Minha salvação, minha fotografia...

Uma água, duas cores, contrastes por um fotojornalista. Porto Alegre, 2008.
              A gente vai envelhecendo e percebe que a vida é feita de ciclos... as pessoas dizem isto para a gente, mas muitas vezes achamos que elas são malucas ou que estão apegadas em circunstâncias relacionadas a fragilidade de um momento. Deve haver uma explicação... sou um idealista, meio cético, meio crente na ignorância humana... há tanto para saber, que o simples fato de ignorarmos nos coloca sobre uma infinita possibilidade de explicações para "situações inexplicáveis". Eu temi muitas coisas na vida... eu temi a morte. Eu comecei não temendo, pois nela nunca acreditei até os 20 anos, imaturidade! Caminhei muito até chegar aqui... mas os últimos 20 anos, com certeza, foram os mais extraordinários de minha vida no aspecto cíclico e experimental. Eu fui meu próprio laboratório... em meu corpo senti dores, insucessos, medos, felicidades, triunfos, superações! Em 2007 estava a caminha de me perder mais uma vez... eu vaguei muito até encontrar um poço no deserto. Durante anos trabalhei em um trabalho que criei... até que o trabalho deixou de fazer sentido para mim, e ficou sendo apenas um ganha pão. Foi neste ano que a fotografia me salvou pela primeira vez... não esqueço! Entrei num exercício de minha própria existência, alimentada pela fotografia. Aos poucos, sei que fiz fotos sensacionais, como esta da postagem. Eu vi duas cores em uma mesma água, uma refletindo o céu, outra com a claridade do sol rebatida no casco, denunciando a verdadeira cor do Guaíba. Foi em 2011 que me qui resgatado pela fotografia pela segunda oportunidade... Me machuquei muito feio, tenho sequelas no braço direito até hoje. Sinais que meu organismo assimilou e encontrou um conforto para mim, mesmo que eu nunca mais tenha tido a mesma força e resistência no braço. A minha recuperação se deu com apoio médico e fisioterapêutico... reforçado pela minha máquina fotográfica, erguida por milhares de meses até hoje, após o acidente. A fotografia, o ofício, me curou... curou minha mente com confiança, curou meu braço com o exercício diário de erguer a máquina. Governo me ajudou... me ofertando perícia médica para 90 dias depois do acidente. Evidente que não esperei, fui pra vida. Depois disto, este ano em 2016 devo ter sofrido uma grande frustração... não foi culpa de ninguém. Me separei de uma relação com 18 anos... novamente, a fotografia pegou na minha mão e disse: "trabalhe!" 
Um amigo, foi meu mestre, portanto colega, me disse: "Roberto, a gente pensa que tudo de ruim vai acontecer com a gente, mas isto não acontece! A gente supera, a gente não morre!" 
No apoio dos amigos, mesmo silenciados por uma falta do que dizer... vi sorrisos, interpretei por onde andar. A fotografia me disse para qual direção seguir. A fotografia foi minha salvação!