Repórter fotográfico: Funcionário X Freela

               Durante algum tempo eu quis trabalhar para um jornal... na verdade, toparia ainda a experiência por um período. Me incomoda um pouco, depois de experimentar a liberdade, saber que precisaria fazer as coisas somente nos moldes estabelecidos, deixando de lado uma grande parte que todo autor precisa, tal iniciativa livre e gratuita. Fotógrafo, ou mesmo o repórter fotográfico, necessita de espaço para criar. A mente precisa estar aberta... e de fato, restrições tendem a impedir este processo criativo. Alguns profissionais talentosos por natureza, conheço alguns, fazem deste ofício como funcionários em excelente destaque. Eles são bons funcionários e, mesmo que "emoldurados" pelo sistema, ainda possuem a tal liberdade que tenta aflorar quando não estão sob pressão. O exercício de funcionário tem suas garantias... salário fixo, benefícios e seguranças. Freela passa pelo trabalho diário de correr atrás da pauta que se divide em duas tarefas... realizar a mesma da melhor maneira, e de alguma forma obter o sustento com este trabalho. Funcionário não tem preocupação de para quem vai vender... evidente e comum em qualquer profissão. O freela é uma gama variada no sistema... vc vê freela passando fome, e freela que trabalha 5 dias no mês e vive como alguém não precisa trabalhar no restante dos dias. Tem freela que faz um único trabalho no mês para ganhar 6 paus... e funcionário mal chega nos três mil. Por outro lado, ter trabalho que pague tão bem não é fácil, têm umas histórias por trás disto. Ninguém vira fotógrafo do dia para a noite e então começa a desfrutar deste conforto. E conforto assim não é rotina, tem meses e meses... e assim como há clientes de todos os tipos. Trabalhos especiais exigem valores especiais... para profissionais especiais. O mar é uma oportunidade para quem quer conhecer o horizonte, mas para chegar até lá, muita água vai passar. Uma vez, conversando com um fotógrafo renomado, em conversa muito agradável sobre a profissão, ele me disse: "Já vi muito fotógrafo bom passando trabalho... e já vi muito fotógrafo moderado ou ruim ter trabalho bom sem esforço! Fotografia é um negócio! Ser bom fotógrafo não é garantia de sucesso!"
Diante de questões como estas, penso que fotógrafo bem sucedido é aquele que consegue atingir uma média alta em seus adjetivos. Não é fácil ser bom ou quase bom em tudo... existe sempre um lado que peca. Pode ser o trato, resposta frente a problemas, detalhismo, etc. Pra ser bom freela tem que ser bom em tudo, de outra forma apenas de mantem, apenas evita-se a fome. Pra ganhar mercado é preciso ser "grande" nas intenções e observações. Eu conheço poucos assim... e naquela conversa que citei antes, ouvi também: "Apenas uns 3% dos profissionais conseguem algo diferente... o restante é comum!". E foi ali que tive mais medo neste mundo... onde eu me encaixaria? E aos poucos a gente vai conquista confiança e aprendizado, da dita experiência vem um degrau por vez que alimenta o investimento em si mesmo. Então vc começa olhando para trás e enxerga a si mesmo como um andarilho que tem histórias para contar. E nestas histórias vc percebe que consegue se manter com toda dificuldade do autônomo e que só há duas possibilidades ou o próprio cruzamento das duas para garantir sua existência no mercado... sorte e/ou competência! Entre funcionário e freela... funcionário nunca fui neste ofício, mas gostaria de experimentar, inclusive para alimentar meu livro. Contudo, sei o que sou... sou freelancer. E como a própria palavra diz... sou livre!