Reflexões sobre gasolina e etanol no mille fire flex

Abastecimento, em Porto Alegre, RS, 2015. Foto: Roberto Furtado / Raw Image

               Compartilhado uma pequena experiência sobre combustível para automóveis... Na questão de comparação entre álcool e gasolina, fiz alguns comparativos. Poucos sabem que fiz curso de reparação automotiva anos atrás, teoricamente sou técnico em motores de combustão interna, mas nunca exerci. Fiz também faculdade de engenharia mecânica, fui inclusive monitor da disciplina de motores, mas não me formei. Abandonei o curso pela metade... e não me arrependo, pois aproveitei tudo que aprendi na minha vida pessoal e até mesmo na fotografia. 

Considerações sobre os automóveis e referências
         Baseado em experiências em dois automóveis, ambos Mille Fire Flex, da Fiat, ambos comprados zero km. O primeiro, veio com álcool no tanque quando retirado na revenda... o segundo com gasolina. O primeiro era 2008, foi vendido com 126.000km, e o segundo é 2013, esta comigo até então, agora com 36.000km. Utilizo e utilizei os dois automóveis com finalidade dupla... lazer e trabalho, 95% para trabalho. O primeiro tentei abastecer com gasolina algumas vezes... praticamente a cada abastecida com gasolina, pelo menos duas ou três vezes durante o consumo de um tanque cheio, acendia a luz de avaria ou pane na injeção eletrônica. Algumas vezes procurei a fiat, rede autorizada, para resolver. Nunca foi resolvido, em todas as vezes o mecânico informou alteração no combustível. Se foi ou não, desconheço, mas ao substituir o combustível por etanol, resolvi. O automóvel 2008 funcionava espetacularmente bem com etanol, meia boa com gasolina, mas era relativamente econômico com ambos combustíveis. Zelando pela economia, fazia 11 km/l com etanol, 13km/l com gasolina. Na estrada chegava a fazer 13 km/l com etanol e 18 km/l na gasolina. A 60 km/h na estrada vazia, fiz teste por duas oportunidades, chegando a percorrer 19,9 km/l. 
O segundo e atual automóvel, que veio com gasolina da revenda, esta fazendo 10 km/l com etanol, sem cuidado... cuidando, acredito que encoste em 12km/l, parecido com o primeiro flex que tive. Este segundo carro carrega uma diferença de rodas maiores e suspensão elevada, pois é um mille way, que originalmente tem 5 cm mais que o tradicional na altura. Com a alteração de rodados, obtive mais 3,5 cm, o que resulta na diferença de 8,5 cm em relação ao modelo tradicional. Isto fiz pq percorro muitas estradas de chão batido e, em muitos casos é a diferença entre ficar atolado ou não. O consumo certamente foi prejudicado pela altura, pois o arrasto do ar fica bem maior, contudo, andando pela cidade, devagar, se percebe que a economia é praticamente a mesma. 

Reflexões sobre o etanol
              Estou abastecendo o mille way apenas com etanol, no auge do frio gaúcho. Pela manhã fria, ele pega primeira, bastando virar a chave e aguardar a estabilização do sistema (vc escuta a bomba pressurizando o sistema, até que pára! Isto leva apenas 2 segundos!). A gasolina em Porto Alegre esta custando 3,29 reais, contra 2,29 reais do etanol. Com a diferença de 1 real, me parece vantajoso ou quase trocar um combustível pelo outro. Ambos possuem desvantagens e vantagens, ambos são prejudiciais ao meio ambiente, mas o etanol é renovável e um pouco menos nocivo ao meio. O comportamento do carro muda... achei que ele fica um pouco mais barulhento com etanol, mas sei que sou detalhista, e a maioria das pessoas não deve perceber. O automóvel com etanol consome mais, tem menor autonomia, requer atenção sobre o quanto pode se rodar no total. Quem vai fazer viagens longas, deve optar por gasolina, pois autonomia maior, significa em alguns casos, não precisar abastecer em cidades cujo combustível tem valor mais elevado. No meu caso, que elegi apenas dois postos de combustível para abastecer, isto é uma boa opção, pois não corro riscos com combustíveis adulterados, ou sei que se foi adulterado, poderei cobrar da revenda. Gosto muito de rodar com etanol, pela rápida resposta em ultrapassagens necessárias na estrada, também pela questão ambiental, e por não precisar de mais de 100 reais para encher um tanque de combustível. Por um quarto motivo, onde muitas pessoas se enganam, preferiria ter abastecido com etanol desde de o início neste segundo automóvel, mas agora já não faz tanta diferença como no início. A resultante da queima de gasolina, libera água (proveniente do etanol misturado ao combustível fóssil, de 27% na atual situação no Brasil), e a gasolina libera enxofre (bem como outros materiais corrosivos). A combinação de água com enxofre e outros elementos da gasolina, resultam em vários tipos de ácidos. Estes ácidos, inclusive sulfúrico, são extremamente corrosivos ao escapamento do automóvel. Vc vai ver automóveis com 5 anos e escapamento em boas condições, mas não vai ver em igual condição um automóvel que desde o início usou apenas gasolina. Os papéis se inverteram... onde há água na gasolina, o resultado é pior do que ter apenas água do etanol. Mesmo que as paredes dos escapamentos tenham se reduzido em espessura, os tratamentos contra corrosão melhoraram, mas aí entre ser eterno e apenas durar mais um pouco, a diferença esta no combustível que consome o aço dos escapamentos. Se há diferenças, entre vantagens e desvantagens, muitas em função da economia do Brasil, devemos estar atentos a estas diferenças. O melhor combustível? Bom, depende de qual carro estaremos falando... o proprietário é quem vai saber com qual opção o automóvel funciona melhor. Use, experimente, compare! E não esqueça... Gasolina no Brasil é quase 30% etanol!