Como mudei a minha vida... (parte II)

Cânions em Cambará, RS. 
          Uma perspectiva diferente sobre as situações do cotidiano... acredito que mudanças se relacionam com estas perspectivas e novos entendimentos. Como enxergamos os fatos da rotina? Bom, na outra abordagem sobre isto, descrevi esta questão temporal dos fatos. Algo distante e algo ao alcance da mão... é comum a gente vislumbrar situações que estão distantes da gente. Podem se relacionar com presente e futuro, mas se encaixa em outras questões e agora explico. Se você estiver junto de uma árvore frutífera, vai querer pegar os frutos que estão ao alcance da mão ou os que estão nos galhos mais altos? Acho que alguns vão pegar os frutos ao alcance da mão, outros vão querer alcançar os frutos que estão além da extensão dos braços. Vc pode perceber que isto é uma realidade quando a gente esta em um grupo de pessoas... amigos ou conhecidos em uma situação de coletivo, apresentarão, sempre, comportamentos distintos. Acredito que todos concordam que teremos sim estes dois pensamentos entre um grupo junto de uma frutífera, e estou sendo extremamente simplista e desconsiderando a infinidade de degraus que distancia estes perfis. Nós podemos colocar uma relação de equivalência das pessoas que vivem o presente sem pensar no futuro para aquelas mesmas que pegam os frutos que estão ao alcance da mão; Um segundo grupo vai desejar os frutos distantes, e serão as pessoas que tentam coisas mais inatingíveis no momento presente, mas que em alguns casos conseguem objetivos diferentes. Não estamos aqui pra dizer que A ou B estão 100% corretas ou equivocadas, mas estes são caminhos motivados por escolhas, sejam de natureza própria ou de desenvolvimento em vida. Certamente, você vai se encaixar em uma das perspectivas, e em alguns casos pode ser até nas duas, dependendo da tua evolução e forma de encarar o mundo. Até um passado muito próximo, me encontrei na situação de buscar situações distantes ao meu alcance. E isto é um fator desconstrutor da confiança, pq no decorrer da estrada ocorre a mudança de direção devido a situações que não dependem de nós mesmos... e por isto, muitas vezes quem se projeta no futuro acaba se frustrando. É impossível alcançar frutos do alto quando eles estão fora de alcance e se vc não possuir o tempo necessário para construir esta escada. A vida é assim... vc precisa de tempo para certos projetos, mas nem sempre este tempo nos é dado, e pior, nem sempre as ferramentas estão todas disponíveis no momento em que precisamos. Não estou dizendo que não devemos criar perspectivas para o futuro, não estou garantindo que muitas vezes as coisas não saem como queremos, mas posso dar certeza sobre a imprecisão da sucessão destes objetivos. Não existe precisão no que diz respeito a vida, menos sobre situações de longo prazo. Esta é uma perspectiva que mudei em minha vida... diz respeito a imagem ao alto. Eu posso desejar ir até o outro lado do cânion e curtir a vista quando lá chegar, ou posso apreciar o que está ao meu alcance. Posso tocar este campo onde piso, apreciar a vista da onde estou; ou posso desafiar-me para fazer o mesmo quando chegar ao outro lado. Pq eu escolheria o caminho mais difícil... pq não escolher o agora no lugar do futuro? Quer dizer que não devo fazer planos? Não, não é isto que eu disse... eu disse que vc deve apreciar o presente, mesmo que ele seja parte de um futuro. Não devemos ter perspectivas de felicidade apenas em um futuro... não devemos pensar em nada como futuro. Podemos sim ter um presente que seja construtor de um futuro, mas este, deve ter lógica existencial em um presente! Eu posso pegar os frutos próximos e ir construindo uma escada no tempo, aos poucos me transporto para um presente que antes era futuro, portanto, há uma forma especial de ver tudo. Sem frustrações, sem perspectivas vazias, dando valor ao que possuo no pertencente, sendo meu próprio e feliz presente. Das mais belas coisas da vida é a própria apreciação do mundo no tempo em que pertenço! Eu sou um andarilho, eu penso, eu existo, sou meu próprio caminho!