Nós... tudo muda!

Meninos voadores em Sapiranga...
         Tenho rodado muito... é a vida que sempre quis. Velocidade de lá pra cá... hoje aqui, amanhã ali, depois nem sei onde vou. Rotina é boa para alguns, muito complicado para outros. "Cada vida tem a sua estrada...", mas nem por isto os caminhos divergem ou de outra forma se afastam. Nós mudamos... muitos anos e nós não somos mais os mesmos, e creio que isto seja bom, pq ser a mesma coisa para o resto da vida não parece ser saudável. Como pode algo estático evoluir?
Bom, eu não sei nada da vida... discuto muito com amigos e família. Sei que a maior certeza é aquela dúvida que sempre vai e volta, e que de uma forma muito especial me traz mais uma peça para construção pessoal. Ficamos chatos aos olhos do outro... fiquei! Ficaste! Os trabalhos e as amizades mudaram... outras ficaram, algumas muito boas se perderam, outras melhores ainda estão próximas na distância. 
Depois de muito pensar... percebi que o sentimento é que não mudou. O sentimento se manteve firme... mas a felicidade foi embora com a chegada da rotina velha. Jota Quest fez coisas por nós... assim como Legião Urbana, mensagens! Tudo muda... algumas coisas não, mas quase tudo sim. Me peguei colocando coisas numa balança, quando vc veio e bateu em um dos lados. Claro que tudo desequilibrou... Eduardo e Mônica! Descobrimos a amizade em meio a brigas e "desalinhamentos", algo incomum nas relações, pois soubemos ouvir e falar. Agora, decidimos ir para lados opostos, esconder fotografias, separamos os amigos ao lado de que vieram antes dos caminhos serem cruzados. Objetos foram rejeitados, objetos foram agarrados de forma pacífica... "é meu? É seu! Pode ficar! Guarda pra ti! Dá pra alguém..."

Tchau... estou indo!
         
         Das coisas mais estranhas e difíceis que fiz na vida... foi dar tchau como se jamais houvesse passado. Foi ser tratado como se qualquer outro fosse mais amigo... 
Fiquei com o coração apertado de um jeito que jamais antes, abri a mão e deixei escapar o fio que segura o balão, tentei pegar de novo, não deu... aí olhei ele indo embora e pensei que era o certo! Uma vez pesquei um peixe e tive dúvidas se levava para casa ou se soltava... de tão bonito que achei. Então me apaixonei por ele... e percebi, que já que amar era permitir, deveria deixar ir para onde quisesse, e seguir meus passos para viver novas oportunidades do refletir. Tudo muito simples quando concluído... na prática parece mais difícil do que podia imaginar, diferente de tudo que já fiz. A diferença entre a vida e um eletrodoméstico é que este último se não for dominado vc joga no lixo sem nenhum pesar. Já a vida, com suas complexas e duplas linhas entrelaçadas, assemelhadas a um DNA, não podem sequer serem observadas e concluídas. Quando uma fração é compreendida... outra parte já se perdeu de vista. Assim, amores terminam mesmo quando há amor... complicado o lado mais possessivo do homem. Propriedade sobre pessoas... sabedoria é este sentimento aliado ao desprendimento. De outra forma... "Oi, vou bater a porta... toma a chave! Ligo pra vc na próxima semana pra resolvermos algumas coisas... cuide-se, mas não me ligue mais no fim do dia, precisamos nos acostumar. 
Agora que estou longe... e posso ir, tenho dúvidas se quero ir embora. Acho que vou... ainda não, mas o Brasil não é pra mim. Na hora certa... Acho que vou fechar meu coração, vou viver de paixão profissional, ser amador em amor, escolher só uma paixão! Dizem que uso muito reticências... sim! Elas falam da mesma maneira que o horizonte, como as junções das estradas e caminhos, elas deixam em aberto um novo mundo de incertezas. E diga-se de passagem, sentimentos são doídos e bons, de outra forma as pessoas já teriam desistido deles. Me casei com minha namorada... jamais repetirei este projeto. Namorada é relação muito especial para enjaular... deixa ela ir, pq então "ela vai voltar..."
Estou na estrada... do mesmo jeito. Escuto o assobio dos racks do carro com o vento, pneus que atritam com o asfalto, ponteiro que desce devagar com o volume de gasolina que queima. Fui pra praia... vi o mar com outros olhos. Fui no morro e havia homens voando como se usassem um tipo de bicicleta que os permite flutuar. os pneus giram sempre pra frente, mas me levam para lá e para cá. Vou e volto, sigo meus instintos e realizo minhas tarefas... mente ocupada é alívio. Nunca peguei tão firme no grip da câmera... nem por isto as fotos ficaram melhores, mas mais produtivas. Um temperinho sempre falta quando a gente esta aflito, aos poucos se supera... tanto a falta, quanto as dúvidas e receios, também outras perdas. Ganho experiência... não parece servir de nada agora, mas serve para a vida. Vou saber em alguns meses... assim espero. Não ia falar pra ninguém... mas só tinha vc pra conversar, então, amigo blog, guarda segredo. Não estou afim de comentários e nem de pitacos... foi só um desabafo, talvez passe por mais um devaneio.