Tive que aprender... a gente aprende!


        A diferença entre os profissionais não é apenas uma questão de talento... todo exercício se transforma em um adicional na bagagem do autor. Estar apto... aptidão! Talvez algumas pessoas entendam isto de uma forma diferente, devido a estes conceitos que criamos sobre como fazer, quem nos ensinou, quais influências tivemos e não podemos esquecer o tal talento. Acho prudente falar que empunhar uma máquina fotográfica não é um ato natural da evolução... acho pouco provável que alguém tenha nascido com vocação para ser operador de uma câmera, seja fotográfica ou filmadora. Contudo, há uma habilidade na linguagem que se traduz em fotográfica ou cinematográfica e que acaba sendo justamente este o tal talento que precisamos para empunhar a máquina e executar a tarefa de registrar. O enquadramento é um conceito que se gera dentro da cabeça do autor... ele sabe exatamente onde começa e termina o quadro, para qual lado ou com que velocidade deve buscar o alvo. Se é zoom in ou zoom out, todas estas linguagens são conceitos que se relacionam entre autor e observador... e no fim, o autor se molda ao objetivo, pq para observador, por uma razão muito simples de sensibilidade, deve estar tudo muito claro no decorrer de uma história contada. Quando eu era criança, comecei um exercício por conta... eu tinha desde de cedo, uma forte relação com a natureza. Era curiosidade tamanha que superava todo esforço que havia para achar os animais... eu caminhava quilômetros sozinho, com sol forte na cabeça, com único objetivo de encontrar um acontecimento. Não tinha a menor ideia de que aquilo seria, anos mais tarde, um esboço da minha personalidade profissional que pulsava de dentro pra fora. Hoje, com uma certa e tardia maturidade, percebo que formei em mim adjetivos para ser um documentarista. Esta estranha relação de fotografia, quer seja única, ou de sequência de fatos que nos direcionam ao entendimento do filme (video), descrevem esta linguagem que une a mente do observador ao autor. A construção desta mensagem ilustrativa, que pode ser inclusive sem sonoridade, transporta o observador a uma realidade que ele não conhecia, variando de acordo com o autor também, a flexibilidade de interpretações ofertadas a este observador. Esta linguagem é uma obra do intelecto mais habilidoso... é como uma mágica! A condução de uma história para garantir entendimento de algo... exista ou não subjetividade, este é o talento aprendido. O autor não sabe muitas vezes o que fazer com estas percepções, mas quando ele passa a compreender a importância e o mapeamento deste talento, inclui-se como uma ferramenta social indispensável. Tenho feito muitas observações com estas vivências do fotojornalismo, atividade pela qual me apaixonei e que me serve como exercício para outras experiências da linguagem ilustrada. Nós somos os desenhistas das histórias, sejam quais forem as atividades específicas da fotografia, estamos construindo reflexões para os observadores. A gente aprende... e a gente aprende a responsabilidade disto.