidadas... coisa do cotidiano. Ela registrava tudo... foto das luzes, multidão, selfie. De certo, envia pra mãe, talvez amiga, podia ser um namorado! Acho que não... sozinha, na chuva. A capa... escondia os cabelos... visivelmente claros, finos, pescoço fininho, menina delicada, certamente! Meu palpite? Hum... acho que uns 33 anos, nem tão menina, ótima idade para mulheres, pois elas já sabem muito mais que os garotos da mesma idade. Houve momento... eu também na chuva, separado por uma contenção, trabalhando. Em cima de um suporte de alumínio, eu, uns 40 cm mais alto do chão. Câmera na mão, também de capa... eu, fantasiado de sei lá o que, homem do saco, parecia um "andarilho sem lar"! Ela deu um giro, no próprio eixo... num sentido, voltou. No retorno, me olhou... mas eu vi de relance. Chegou uma amiga ao lado dela, falaram algo uma para a outra, olharam na minha direção. Pensei que não era comigo... a amiga acenou pra mim. Desci da elevada, fui até a contenção. Perguntou se tiraria uma foto... e se enviaria: "quanto custa?" 
"Não custa nada... envio pra ti, de graça! Pela amizade..." 
Sorriu, chamou de querido... puxou papo, me deu cartão! Eu disse: "Faço a foto e preciso trabalhar... nos falamos!" 
Ganhei sorrisão... mais do que fotos de um grande show, ganhei duas amigas. Aprendi, aonde quer que eu vá... planto coisas muito boas. Aprendi a plantar amigos! Foi na chuva... que eu a vi, no meio de uma multidão, na chuva!

Noite

Céu de Teresópolis, zona sul, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado
     Eu e ela... no escuro, sinto a presença... ela veio, encanta, afugenta. Eu e ela... uma parceria e tanto. Não sinto mais solidão como antes... desde que aprendi a viver sozinho. Se procuro as pessoas é porque desejo mudar a rotina... mas eu vivo sozinho, do meu jeito, com o silêncio do vento e da natureza. Na minha cidade, escuto os carros passando na rua, buzinas de longe, por vezes sirenes. A cidade ecoa um som que não sei descrever... é um ruído constante que se propaga entre os prédios, ruas, como uma respiração nos corredores. Eu e ela... nem solidão, nem outro alguém. Uma conexão de universo, submissão de um mortal... frente a algo impossível de tocar ou perder. Lá vai ela... como vento numa grande avenida, como a luz da lua, como o brilhos de longe da cidade. Certa noite... a centenas de quilômetros de Porto Alegre, numa noite com pouco vento, na beira do mar... acordei, sai da barraca e fui olhar o céu. Tive certeza de que não estava sozinho... embora ninguém respondesse aquilo que pudesse perguntar. Era como estar sendo observado, pelo olhar materno, amor maior... era ela, me vigiava, cuidava de mim. Não era a lua... a lua era outra filha, tal e qual o sol. Ali, quem manda, a noite... a escuridão boa, ausência de maus pensamentos, valorizar das estrelas, oferta de sensações, sobre o mundo, sobre nossa diminuta existência. Me olhava, por todas as direções... era claro como o conhecimento, sensação de ali estar, negra de tom azulado... minha mãe, meu universo, a noite que me encontra todos os dias. A noite me encanta...

Posso, faço e escrevo...


