Redenção

Bodie Town, Ghost City. Foto: Roberto Furtado
          Um ano inteiro decorrido... e sonhos praticados ou elaborados. Nem tudo acontece como desejamos, mas os sonhadores tentam! Estive sobre o céu de muitos lugares e sempre tenho a sensação que nunca tenha visto um que me garantisse: "aqui é o meu lugar!" 
Me senti invasor da minha terra ou imigrante da minha própria casa e, nunca visitei um lugar ao qual sentia que pertencesse. É um pouco estranho pensar desta forma... mas isto não é nenhum problema e só me traz mais certeza de que sou um andarilho, de alma, corpo e pensamento. Me deparo com tudo... e pego na mão uma pedra com formato esquisito, sendo como um curioso do mundo num comportamento que explica a evolução da espécie humana. 
O ano terminou... olhei para trás e vi que algumas coisas fizeram bastante sentido. Vi também que mudei muito num curto espaço de tempo. Algumas coisas continuam não fazendo sentido para mim, mas acho a vida uma experiência incrível com direito a experimentar sensações e sentimentos. A gratidão que eu sinto, junto com todas as dúvidas que tenho... ficam me perguntando porque eu deveria parar de perguntar, enquanto tento e não alcanço respostas. Por isto... como bom andarilho, devo sair por aí nos próximos dias, no que eu eu chamaria mais uma vez de jornada espiritual, que me faz crescer. Não vou dizer para onde vou, nem quanto tempo ficarei fora. Talvez eu demore, provavelmente voltarei, como nas outras vezes. Jornada espiritual tem prazo de validade...
Minha redenção é assumir meus erros, prometer encontrar a cura para eles. Meu único compromisso com a vida é evoluir, existir com força, praticar meus instintos e superar. Se nos encontrarmos por aí... espero que possamos bater um papo. Espero voltar... caso não o faça, compreendo que foi porque encontrei algo muito legal no caminho. E vejo que nunca mais somos os mesmos depois do dia seguinte, o que nos faz incrivelmente capazes. A redenção de um homem é assumir que precisa melhorar... e isto, em fotografia, trouxe-me uma rápida melhora. Quanto antes você aceitar o seu caminho, antes crescerá! Redenção é pra poucos... a libertação é a consequência de atos sinceros e que não trarão peso em hipóteses alguma. 

