Vai fazendo...

Fila para abastecimento do cartão Tri na rua Uruguai, Porto Alegre, 2015.

Acidente, Zona sul, POA, 2015.
         Zona de conforto é pra quem esta confortável... aliás, depende muito do que se entende por zona de conforto. Fazer o que vc gosta não é zona de conforto? 
Tenho feito muitos trabalhos que vejo mais como um exercício do que como cotidiano pesado de trabalho. Enquanto puder fazer, farei... tem aquela questão, vive de que? Quem paga a conta... quem paga a conta por enquanto, neste meio é "outros trabalhos" bem pagos, melhor remunerados. Se por um lado vc mastiga biscoito velho pra fazer fotojornalismo das ruas, esta realidade bem "mendiga", por outro lado tem trabalho que paga 20 vezes o valor de uma foto de jornal. Atende o telefone, faz o trabalho de 20 vezes, dá atenção pro cliente, finaliza... pronto, agora vai se divertir com a parte mal paga. É dose? É... nem tudo é o que se espera, mas diante de uma situação de mercado e nem tantas oportunidades, segue fazendo. Enquanto isto, depois de cada clique vai amadurecendo... chega ao ponto, de semelhantes ocasiões, que vc já nem olha pela câmera. Vc sabe que configuração esta, conhece intimamente a objetiva combinada na câmera. Aponta sem olhar e pau... tá feita a foto, horizonte nivelado, referências preservadas, composição igual a que vc imaginava. Os olhos de quem combina vontade do trabalho com prazer de fotografar são sempre únicos. Se formam muitos bons fotógrafos, alguns nem tão rápidos, nem tão produtivos, nem tão dramáticos, sempre há um melhor que outro em tal aspecto. Todos são únicos... mas quem toma chuva no lombo, sol na cabeça e migalhas que mal pagam um café da tarde por uma foto, sabe bem o que representa. O importante é saber o quanto vc é capaz, quanto pode em relação a maioria, quanto esta disposto a pagar. Me pergunto apenas, quanto aguenta ou mantem esta linha um bom profissional? Estou a cerca de oito anos fotografando bicicletas... pouco se pensar nos meus 38 anos de vida, muito se pensar que no RS ninguém fez por tanto tempo. Referência... eis o grande trunfo! Não me importo... não! Faz pq gosta... nem por isto abuse, nem por isto pense que estes profissionais farão, até pq há muito mais de princípios! Prostituição fotográfica é uma camiseta que nem todos vestirão... há belos exemplos de profissionais trabalhando por menos e escolhendo o que querem fazer pelo princípio, não pelo valor de uma pauta.