              Evidente que confiança é o sentimento mais destacado neste texto... O título já diz muito sobre isto, assim porquê eu simplesmente domino o meu universo. Não tenho, nem dúvida, com certeza, de que o meu mundo me oferece mais questionamentos do que respostas... e é por isto que sou feliz. Sou incansável andarilho desta busca... eu miro no horizonte, olhando para os lados da estrada, imaginando tudo que existe e precisa da minha curiosidade. Confiança... segurança! Eu sei que posso, vou lá e faço... também escrevo, pois me permito escrever com o pouco que tenho de conhecimento. E afinal, não é o homem um ignorante nesta terra onde há tanto para saber? Há mais conhecimento garantido em engenharia do que em medicina, porém, na saúde, os profissionais parecem sentir que são os personificados deuses, com arrogância, caminhar da confiança sem saber quase nada do universo que os cabe. Converse com os engenheiros... mas em média, vais ver que são autossuficientes em suas perguntas e respostas, soluções imediatas, seguras. Esta mente da ciência exata parece ser mais modesta e convencer-se de que quanto mais sabemos, menos somos dominantes do conhecimento. Há tanto para ser questionado... inclusive a mim, eu, que vos escrevo. Escrevo na simplicidade que poucos poderiam, ainda que muito melhor que tantos que já vi... aliás, sempre me pergunto como alguém pode se julgar acima dos demais sem que saiba escrever fluentemente linhas como estas... peça para um médico escrever uma carta, mas não se horrorize, e não cobre dele, afinal, você não quer ser como ele. Um arrogante nato... não sejamos generalistas, tenho amigos médicos e de outras áreas da saúde que são modestos. Ainda que não saibam escrever, são profissionais excelentes... tive uma professora, uma física brilhante, que me explicou sobre as inteligências do humano. Sensibilidade, capacidade para transportá-la, eficiência sobre as soluções para convencer as pessoas... inteligência, incomum, pouco compreendida. Afinal, tal resultado, seja literário ou artístico, jamais foi valorizado, embora esteja relacionado a efeitos positivos que enriquecem segmentos, baseados em desempenho de vendas (publicidade), ou até mesmo nas linhas de um automóvel, quem sabe nos filmes hollywoodianos! Há, em tudo, seus motivos, direções... frieza não é um adjetivo, embora torne algumas coisas mais simples... como passar por um conhecido com problema e simplesmente ignorar. A vida, se desenha... dá sinais, algumas vezes, reparamos, outras, nem nos ligamos. Eu escrevo... fotografo, tenha certeza que sou de um tipo que há bem poucos... será que 1 ou 2 em 100 indivíduos? O que é mais fácil... escrever algo que toca as pessoas ou se formar em administração, direito, engenharia, medicina? Hum... acho que nada é fácil, e tudo requer uma habilidade, mas note... incomoda ser criticado, não é mesmo? Já pensou... era isto que eu queria! Sabe porque eu faço isto? Eu nasci com isto... e aprendi a usar, eu posso, eu faço, eu escrevo!

Um olhar para o fotojornalismo digital (disciplina de Fotojornalismo) 06.10.2017

Homem ateou fogo em ônibus no centro de Porto Alegre, ao lado do mercado público. O coletivo ficou completamente destruído, o suspeito não foi encontrado, e houve apenas prejuízos materiais. Populares afirmaram que as chamas alcançaram altura muitas vezes superior a estação/parada de ônibus e de longe se via a fumaça negra.
Foto com celular: Roberto Furtado
               A globalização e toda corrida tecnológica motivaram quase que todos os segmentos profissionais. Não há como negar, nem como desacelerar. Nos sentimos passageiros de um veículo que parece não ser controlado por ninguém, embora seja uma criação de nós mesmos. Nos últimos anos evoluímos rapidamente utilizando tudo que depende de eletricidade/eletrônica... os computadores evoluíram e com eles evoluíram os processadores que a cada dia são menores, mais rápidos e singulares em suas capacidades. A tecnologia trouxe mudanças... em primeiro momento, muitos vibraram pela facilidade e pela agilidade na produção, edição e transmissão de imagens. As câmeras digitais deram um grande tombo nas câmeras de filme 35mm. O fotojornalismo jamais conhecera uma vantagem tão expressiva quanto a opção de clicar o botão, conferir a imagem, retirar o cartão da câmera e colocar o mesmo no computador. Em um ambiente ideal, não é impossível fazer a imagem em um minuto e estar transmitindo a mesma no minuto seguinte. Enquanto a realidade anterior era revelar para então ter certeza de como ficaram, escolher e encontrar uma forma de enviar (como num sistema de telefoto ou até mesmo em algum tipo moderno de transmitir gráficos), agora, nos deparamos com a versão com milhões de caracteres que definem uma fotografia através de pontos coloridos executados e transmitidos pelas câmeras atuais. As câmeras de valores variados encontraram um lugar em cada mercado que as necessitava, da publicidade e jornalismo, ao entretenimento e mera recordação. O velho jornalismo se perde ao poucos na história nas telas de celulares, tablets e computadores. A textura da notícia, se perde, parece que em alguns anos nem lembrada será. Na medida em que telas de led evoluem e "barateiam", os papéis dos jornais encarecem e ficam desmerecidos. O branco e preto, sem qualidade e satisfatório para entregar a história, das folhas de jornais deu lugar a qualidade superior das telas de telefone celular. O fotojornalismo através do profissional freelancer esta praticamente encerrado, as agências pagam de 4,70 a 100,00 por uma imagem ótima, mas a grande maioria das imagens giram em 15 reais. O motivo parece ser uma combinação de fatores, tais como a concorrência desleal, pois qualquer transeunte e testemunha de fato se transforma em jornalista quando munido de um celular. Os jornais ganham de presente do leitor, a pauta, a imagem, a história... o valor é ter o nome publicado no jornal. Os próprios jornalistas que trabalham em jornais realizam esta prática, cedendo para pressão exercida pela direção. Certa vez, existiu... um repórter, um repórter fotográfico, um repórter cinematográfico, porém, hoje, a cada dia, surge mais um novo tipo de repórter, denominado repórter multimídia. Demite-se o fotógrafo, também o câmera, e coloca-se na mão de um repórter um bom celular. Esta feita a notícia na era digital ao valor de apenas um profissional...

