Fundamento original...


Endre Ernő Friedmann, conhecido como Robert Capa, desembarca na Normandia em 1944. Ele clica e a imagem é reproduzida e adulterada, no alto, foto teoricamente original. Repare em linhas, de horizonte, de contorno de céu, de recuperações de luzes. Há muito de alteração que certamente fizeram parte de um etapa moderna do tratamento de imagem. 
         Jamais me atreveria a criticar um ícone fotográfico do fotojornalismo de guerra... em primeiro momento seria preciso se colocar no passado. Um passado com recursos mínimos para executar um papel que é totalmente dependente de tecnologia. É injusto pensar que o limite de um ofício esta justamente na tecnologia que hoje nos permite não apenas deitar e rolar em fotografia, mas também transmitir com a velocidade que um projétil não alcança. Se vc discorda disto é pq entende muito de física, mas também vai concordar que o projétil não tem o alcance da fotografia. Então entramos numa discussão elementar entre as razões que certamente, se tão simples fossem, jamais teríamos a existência ou justificativa para um conflito. 
O motivo do meu post é uma observação sobre as imagens, sobre os ofícios de profissionais, considerando a evolução das atividades. Nos tempos em que a fotografia era praticamente física mecânica/química, não se possuía os recursos de transmissão e nem correções de fácil manipulação. Horizontes eram corrigidos através de corte físico com réguas e lâminas de aço, hoje, um botão ou o mouse faz isto. Com este entendimento nós percebemos que o ofício do fotojornalista se evidencia por um ato corajoso, heróico! A vida de Endre foi justamente isto... cliques simples, sem cerimônia, até que se foi para virar página fotográfica. Quem faz certos feitos jamais morre, deixa de presenciar, mas existe sempre. É uma pena que as escolas de fotografia e fotojornalismo não compreendam isto como eu entendo. Fotografias antigas não devem ser manipuladas, fotografias não devem ser manipuladas se não forem por seus autores. Editor não é autor... só autor pode definir o uso de uma obra fotojornalística. E no meu entendimento, editor que pensa diferente pensa que jornalista, mas passou por cima de regras bem básicas do jornalismo. É a crime jornalístico, pq a verdade foi manipulada e sabe lá o novo entendimento que isto poderia trazer. Se uma linha do horizonte parece erro ou distração de um autor, poderia também significar passar um sentimento de guerra, de desorientação. Coisas que o estudo pode provar... e que tornam as redações preocupantes! Quem gosta de mudar uma fotografia é publicitário, não fotojornalista, funções importantes da mesma maneira, propósitos completamente diferentes.