A companheira solidão

Mono Lake, vista para as montanhas. E eu não me importaria de caminhar por aí outra vez, sozinho. Foto: Roberto Furtado
           É realmente estranho para mim escrever sobre isto... e acho que existe, na verdade, uma dualidade de pensamentos que divergem no caminho do que realmente sou e quero pra mim. Pensei muito... nunca pensei tanto, como nos últimos dois anos. A diferença é que agora, tenho paz toda vez que não recebo influência de ninguém... ou seja, a paz só é ameaçada por alguém. Percebi que a gente nasce e morre sozinho... então aquele medo de não ter ninguém pra segurar a mão da gente é meio natural, mas eu também pensei que de um momento para cá percebi que via a imagem de todo mundo ficando velho. E então, não me imagino na mesma situação. Sou um espírito livre e jovem... e tenho a impressão que o universo me resguarda uma passagem não tão longa por aqui. É apenas um palpite, e falo isto bem desprendido, pois tenho minhas próprias crenças e isto não me causa sofrimento. É possível que eu não sofra porque, talvez, eu tenha resolvido tudo até aqui. E aquilo que não tem solução, como diz Marcio, meu irmão daqui e de outras vidas, já se encontra em solução. As vezes a gente luta e reluta em aceitar uma resultante, sem perceber que ela é inevitável condição de um caminho. Já vivi meu grande amor, já me tornei o que sonhei, já fiz quase tudo que queria... e ontem a noite cheguei em casa e sentei no chão do observatório da dona Silvia. Olhei pro céu estrelado e vi que as estrelas estavam mais brilhantes do que nunca, percebendo que meus olhos se tornaram receptivos e predadores de imagens. Observei uns dois ou três corpos celestes cruzando o céu e fiquei imaginando nossa vida de consumo como um ato meio desfocado da vida real. Não julgo ninguém por isto, apenas não estou me sentindo confortável se não for para ter apenas aquilo que quero usar no momento exato. Meu patrimônio mais caro são os equipos fotográficos que correspondem algumas dezenas de milhares de reais, vitais ao meu ganha pão e indispensáveis a minha felicidade. Fotografia se tornou minha paixão e o meu sustento... me trouxe sorriso, amizade, satisfação pessoal. A solidão... alimentou tudo isto. Ela é minha amiga desde que nasci, me viu crescer, me aqueceu, me ergueu quando chorei. Quando conquistei algo, também chorei, de felicidade, eram fotografias usadas na em publicidade e jornalismo... nunca me senti tão grande por algo tão simples. Ontem, enquanto olhava o céu, senti grande conforto... tive uma nítida sensação de não estar sozinho, embora, estivesse para qualquer um que me observasse de longe. Lua se foi e já não lembro quanto tempo faz, minha ex companheira tornou-se apenas amiga e lembrança, meus pais envelhecem ao ritmo que dificilmente suporto. E talvez este texto não expresse minha felicidade, mas estou. Nunca fui tão feliz na minha vida... é como se tivesse encontrado a paz na guerra. Sou do front de jornalismo, mas talvez nunca vá atrás disto, pois não basta você ser apto, será preciso querer! Logo... devo pegar o voltante do automóvel e ir para algum lugar, sozinho. Sabe o que acontece? Amo todos meus amigos, mas amo a mim, mais do que tudo. Então me basta tempo que passo com meus amores, mas o tempo para mim mesmo, parece sempre curto. Um dia serei proprietário de mais algumas respostas, mas até lá ficarei com esta paz caminhando pelo planeta, como um louco de cara! A minha companheira se chama solidão... regida pelo universo. Não acredito que exista alguém capaz de sincronizar comigo. Se preciso das pessoas? Claro... mas também me sinto capaz de atravessar o mundo e sobreviver a qualquer coisa. Não acho que há muitos como eu por aí... mas também não acho que isto seja bom, pois de outra forma o mundo seria feito apenas de textos. O que mais fiz nesta vida, me parece que foi escrever e fotografar, ambas opções são claramente alimentadas por solidão. 

