A estrada brasileira

“Há tempos que observo...” já disse isto umas 20 vezes este ano! Sempre que posso pergunto para as pessoas do meu convívio: "O que vai ser do futuro?"

Todos mudam de expressão e devolvem para mim a pergunta sobre o que eu acho do Brasil. Ninguém sabe o que nos espera, mas muitos sabem que pela frente não há apenas coisas boas para enfrentar. A criminalidade esta completamente solta, aos exemplos políticos que alimentam marginais de todas as categorias ao balanço da impunidade. Grandes ações impunes geram garantias de pequenas ações impunes, ao passo que no decorrer da história, todas as ações incorretas se tornaram banais. Chegamos ao ponto do roubo dos cofres públicos não serem mais um problema, tampouco habituais assaltantes. Quando se trata de criminosos viciados em algum tipo de droga são vistos como doentes. Doentes? E como fica o povo que luta diariamente para sobreviver? Ele é o motivo da doença que fuma crack? Para explicações incompletas, basta repetir a pergunta. Pq? Pq? Pq? Todo mundo desconversa... os menos fortes, antecipadamente, pois ninguém aguenta a incerteza e o medo disto que estamos enfrentando. Muitas vezes fica sugerido de que as pessoas aguardam por uma mudança repentina... li dias atrás um texto de Arnaldo Jabor, colunista que admiro muito por dizer as verdades em tom irônico. Acho que a forma como ele descreve os problemas e ao mesmo clama por atenção é uma forma de nos alertar. Assim: "Vamos seus palhaços, acordem para a vida! Estamos sendo feitos de trouxas!" Contudo, não há resposta, exceto para manifestações mal sucedidas, sobretudo tardiamente, pois estamos ao pé da copa do mundo, sediada agora no Brasil. Vai ser uma ótima oportunidade de muitos estrangeiros mudarem-se para o Brasil, pois estes que aparecem em nossas praias vendendo qualquer porcaria para obter sustento, evidentemente provem de países muito mais pobres que o Brasil. Por incrível que pareça, para vc saber quanto é bom por aqui, basta vc observar a média e origem dos últimos imigrantes do Brasil, entre legais e ilegais, obviamente. Ontem fui a uma cerimônia de entrega de documentos da OAB e escutei o hino do Rio Grande do Sul, onde tem um trecho que sempre fico indo e voltando, cantando para mim mesmo, martelando, que diz: "povo que não tem virtude, acaba por ser escravo!" Ali, naquele momento, observei todos os advogados veteranos e recém formados, falando sobre um sonho de ordem e justiça, algo que soou para mim tão surreal para quem conhece as ruas e manchetes dos noticiários brasileiros.  Eles acham que isto é viável... assim como eles, muitos também acham. Eu já não sei como vai ser colocar ordem nesta bagunça. Como vai ser moralizar novamente o governo, as polícias, ou o respeito ao próximo? Nossas mulheres e crianças poderão caminhar nas ruas a noite novamente? ou isto é um fragmento temporal que não retornará? Alguns dias acordo tão confuso... e o que fazer? O que vai ser da nossa estrada?