Uma postagem sem título...

Morador de rua é entrevistado na ação solidária dos bikers. 1/125 F4 ISO 10.000, sem flash, luz ambiente. Imagem capturada ás 22:38 hs em Porto Alegre, por fotojornalista Roberto Furtado.
          Uma imagem é história... cá estamos, em frente a tantas questões da situação brasileira. Poderia começar falando de política, mas prefiro não me posicionar sobre ela neste post. Um velho morador de rua... entre dezenas que vivem no viaduto das avenidas Borges de Medeiros com Duque de Caxias. Um símbolo para Porto Alegre tomado de tristeza nestas noites frias. Há rostos ali que poderiam descrever muitos caminhos da infelicidade... ao menos no meu ponto de vista, se não fosse a alegria estampada nos rostos de alguns. Se vê de tudo nestas ações solidárias, tal como a raiva, alegria, simpatia ou indiferença... depende das relações, das combinações, forma em que vc se aproxima. Não é tão simples julgar o motivo e comportamento... "Tem uma menina linda lá embaixo... como pode?" Frase de um ciclista que me chamou a atenção. Um rosto de boneca, tinha mesmo. Poderia ser uma menina qualquer, de um lar quente, cuidado, universitária, aparentava uns 20 anos. Sentada num colchão velho, junto com outros três, conversavam. Ela não estava mal vestida... Eles se incomodavam com a presença de jornalistas e de pessoas da ação. Se via algo estranho ali... Em outro caso, mesma coisa, fui clicar, um deles escondeu o rosto no capuz, mudou de direção. A gente respeita estes casos... tem que respeitar! Se vejo que faz isto, apago a imagem, mantenho somente aquelas que não podem ser identificados os rostos. Pode ser qualquer situação... medo, vergonha, situações familiares ou da justiça, obviamente, todas mal resolvidas. Fome? Sim, muitos estão... frio, com certeza! Mudar, nem todos querem, nem todos podem, a maioria não saberia! Este seria um papel trabalhoso para a sociedade, através das instituições governamentais e não governamentais. Muitos tentam... agora sei, existe isto! Há pessoas engajadas com a proposta de ajudar... mas pense, como uma pessoa ajuda outras 100? Estranho pensar que na atualidade, vivem muitas pessoas com conforto, com uma vida digna, mas apenas uma fração irrisória se posiciona para uma ajuda. Entendo... eu também sou assim! É fácil esquecer, é fácil não pensar, é mais prudente cuidar da própria vida... até pq a corda é bamba, e quem pode acabar ali somos nós mesmos! Há tempos penso em como fazer algo... pra mim é mais viável fazendo com que mais pessoas pensem. Então vou lá, fotografo e escrevo. Sozinho não iria para ali, de câmera em punho, mas em grupo me sinto forte e confiante. Vou lá, observo, faço alguns cliques, ambiciono pensamentos que poderiam recuperar algumas situações. Será que a gente consegue achar uma solução? Vi o crack por ali, vi fome, vi sede, vi falta de banho, vi problemas familiares, vi descaso da sociedade... tem muita coisa pra ver ali. Apontar um solução pode ser um começo... talvez por um, talvez mantendo-os vivos e saudáveis para que eles consigam por si próprios encontrar um caminho. Talvez... e eu não planejei a direção deste post. E agora que terminei e, assim decidi para não ser muito extenso, pensei no título. É falta de criatividade não saber como chamar ou é prudência para permitir a própria sugestão do leitor? Depois de tanto tempo tive estas dúvidas estranhas, da imaturidade aparente. Resolvi deixar o título sem sugestão...