Não há um cessar fogo na mente de um autor

Monterey Bay, CA. 2015. @betoandarilho
            Convencer pela imagem poderia ser um truque ou poderia ser a realidade com efeitos técnicos de conhecimento fotográfico. O fotógrafo, seja um jornalista ou um autor de produções, é um ilusionista que tenta passar a verdade com extra do seu olhar. Todo fotógrafo ambiciona passar a imagem em caráter igual ou superior a realidade. A manipulação dos conhecimentos específicos desta atividade e cultura permite a geração de resultados incríveis de aparência em duas dimensões para uma história do passado. Lembrando... fotografia é uma obra que expressa o tempo decorrido. Só existe fotografia do tempo passado... nem que seja de um segundo atrás. Somos feitos de instantes, deles guardamos o que precisamos, ofertamos a nós mesmos as lembranças que motivam nossas andanças. Para quem tem um filho, para quem tem um amor ou para quem tem pais amados, existe um reflexo óbvio do amor que é guardar estes momentos. Para quem ama o mundo, a natureza, a estrutura de compor o mundo que a física oferece, ficam as paisagens como lembranças. Assim, estão as lembranças em nossas mentes. Uma caixa preta, parece escura, mas na verdade guarda tantos segredos em formas de lembranças ilustradas apenas ao seu interior, exceto quando ilustramos estas ao mundo... assim, nos tornamos autores, fotógrafos, ao mundo. 
Manipular o desfoque em certas áreas é na verdade reproduzir a realidade que os olhos não conseguem, pois ao colocar os olhos no alvo, automaticamente eles se focam no objeto para que olhamos. Em tal distância focal podemos dizer que nossos olhos são objetivas incríveis de nossas máquinas fotográficas. Numa reflexão de que nossos olhos são objetivas, parte de nossos cérebros processadores da imagem e outra parte dele estocadora de imagens, percebemos que o homem simplesmente copiou um conceito da natureza humana e transformou em equipamento para um conceito bem simples já criado com um único intuito de levar a mesma imagem para quem quiser observar. "Não há um cessar foto na mente de um autor" é uma frase de minha autoria, embora acredite que exista ou que já tenha sido dito por alguém em algum lugar, ou mesmo pensada. Atualmente, seria muito difícil acreditar que alguém já não disse alguma frase simples... e mesmo assim, genialidade é ser promotor de autorias, criar conteúdo por conta, estar sempre pronto para falar, escrever, ou expressar o novo, mesmo que, motivado por sugestão de alguém. Sensibilidade é um dom, mas mesmo dons podem ser mais ou menos valorizados, pelo seu possuidor, pelo observador, pelos fenômenos de dissipação de uma imagem pelo mundo em redes sociais, como mero exemplo. Caminhar sobre o mundo é escolha, pois ficar em quatro paredes garantirá um olhar. Optar por caminhar sobre a Terra vivendo a experiência do olhar possibilita "sintetizar" ou "tatear" as imagens que passam por nós. Não existe memória suficiente no mundo para guardar a imagem de tudo visto de todos os ângulos. É um processo infinito onde a composição de um fundo complementa a informação do alvo (objetivo fotográfico) e a cada mudar mínimo de ângulo reproduz uma nova ideia. Nossos olhos e nossas mentes são ferramentas essenciais e exclusivas das nossas emoções, das nossas trajetórias, do que seremos. O que somos é calculado e recalculado segundo a segundo, mudando o conceito e grau de desenvolvimento próprio a cada instante. O amor que temos pelo eu, pelo mundo, por tudo que nos circunda, leva-nos ao hábito de olhar para tudo como um enólogo interpreta o sabor de cada vinho. A particularidade de cada algo experimentado é o que temos de melhor como habilidade. Farejamos, sintetizamos e levamos ao mundo o que desejamos mostrar para as pessoas. Isto nos torna geradores de conteúdo e causadores de reflexão. O que não é visto não é lembrado, o que não é dito não é pensado, o que não é ícone de uma lista jamais será motivo de reflexão. É muito mais simples uma ideia que circula pelo mundo motivar pessoas para esta reflexão do que pessoas simplesmente encontrarem sozinhas o caminho desta reflexão. Isto torna autores tão importantes, mas reprodutores de ideias levam a importante tarefa de observar o caminho visto de outras formas. Poderia assim, ser pensado com muito cuidado a diferença de um autor de obra de qualquer natureza e um professor. Há formas diferentes de mostrar o caminho a ser compreendido, como há individualidade em tudo. Somos máquinas da interpretação capazes de escolher de forma inconsciente por bifurcações da estrada da reflexão, e tal, nos leva ao infinito de possibilidades, da mesma maneira que mudamos o ângulo de uma fotografia. O que faz a existência de um fotógrafo? A ação de resultar mundo em imagem, expressar a ideia de forma ilustrada! Somos incapazes de ficar pensando em nada... talvez alguns de nós, por motivo desconhecido, possam executar o breu dos pensamentos. Um lugar onde a caixa preta é sinônimo de inexistência temporária, para inquietos, ilustradores, autores, a resultante é um filme infinito que se ligado na continuidade não teria nexo, mas nós, perfeitos que somos, criamos início e fim para cada história. Nos confundimos, muitas vezes, com o que vemos dentro de nossas próprias gerações. No entanto, acreditamos que estas criações sejam sem razão, quando na verdade são reflexos das mentes inquietas que se auto alimentam da informação captada. Uma frase de Mário Quintana me parece muito interessante do ponto de vista do conhecimento e situação de cada ser humano: "Não tenho paredes, só tenho horizontes!" Esta seria uma frase com algumas interpretações, contudo, do ponto de vista ilustrativo, da imagem, expressaria a infinidade de imagens de alguém para o mundo. Repito... "não há um cessar fogo na mente de um autor!" seja qual for a natureza da informação, elas são como tiros saídos de uma arma furiosa, uma máquina fotográfica perfeita que pode funcionar por quase cem anos, tempo de vida que nós, mortais, podemos alcançar. Imagine viver por mil anos e teríamos uma quantidade tão grande de informações que talvez não pudessem ser devidamente utilizadas e valorizadas. 