As águas... sem medo!


            Quando eu tinha 12 ou 13 anos, fiz escola de vela... foi lá no Veleiros do Sul. Do professor, o rosto ou nome, nem lembro mais... e até acho estranho não lembrar da fisionomia, mas passam tantas pessoas ao longo da nossa estrada que não é assim tão estranho não lembrarmos de nomes ou rostos. Eu lembro bem que era o mais novo da turma... era uma turminha de jovens e de adultos. Alguns mais velhos colocados com os piás, de três a três por veleiro. Em uma das aulas práticas, o objetivo era virar o veleiro e desvirar... sair de uma situação, simulada, assistida, para saber como poderia ser a experiência complicada do velejo. Viramos e desviramos o veleiro umas três vezes... Não é nada fácil depois que ele tende colocar o mastro apontado para o fundo. Pareceu quase impossível... é como brigar em cima de algo que não consegues aplicar tuas forças. Mesmo assim, num jogo de equipe, conseguimos... eu sempre fui um moleque forte, tenho certeza de que não fui peso morto, tampouco meio eficiente. Acho que fiz a diferença... e depois disto, vivi experiências próprias na água. Algumas pensei que seriam a última, mas isto é uma coisa que a gente aprende também... nunca é a última até que ela realmente te vença. Enquanto estiver consciente e capaz de recobrar o domínio, haverá uma grande chance de você reverter as coisas. Eu já escrevi sobre uma situação onde pensei ser jogado para cima de um naufrágio depois de uma grande série de ondas. Por sorte, não fiquei preso nos ferros submersos, mas foi a maturidade de manter a calma que me manteve esperto e com chances de solucionar o problema. Em outra ocasião passei por cima de uma rede... ela ficou esticada e a corda mestra que sustentava a rede passou raspando no meu bodyboard, mas isto porque eu impulsionei a prancha para cima no momento exato. Aquela foi a pior das situações que vivi... se tivesse entrado na malha da rede, teria ficado lá mesmo. Não conheço ninguém que se malhou em redes de praia e que tenha sobrevivido. Mesmo quem carrega uma boa faca, não teria tempo suficiente para se desprender. Nos assaltos que sofri, corri riscos como qualquer vítima, mas foi a calma que me permitiu seguir adiante. Quando fiz o curso no Rio de Janeiro, para jornalistas em zona de conflito, descobri que já sabia algumas coisas por experiência própria. Maturidade é o fato de conhecer-se, saber olhar para algo, examinar e tomar decisões. As decisões são sempre com o objetivo de superar... você olha para o perigo, avalia, enfrenta ou foge, ambas podem ser a decisão correta de acordo com a situação oferecida no momento. Prefiro sempre manter a calma... E sobre calma, sempre lembro do meu estado de espírito sobre a prancha. No mar... metros atrás da linha de arrebentação encontro meu ferrolho, meu momento de paz. Tomo minhas decisões, independente do tamanho do mar. Quando eu calço os pés de pato me sinto protegido, capaz de decidir, de usar a força para resolver tudo. Sejam águas cristalinas ou turvas, onde pequenas ou grandes... eu não tenho medo. Aprendi a dominar uma situação, em 29 anos de bodyboard. Confio e respeito em tudo aquilo que pode me vencer... mas saber exatamente onde esta, te permite viver sem medo! Os meninos deviam ouvir mais os homens... e os homens deveriam prestar mais atenção nos meninos. Um é o outro amanhã, mas o ontem ensina como presente deve se apresentar. Sobre as águas... vivo, sem medo!

Vida divertida... e louca!


