Andarilhos... a casa é a estrada!

Rota do Sol, RS, 2015. Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo

Vale do Vinhedo, RS, 2015. Foto: Roberto Furtado / Ekonova
É muito difícil explicar o que sente um ciclista de estrada. É o tipo de sensação que apenas o exercício pode descrever. E acho que uma boa foto quase pode sugerir, mas para isto é preciso estar no lugar certo. Devagar se vai longe, devagar se percebe mais coisas sobre o mundo, sobre as paisagens, sobre os aromas do campo que costeia uma estrada. O verde do campo, dos bosques, dos arbustos, das plantações, das videiras, assim como o céu desenhado por nuvens, o plenamente azul... ao oposto de todo, sol sempre é azul forte. Entre o céu e o chão, de asfalto o de terra seca e batida, o som dos pneus não pode ser registrado por fotografias, mas pode ser sugerido por aqueles que possuem experiências, compreendido por aqueles que tocaram a terra com as mãos. Mão direita no botão de disparo, mão esquerda na objetiva, enquadra, clica... eterniza poesia em cores. Andarilhos são poesia de estrada... ciclistas são coerentes andarilhos com pouco tempo para viver tudo que há, com sede de viver com o vento no rosto. E acima de tudo... não querem esquecer nenhum minuto para o tempo passado. Devagar se vence muito quilômetros... de longe se vê os olhos de um andarilho. Ele tem fome de distância, atenção em valores diferentes da Terra e, depois de muito tempo, muita história pra contar. Histórias que ninguém tira de ninguém... enquanto alguns perdem tempo, outros caminham, pedalam, fotografam!