Longa estrada... 40 anos de caminhada!



A vida... das coisas mais estranhas que fiz até hoje foi viver! Muito bom... a vida é sensacional! É um incrível jogo de verdade, onde vc será exatamente aquilo que quiser. A construção do seu existir é baseada no suor, nos seus amigos, nas pegadas que vc deixa para trás. Se me baseio de uma boa vida... de hoje olhando para a infância, fiz muitos acertos. Alguns errinhos, mas quem não os fez? Bateu o carro... bati! Ninguém se machucou? Não... deu sorte, agora cuida! Estou muito pensativo nesta prévia de completar 40 anos. Aliás, achava que alguém com 40 era velho... hoje acho que quarenta é um guri mais experiente. Deixei e fui deixado para trás... normal, é da vida! Entreguei todos os trabalhos que fiz... menos um, pq um colega deixou o hd cair no chão. O cliente é meu amigo... nem deu bola, também não cobrei, evidentemente. Estou na estrada sozinho... achei que iria ter familia própria, mas não! Não esta sendo tão ruim, descobri que a casa dos meus pais é o ninho mais seguro do mundo.
Fiz escolhas que poderiam ter tornado a vida mais difícil... mas fiz escolhas que não facilitaram em nada algumas aventuras. Peguei as piores estradas que alguém escolheria, sem ter um tracionado! Por outro lado, as dificuldades da estrada me fizeram um bom piloto de uno. Escolhi pescar peixes difíceis... pesquei menos que muitos, mas pesquei com um sabor muito maior. Eu pedalei por 18 horas, praticamente sem interrupção, foram 300 km... disse ao um colega que estava bem e que faria mais 100 km se fosse preciso. Neste dia me senti um super herói... achei que nunca ia ser um bom fotógrafo, mas hoje sou considerado. Um dia um amigo me disse que eu deveria dar importância ao modo como eu escrevia, pq ele via um cronista melhor do que um fotógrafo. Um dia eu disse que não queria aprender inglês, hoje sinto uma falta dele... e só o que penso é passar uns 4 meses no exterior. Eu disse um dia que minha casa ia ser uma barraca, e nela morei por uns 3 dias, mas me senti livre como se fosse a vida inteira. Eu queria ter virado fotojornalista antes... muito antes, pq isto era a minha felicidade, e o trabalho que eu tinha antes disto jamais me fez feliz.
Descobri que minha vitalidade motora chegou ao seu ápice, mas acabei percebendo que minha mente supera qualquer dificuldade física. Eu dobro a dor, eu encurto caminhos, eu engano a mentira e levanto a verdade. Eu sou de verdade... não sou fake. Amo minha família, meus amigos, separei alguns muitos em uma caixa para onde irei muitas vezes, outras, certamente, jamais voltarei. A gente aprende a escolher... estou numa paz de espírito que nunca tive... uma razão de valorizar gente por seus feitos, por seus carinhos e olhares, por suas palavras verdadeiras, por seus gestos incorretos e honestos. Meu nome verdadeiro esta escrito no topo deste perfil, sou chamado de Beto, Betão, Andarilho. Quando moleque meu apelido no colégio era Índio, no outro virou Haole. Estou escrevendo um livro há 8 anos, clicando outro por 6 anos. Escrevi, talvez, milhares de crônicas, algumas boas, a maioria bem fraquinha, mas no volume aprendi que algumas coisas são especiais. Eu tenho um amigo que diz me conhecer de outra vida... tenho outro que não lembra de mim pq tinha 4 anos, assim como eu. Tenho outro que fiz pedalando, tem idade para ser meu pai, sempre me liga. Tenho dois tios que não são de sangue, mas me chamam de sobrinho...
Já me machuquei feio algumas vezes... caí da árvore, desmaiei, outra, de bicicleta, mas não desmaiei. Eu tinha enxaqueca... uma vez pensei que ia morrer de tanta dor na cabeça, vomitei! Sobrevivi... a gente sobrevive. Eu tenho um monte de fotógrafos amigos... sou um sortudo. Um deles me disse que a gente pensa que vai morrer quando esta com dor, mas a gente não morre. A única vez que pensei que ia morrer e não tive dor, tive medo... as coisas no mar precisam estar sob controle, uma vez saíram completamente. Fora de controle e com a energia esgotada... tinha tudo pra morrer, mas estava sem força, não sem cérebro. Foi aquela vez que dobrei a morte... a gente pensa que vai morrer, mas não morre. Isto é uma coisa que a gente aprender quando tem 40 anos. Eu só penso na vida... coisa mais boa que já me deram! Vou aproveitar ao máximo...