Devaneio meu... a velocidade!

A lua pede a existência de um observador... este cara, sou eu!
             Já escrevi tanta coisa... e receio ser, muitas vezes, repetitivo! Ouço música, faço retratos, registro o cotidiano, observo as pessoas, os animais, o balanço das árvores. Presto atenção em coisas que a maioria esquece de lembrar ou, jamais viu. Os olhos de quem quer, sedento pelo mundo, são como facas velozes que cortam o horizonte da esquerda para a direita. Rasgam o ar e o céu, procuram momentos aos quais justifiquem uma vida que elaboramos. Eu... acho que encontrei uma forma de ver tudo. Quanto mais vivo, menos sei... deixo a certeza longe dos meus pensamentos, pois é a única forma de seguir questionando e garantindo o aprendizado. Abro a mente, escuto as pessoas, quer sejam especialistas ou nativos de algum lugar longe da civilização. Eu... aprendi que não aprendi nada ainda, por isto, decidi que só o caminho da dúvida me coloca na oportunidade. ouço "stop this train" de John Mayer e penso na vida. Poderia imaginar uma estrada de trilhos com a locomotiva pulsando forte que não reduz a velocidade... ou como um cavalo árabe que parece não perder o fôlego não importando quanto corra. A velocidade é cativante... sobre a bike, no volante, o vento corre no rosto e a vontade é sempre de manter a tudo passando rápido, como a paisagem. Até os animais entendem isto... êxtase para um puro sangue é quando ele corre, para os velocistas das pistas olímpicas, também para os amadores que aprenderam que liberdade é correr! Não importa... seja você um corredor de 8km/h ou de 15 km/h, a sensação será a mesma... force mais um pouco. O esforço parece que começa a te vencer, então as químicas do teu corpo são lançadas numa intenção de fazê-lo correr mais e mais. O mundo... era tão pequeno pra mim quando nasci, agora se parece com infinito, talvez seja uma mistura de tudo, ao olhar, ao sentir. Se beijares alguém... se correres, se sentires a prancha correndo na parede da onda, se o vento correr no rosto durante uma veloz descida de bicicleta. Eu já fiz tudo isto... me lembro ainda do zunidos dos pneus e dos raios enquanto descia de Gramado para Três Coroas... quando eu era louco e não sabia e devo ter por duas ou três vezes ter alcançado o lance de uns 90km/h. Jamais faria isto novamente... não seria por rejeitar toda emoção, mas sim por arriscar perder a continuidade disto que chamo de louca vida. É boa... e a velocidade é uma droga, vicia, atrai! Nas minhas pegadas ela parece mais segura... estou longe das corridas de 5 km que julguei a distância ideal. Assim que eu me recuperar, voltarei aos 5000 metros em 22 minutos, talvez quebre meus próprios recordes outras vezes. A velocidade...

