Toda paz...

Trevos, inúteis aos olhos alheios, belos para mim, especialmente após chuva de primavera. 
            O grande barato em que mergulhei desde que me tornei um profissional da fotografia foi fazer associação entre as imagens que produzi com minhas reflexões. Penso que algumas pessoas achem isto uma perda de tempo, talvez até chato. Porém, incrivelmente foi esta a minha forma de refletir e evoluir, e desta "técnica" veio uma série de conclusões que eu entendi como maturidade. Na continuidade pelo encontro do meu ser, de uma ambicionada e irreal plenitude, busco sempre pensar nas questões em que me deparo. Durante muito tempo procurei por um sentimento de paz interior, contudo é notável que isto jamais tenha sido encontrado antes. Incrivelmente, depois de conversar com muitos amigos, e daí vem aquela velha história de estar aberto para escutar, parece que encontrei uma receita interessante. É fato que se tratando de vida e personalidades, nenhuma receita de bolo agradará ou surtirá efeito para todos, mas é uma observação que possivelmente servirá para muitos. 
Minhas muitas noites mal dormidas, desde de sempre e, não relacionadas a nenhum momento específico da minha vida, atribuí as "culpas" que achei que tinha. De certa forma, parte da minha criação, não promovida pelos meus pais, mas creio que pelos avós, se desenhou onde tudo era feio ou errado. Assim, e estranha forma, e certamente a psicologia explica, me desenvolvi um vivente afogado em culpas por coisas tolas que vivi. E olha e que fui considerado um bonzinho por muitos professores. Me lembro bem de ouvir de uma professora de ciências, "mas Roberto, tu é um aluno bom, um pouco preguiçoso! Não vá embora desta escola!"
De certa forma surpreendi ela quando disse que me achava perseguido por alguns professores pq possivelmente me achavam levado... Isto, diz respeito, também, a como vc se vê! Vc entende isto? Voltemos ao foco... A questão é que por trás de quase tudo há um medo, um trauma, talvez uma energia que circule por entre nossos pensamentos, tornado-nos adolescentes com problemas e muitas vezes adultos com problemas. E digo isto sem medo, especialmente hoje, pq sinto que superei ou encontrei meu caminho de paz para estes pensamentos não verdadeiros sobre mim. A verdade é que não tenho nada contra mim mesmo, nem com justiça, nem com pessoas, tentei e tento resolver tudo, até pra não viver esta estranha culpa. E na verdade este foi um estranho exercício que vivi até aqui, onde retirei os pesos dos meus ombros e deixei ao lado da lixeira para a coleta seletiva, pois aquilo era um tanto quanto sintético para absorver. De algumas semanas para cá, entrei num redemoinho de poeira, literalmente... e com estas associações sobre a vida percebi que era ciclos intermináveis de questionamentos se a gente não mudasse alguma das prerrogativas. Foi vendo aquele pé de vento, que no dia me deixou fascinado, como sempre, que comecei uma trajetória de mudanças. Um coletivo de novos parâmetros me mostraram que o redemoinho de vento muda de direção de acordo com interferências externas. Sem qualquer culpa, compreendi que nem tudo esta sob nosso controle, nem nos cabe a melhor decisão sobre tais circunstâncias. Eu me vi parado em frente ao cone de poeira, que dançava e se deslocava sem uma prévia direção. E como se a decisão fosse realmente uma incógnita e assim deve permanecer, pq há coisas que podem ser mudadas, outras não! Então, comecei a buscar as culpas que poderiam residir em mim e as trabalhei... quando ouvi meus amigos e as pessoas que amo, entendi se havia realmente alguma culpa ou se era fato meramente das relações humanas e sujeitos a perspectivas de cada um. Busquei o perdão, por assim dizer, dentro de mim mesmo... e tenho, com isto, me tornado cada vez mais calmo. Desenvolvi uma paciência interna e um amigo até me falou que nunca havia me visto tão tranquilo... eu disse: "Encontrei toda paz de que precisava!"