Repórter fotográfico no Planeta Atlântida 2015 - segunda parte



Teve uma hora que a música calou, entre um show e outro, uma pequena pausa para organizar tudo e entrar a próxima atração. Nesta hora, chovia, muitos correram para se abrigar. Foi então que vi uma garota indo em direção ao painel próximo do palco central. Por ela a luz passava, revelando a silhueta e a solidão. Algo muito sutil, muitas vezes imperceptível. Vi naquele momento a oportunidade de fazer algo diferente pela fotografia do evento. Uma imagem com problemas de luz, mas luz diferenciada... luz que cortava o ar descrevia o chuvisco, visível na foto ao lado. Qualidade fotográfica não é exatamente nitidez, tampouco iluminação abundante, mas sim a história contada por um único frame, congelado! Um pé no ar, outro no chão, detalhamento de passadas, de movimento. Parado, mas evidente que pela fotografia que descreve um movimento... algo que só os observadores, leitores de um frame descritivo, podem ver ou sentir. Se há ruído, qualidade ruim do ar pela presença de umidade no contraluz, bem, isto é um artifício que se deve usar. Se a condição é esta... pode ser uma pena para uns, uma dádiva para outros. Prefiro usar o recurso que tenho, com as condições oferecidas, e assim, eternizar o que precisa ser feito. Ano que vem tem mais Planeta, mas no passado vai ficar picando estas imagens, cada qual em um olhar fotográfico. O olho de um repórter é constituído de razões inexplicáveis que acarretam no exercício de uma função. Se interessa a este olhar é pq tem motivo ou suas explicações.