As oportunidades especiais...


Muitas vezes fui questionado por colegas e outros profissionais sobre alguns tipos de trabalho. Conheci muito profissional, nem tão experiente, nem tão bem aparelhado, que se negava a fazer os trabalhos que não pagavam tão bem. Algumas vezes ouvi de colegas, algumas coisas tipo: "Por cem reais eu nem saio de casa!" ou "não quero que ninguém pense que meu trabalho vale só isto!"
É complicado arriscar o pescoço ou investir em trabalhos "baratinhos", mas este mesmo tipo de trabalho pode crescer junto com tua experiência. Fiz muitos trabalhos no segmento da bicicleta... hoje, ao todo, imagino que eles passem de 300 pautas. Muitos destes foram coberturas fotográficas, onde mais de 500 imagens foram produzidas. Fui muito mal pago em alguns destes trabalhos, mas eles me levaram a uma experiência que nenhum dos meus esnobes (e também despreparados) colegas saberiam fazer. Hoje, sou cobiçado neste segmento, como profissional de trabalho garantidamente bem executado. Ainda assim, cobro o valor justo de mercado, mas sei que ainda falta muito para ser valorizado se compararmos este segmento aos demais como futebol, política e grandes produções publicitárias. Contudo, o mercado esta crescendo... só que eu já estou aqui. Compreende? Meu nome já esta girando nestas pistas da bicicleta. Já fui entrevistado como um dos maiores fotojornalistas do segmento da bicicleta, já cobri eventos internacionais, também nacionais de relevância para a indústria e para a cultura da bicicleta. O reconhecimento veio em forma de convites... Já vi e fiquei sabendo que orçamentos menores que os meus, foram rejeitados pela concorrência do meu nome. E uma das perguntas mais frequentes que já ouvi como freelancer: "Vc tem experiência no ramo?" ou "Quantos eventos específicos da bicicleta vc já cobriu?"
Diante a perguntas como esta, para quem já tem experiência, sobra serenidade de resposta... "eu já fiz 300 eventos de bicicleta!"
Vou contar pra vc o maior segredo... eu não tive medo de estar presente, de propor e de aceitar propostas que muitos se recusariam. Já fiz sozinho, pautas que muitos fariam apenas acompanhados de dois ou três colegas. Quando o orçamento é curto e isto é comum no Brasil, a diferença entre existir a pauta feita por vc, e não acontecer a pauta pq não havia recursos por parte do organizador, pode ser mais uma estrela no teu histórico. Se tenho 300 estrelas para contar, devo isto ao meu suor, pq ser repórter fotográfico não é ser um empresário de bem de consumo... as pessoas não estão comprando carros, jóias ou outros bens. Elas estão comprando fotográficas... mesmo que este trabalho represente em aumento em vendas, ou no registro que permite a captação de recursos para um projeto, as pessoas querem sempre economizar em produções fotográficas. E no fim, quem fez... fez, quem não fez é só mais um frustrado e inexperiente do mercado. Saibamos nos valorizar, mas nem tanto, pq quando não temos nada, não podemos ter uma valorização enganosa. Fotógrafo mal preparado, sem carro, sem material, sem experiência, não é mais que mais um em meio a milhares. Alguém experiente sempre vai ter uma saída, mesmo para um imprevisto! Se vc é cliente ou se vc é colega... saiba avaliar, estar preparado é também maturidade! Alguns trabalhos não comprarão teu luxo, mas pagarão tuas despesas para crescer até lá... e isto não é uma escola incrivelmente bem paga?