#semopção

Centro de Porto Alegre, 2014.
Outro dia fiquei refletindo sobre a vida nas ruas. E vida nas ruas posso ver de duas formas. A primeira onde me encontro, com a câmera na mão, realidade do dia a dia, com a confortável situação de ter para onde retornar ao fim do expediente. A outra seria na condição dos moradores de rua, catadores e/ou marginalizados do acaso desafortunado. 
Em dado momento em que eu conduzia meu carro, observei um morador de rua que parecia estar sob efeito de droga devido aos movimentos que realizava. Eu pensei que a situação de miséria o colocará naquele formato de vida desprezível. Que escolhas havia feito aquele jovem homem, velho menino... há tanto para pensar, tal como sua estrada de medo, desesperança, sempre visto e apontado por pessoas de condição do conforto, nós! Não deve haver situação pior na vida, onde vc tem tudo e não tem nada... tem capacidade de refletir sobre sua própria condição, mas não tem condições de mudar este momento que parece infinito. Há tanto sofrimento em nós, de estrutura social perfeita, assim pensamos. E não pensamos quanto temos, apenas no quanto gostaríamos de ter um pouco mais. Na verdade, basta um banho e cama quente, boa refeição e um trabalho para honrar os dias que virão... conforto é algo que precisa de continuidade. Nós reclamamos coisas tão pequenas enquanto há gente sem opção alguma. Talvez seja possível entender pq é mais fácil viver nas ruas sob o efeito da pedra, pq não há coisa alguma. Não há cama, nem janta, nem banho, não há nada além de lixo! E equanto isto, os funcionários do alto escalão do Estado tem isto tudo e muito mais, como auxílio moradia, mantidos com o pro labore do povo. Dindin que deveria ser usado com cautela, para que oportunidades fossem oferecidas para que um momento como o da foto, jamais precisasse ser reprisado. Reflexões inúteis de um fotógrafo andarilho...