Absoluto

A estrada da vida... é uma visão do infinito, com realidade de objetivar o alvo no dia seguinte. O foco não pode estar a dois passos de distância, a construção é para ser alcançada em curto espaço de tempo. Dê tempo ao tempo, mas coloque metas próximas. Elas farão você se movimentar gradualmente na transposição de fatos.  Estrada em Tavares, RS.
Foto: Roberto Furtado
           Estar em equilíbrio nos pensamentos... este é o grande momento que eu queria viver. Não sei se é a idade, ou talvez a junção de todas as experiências vividas, pode ser que seja a mesma coisa! Sentir pleno... o que é isto? Acho que todo mundo procura uma paz que só é verdadeira quando tudo passa a ser leve, independente do nível de dificuldade de um obstáculo. Olhar para toda situação de cima, como se estivesse mais alto que tudo ao teu redor é uma forma de ter clareza sobre como proceder frente a qualquer situação. Assim me sinto... e não foi a toa. Uma estrada se constrói vivendo, saboreando o doce e o amargo. Conduzir tudo é uma resultante de tudo que se viveu, tornando-se prudente, com os negócios, com o coração, com as pessoas que se movimentam no teu mundo. Ver o mundo sem fronteira é saber respeitar-se e respeitar ao próximo. Manter a calma, ser exemplo! Afinal, estando você por mais tempo aqui, deve isto aos mais jovens. Deve... deve sem obrigação, deve a você mesmo! Se permitir, manipular se for preciso, ou melhor, conduzir teu próprio caminho, que é também... se afastar ou se aproximar, calando-se ou oferecendo um pensamento sábio. Tudo depende de quem esta em alinhamento espacial contigo. Aqui... ou em 10 mil km, sempre tem alguém precisando, oferecendo ou precisando viver uma experiência com você. Eu não sei se as pessoas conseguem entender tudo que digo, pois vejo pessoas inteligentes tendo dificuldade para interpretar palavras simples, frases claras, pensamentos presentes e de acordo com uma mesma realidade. Tudo é o tempo em que cada um se encontra... alguns fragmentam suas vidas em áreas, familiares, sociais, profissionais, cíclicas, visuais! Programam em partes e vivem apenas estas que conseguem dominar, mas hoje olho para isto com o entendimento de porque eu fazia isto. E vejo muitas pessoas fazendo o mesmo... e agora entendo. É fácil viver no que você domina e, muito mais fácil ignorar outras partes que estão em turbulência. Então, a resposta para quem evita o temporal é excluir a caixa onde se encontram os desalinhamentos, pois reorganizar tudo nem sempre parece viável. Reorganizar... ao que parece, parece impossível! Só que reorganizar é uma ação constituída de etapas. Você precisa viver cada uma destas etapas, inclusive da consciência de que não esta conseguindo alinhar... e este esforço somado ao tempo, se encarrega de dar-te visão para as respostas. Dominar a mente... não é para aqueles que fogem dos pensamentos, mas sim para aqueles que os enfrentam. Focar-se somente em alguns fragmentos da vida pode ser muito bom, mas são insuficientes para dar solução ao conjunto que forma a tua vida. Fugir... fugir é uma ação que protela, evita temporariamente os desafios e suas soluções. Enfrentar significa conseguir ou fracassar, mas a resultante construtiva é o único prêmio verdadeiro de todo enfrentamento. Se cheguei até aqui... e sinto o que vejo agora, depende de tudo que vivi. Me transformei em uma energia que olha o mundo, com a cautela da avaliação de onde pisar, sem evitar o caminho, querendo viver as experiências sem condenar a mim mesmo ou a quem cruza meu andar. Ali, descobri uma receita intransferível de como me portar, amar que quer que seja que passou por mim, sem pesar. Como diz uma música conhecida, "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!"
E assim a gente aprende, e um dia, sente-se de uma forma que poucos compreendem... absoluto no próprio universo! Este estado de existência atrai tudo ao teu redor, pois as pessoas querem compartilhar contigo estes momentos. Você atrai tudo de bom... você é parte de um universo em equilíbrio, tornou-se absoluto. 

