Operação policial... cobertura fotográfica exclusiva e reflexões

Casal foi preso sob acusações de tráfico de drogas, posse de armas e receptação de furtos e roubos; 2015.
Acompanhei uma operação policial, na condição de repórter fotográfico, que tinha como objetivo prender um traficante de drogas. O sucesso da operação é uma realidade que esta em jornais, sites e redes sociais, mas há, além desta legenda, outras questões. O crime não compensa... fácil é viver de ilícito e querer manter-se no anonimato, mas há descompensações. O traficante mais pobre que existe deve ganhar 3 ou 4 vezes mais que qualquer jornalista e, deve trabalhar centenas de vezes menos. A prostituição da vida, que para meu entendimento é vender a própria história para um caminho sem volta onde o resultado não é a paz e nem a liberdade, desenvolve uma trajetória incerta sobre o futuro distante e com riscos altos para a família do autor. Aqui, envolveu-se na história, sem a menor intenção e compreensão, um jovem de 13 anos que assistiu os pais serem presos por posse de drogas, armas e objetos roubados. Havia na casa de posse do casal, um veículo siena 2014 totalmente desmontado, uma moto de motor e chassis raspados, munições, drogas variadas como maconha e crack. No freezer havia pedaços de uma capivara, que caracteriza crime ambiental que não pode ser atribuído ao autor por falta de um orgão responsável nas proximidades. Havia, quase uma dezena de aves silvestres em gaiolas, incluindo um falcão. Duas peles, de capivara e ratão do banhado, estavam pela casa, também uma cabeça de jacaré acima de uma porta.
Quem comete um crime, se inclina em favor de novos crimes... fato! De tráfico, para receptação de roubos e furtos... para posse de armas, para captura e matança de animais protegidos. Onde esta o limite de cada humano? Se não é a tal marginalidade a resultante ou a promotora das questões, o que é? Porque algumas pessoas, tal como este que vos escreve, ganham pouco para se manter e mesmo assim escolhem uma estrada limpa, e outros vão para o que há de pior ou quase?
Trabalhei, nesta oportunidade, com a permissão de registrar o que estou acostumado... garantir a eternidade do fato. Na oportunidade em questão um fato triste e feio do comportamento humano, mas até para crescer é preciso olhar de perto o desequilíbrio social e, neste momento se percebe que é mais fácil ir para perto de uma criança que assiste a um desenho animado. Crianças... o que nos transforma de crianças para adultos tão complicados? Era mais fácil quando andava de bicicleta ou assistia desenhos animados. Agora, até os videogames são complicados e violentos. E os olhares sob o crime são críticos, mas a estrada até então não é vista como parte do caminho deste destino. Culpa de quem? De quem escolhe, mas será que o lar não é alimento da alma para esta trajetória? Não há livro no sistema: "Como não criar um bandido!"
Me vou agora para o que faço com alegria, exercer mais uma vez o ofício, mas nesta oportunidade, serão bicicletas. Alegria de adultos sobre a bicicleta... outra escolha de um ser humano, onde a resultante é fruto de outras maneiras de conviver em sociedade. Nem tudo é perdido enquanto há opção, enquanto outras escolhas são praticadas.