Velhos All Star e calças jeans...

         
             Mar de calmaria em Porto Alegre, abre a janela e sente o calor... foi assim o domingo, 31 de julho. Meu escritório é um lugar tranquilo, agora, e na calmaria é que encontro os melhores momentos para contagem das histórias. Muitas foram as transformações no meu ano... assim como todos os anos anteriores que desenharam mudanças. Ouvi muitas respostas negativas sobre meus pedidos... quer fossem de natureza garantida, mera suposição ou pura loteira. Muitos foram os pedidos atendidos, outros foram negados... mas aos 40 anos, exercendo a atividade que estou, seria de estranhar se tudo fosse sempre vento em popa. Já fiz uma porção de coisas... outro dia falei nisto. Me faltou quase um universo para experimentar, porque posso dizer que das minhas certezas sei muito, e uma delas é de que tenho dúvida de tudo. Não confio em respostas prontas, não me animo a confiar nas estradas anteriores percorridas por outros. Seria um tipo tolo de jornalista se não confiasse em meus instintos, degraus de uma escada com 40 anos! Não sou mais um menino... embora veja que muitos são os que erram e persistem nos erros, sem dar nenhuma importância as experiências. Mudou... muda sempre, mudará no futuro e quando não mais mudar assistirei as mudanças das pessoas. É inevitável...
No domingo, eu calcei meus velhos All Star pretos, surrados... uma de minhas calças jeans velhas, com pingos de tintas, oriundos dos trabalhos de produção no estúdio, coloquei a câmera no pescoço e subi na bicicleta. Sai pelas ruas de Porto Alegre, arremessando perguntas ao vento e tentando colocar frases em ordem, para que talvez se montasse um texto auto explicativo da vida. Eu não tenho mais medo da vida... Eu tinha, mas agora não tenho mais. E tenho medo é de não estar mais aproveitando o que der entre um trabalho e outro... se agora estou sozinho, tudo bem. Importante é que eu sinta o vento, escute os cliques e a pressão do meu dedo sobre o disparador da câmera. Eu tenho medo é de que tudo mude novamente sem que me seja questionado... motivo, esperança e momento. Penso muito... penso nas negativas que ouvi, mas penso muito nas positivas que me fizeram ganhar algum dia. Sou agora, uma realidade de vivências que experimentei. Eu gostaria de não pensar tanto, gostaria de ouvir apenas "sim", mas o "não" me constrói e é dele que faço os degraus para continuar subindo. Se meus tênis estão velhos, minhas calças também... penso que estou também! Não somos piores ou melhores que ninguém, e a confiança que tenho é feita de incertezas e possibilidades. Era pra ser, não era, amanhã talvez, outro dia, novo caminho... mas amanhã é certo que vou colocar novamente, meus tênis all star velhos, ao estilo Nando Reis, uma velha calça com respingos de tinta, pois é ela e não uma nova que me traz confiança para o cruzar o dia seguinte. A calça respingada e os tênis velhos não me deixam esquecer o que eu fiz ontem e antes disto... Até, fico no Diário do Andarilho, um diário de bordo deste frame fotojornalista. Nos vemos nas ruas...