Realidade

Um portador de necessidades especiais recebe café de feirante no Largo Zumbi do Palmares, Porto Alegre, RS.
Foto: Roberto Furtado
           Você só lamenta aquilo que perde... bem, talvez exista outro caminho para lamentar. Não tenho certeza de que se pode lamentar a ausência de algo que nunca se teve. Talvez sim... em um momento raro de lucidez e inteligência que o seu autor consiga imaginar um ideal simples e que não possui. Não é ser excessivamente teórico imaginar situações as quais jamais se viveu? Não tenho certeza de que seja possível, tampouco ousaria dizer que não é... A chave que abre uma descoberta é sempre o pensamento. Girar sobre os pensamentos é comum ao ser humano, mas uma fração bem pequena muda algo com uma ideia inovadora. As boas ideias são escassas... algumas vezes, seres humanos estudam para ter ideias, como os engenheiros e outros profissionais da criação, mas um que outro garante uma história. Criar... eis uma ação na qual sou vidrado. Fico imaginando minhas criações escritas, diferentes da minha fotografia... pois em fotografia materializo a realidade, em escrita crio fantasias, histórias e pensamentos. Ali descobri que havia um lado diferente em minhas duas habilidades... na fotografia, como fotojornalista, conto a verdade buscando ela como linha inquestionável sobre o fato. Não mudo nada de lugar! Na escrita... me tornei, de alguma forma, como todo bom sonhador, um ficcionista. Muito embora tudo origine-se de uma realidade, tudo se cria, como em uma pintura, como em um desenho. Não tenho dúvida desde que criei as linhas de pensamentos e as separei por caixas. Em cada uma delas, guardo, organizo, crio o start para desenrolar um trabalho. Num espetáculo, show... fico atento ao mundo que se monta, dele, tiro minhas emoções e mostro o que interessa. Abro as duas caixas, da realidade e da imaginação, transformando minha ação em criação! Seja o fotojornalismo uma realidade, se desenvolve emaranhado em minhas emoções. Portar a câmera e apontar para o que posso é uma sensação de liberdade, a minha posse de uma sanidade plena da criação. Sou um gerador de conteúdo, versátil! Tento, tirar o máximo da pior opção, tento ver o melhor e diferente de um campo farto. As profundidades, pés livres, luz abundante sobre um céu encoberto de nuvens. Há mais suavidade em um céu de nuvens do que em um céu de sol... a diferença entre sol e nuvens é a opção dramática do cinza, das cores desbotadas. Há quem prefira fotografar com céu limpo, mas eu prefiro o ardor da história. Tal sentimento pode ser percebido no ser humano... o drama vive, de outra forma não se venderia um jornal por tantas histórias lamentáveis. Desde quando jornais eram mais vendidos contando histórias bonitas... o drama vive em nós, mas não só dele vivemos. Vivemos de equilibrar a esperança... e esperança é somente existente no caos, no receio, no medo, no lamento, precisamos ter pelo o que torcer! Eu adoro fotografar o amanhecer e o entardecer, luz amarela, marcante, sombra negras que cortam o laranja sobre o mundo, sobre os rostos. Dá pra fazer drama colorido, mas é mais difícil, de outra forma o branco e preto não seria ainda tão desejado nas fotografias. Tenho tanto a aprender e aos 41 anos lamento ter demorado tanto para saber o que mal sei hoje. Tenho sede, mas uma vida é curta demais e não posso frenar o trem. Sinto-me confuso... poderoso com a câmera, insatisfeito com as resultantes, ainda que consiga com alguma frequência imagens das quais me orgulho. Posso mudar apenas o que depende de mim, do mundo, espero só o que é real, mas... fantasias se montam partindo da realidade. E tenho certeza... entre a realidade e uma outra realidade, muda apenas o enquadramento. A individualidade é o que nos permite criar com o valor do diferente!
E sobre o que escrevo... não é tão bom assim, na verdade sou um fotojornalista e como tal profissional, eu deveria saber legendar uma boa imagem. Na medida em que envelheço, menos sei... anseio pelo dia em que começarei a dominar o conhecimento, mas algo me diz que somente os enganados possuem a certeza. 

Audax 200 km do Vinho 12.11.2017
















Fotos: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo
          As coisas andam meio paradas no Bikes do Andarilho... mas eu tenho trabalhado bastante. Já tem algum tempo desde que fiz a última postagem, mas isto não diminui em nada o amor pela bicicleta e tampouco a admiração que tenho por estes caras aí. Já fiz isto centenas de vezes... fotografei os ciclistas, acompanhei todo trajeto até a chegada dos primeiros, do primeiro pelotão. 
Eles foram bem rápido... fizeram em pouco mais que  horas os 200 km. Nada mal... nem necessário, pois estamos falando de superação e não competição. Preciso sempre frisar isto para quem chega por último aqui nestas bandas... audax é prova de superação pessoal. Entre o primeiro e o último há apenas uma diferença... o nome de cada um! Todos são únicos para nós! Ponto final!
Esta prova foi importante para nós, ligados a SAC. A Sociedade Audax de Ciclismo completou 10 anos e assim estamos produzindo um material para documentar. Publicaremos um material para homenagear aos ciclistas, colaboradores, apoiadores, etc. É uma marca importante da longa distância... e rumo ao infinito nós vamos. 
Deixarei de muita conversa e vou logo publicando o link com as mais de 1000 imagens... fico feliz por estar presente neste momento. Meus parabéns aos amigos, aos que se superaram!