        As mudanças... tudo que acontece na vida é um gatilho para mudanças. Mudanças de trabalho, de cidade, de estilo de vida, de relacionamentos, de opções esportivas, novos hobbies e hábitos. Tudo isto nos leva a novas oportunidades. Os últimos 10 anos vivi tantas coisas... e ao me analisar, descubro que a grande quantidade de aventuras cresceu muito com o passar dos anos. Claro que ser aventureiro é uma questão de natureza própria... e é uma opção de cada um. E não vamos entrar no que é certo, pois cada um tem esta resposta dentro de si. Não tenho perfil para trabalhar em escritório... sou mais do tipo, pé na estrada e oportunidades não rotineiras. A vida ficou muito mais divertida ao me aproximar dos 40... e quando entrei de vez na quarta década muitas surpresas foram surgindo em grande velocidade. Posso dizer que fui muito feliz no passado, mas é possível afirmar que esta tão ou mais divertido agora. Os desafios, eles são atingíveis... e isto pode ser uma questão de maturidade. Talvez o homem sonhe com as coisas que sabe que pode realizar, embora seja claro que sonhar além da conta possa ser motivador. Estou me divertindo muito... e vejo que muitos amigos também. Há uma forma positiva de ver as coisas e é isto que contamina quem esta ao lado. Procurar por pessoas que tenham este espírito é uma garantia de viver estas experiências. Um ajuda ao outro... e torna a realidade do outro viável. A sucessão de situações que acontecem na vida da gente parece vir em uma caixa de surpresas, mas isto é bem interessante de viver. A vida se torna divertida, mas vezes parece louca, e não há diversão em perfeita centralidade. O espírito da diversão é uma fusão de loucura e infantilidade, onde tudo se transforma em boas risadas. Ser feliz é uma questão de saborear coisas bem simples, como início de uma chuva de verão ao pedalar, ou beijar alguém, quem sabe receber um telefonema inesperado e sair de última hora. Tudo é incerto... certo mesmo é a alegria. Uma vida pode ser louca, mas com certeza se louca for, do jeito certo, divertida fica. 

O caminho conduz...


        Algumas vezes pensamos que estamos escolhendo o caminho e tomando decisões... porém, o resultado não parece ser aquele que desejamos. Isto é bem difícil de entender... é daquelas questões que jamais saberemos. Somos motivados por instintos, emoções, construções do nosso perfil, que por  sua vez são resultantes de nossas experiências. Construímos uma estrada... por melhores que sejamos, algumas vezes, que não muito nos agrada, mas é um reflexo do que somos... e colhemos frutos destas ações. Algumas vezes, o saldo não é positivo, embora, construtivo para ao longo da jornada. Penso sempre como amadureci, ainda que seja insuficiente para o que vejo como ideal. Gostaria de estar pronto para algumas coisas... creio que não esteja. Me culpo... e acredito que você faça o mesmo se possuir um forte instinto de responsabilidade. Não se culpe... algumas vezes, tomamos decisões, mesmo que instintivas, e elas parecem surtir um efeito que não se espera. Talvez, isto seja um tipo de treinamento para o que virá depois. Talvez, as pessoas sejam passageiras na sua vida, com o propósito de levarem você a outras... e que de alguma forma, tudo isto possa ser regido pelo universo. As energias... acredito nelas! Tudo que fiz na minha vida teve uma reação do sistema, o universo reage! Agradeça por estas pessoas, que você encontra e que passam por ti, deixando cargas de aprendizado que não pode ser quantificado. Se elas derem adeus, ou se elas voltarem em algum momento, houve motivo... você foi importante para elas, assim como elas para você. Estar pronto para um novo passo, uma nova experiência é ter um valor que talvez nem você entenda que possui... Já pensou? Estar aberto, atento aos sinais, fazendo a leitura do caminho que é ofertado para você. Acredito nisto tudo, mas tenho uma atenção para tentar relacionar o mundo e estas conexões de acontecimentos. Penso como o caminho me conduziu até aqui... uma amiga me disse algo e eu fiquei pensando sobre isto. Ela falava sobre estas relações das pessoas e como tudo se conduz de uma forma muito estranha até nos colocar de uma alguma maneira no caminho de alguém. Algumas vezes é uma coisa estranhamente ridícula... e sabe lá se não é justamente a forma incomum que gera o elo entre você e esta outra alma para que cooperem entre si, mesmo que temporariamente. É um esquema bastante estranho refletir sobre estas probabilidades, pois você sabe que daquela forma jamais ocorrerá novamente. Pode que... surja outra estranha oportunidade e então, uma nova experiência te levará aos ciclos de reflexão para evoluir novamente, mais uns degraus e sabe lá onde vai parar um vivente depois disto. A infinidade é como um esquema de combinações... não há probabilidade capaz de calcular estes estranhos eventos do destino. Eu... acredito que da mesma forma que um número segue em fila atrás do outro, caminham em direção ao infinito, e de alguma forma, a probabilidade é vencida. O caminho conduz em uma estrada única, desconhecida, mesmo que visível até o horizonte, mas depois disto, nada é conhecido ou previsível e se questionares porque alguém surge ou some da tua estrada, será como querer prever o que dela virá. É impossível, improvável, inimaginável... mas o caminho, conduz!