Fluxo

Pessoas... Madison Square Garden, NY, 2013. 
          O tempo passa... e a gente se pega olhando para os rostos do tempo! A trajetória, jornada por onde nos deslocamos na relação espaço e tempo, nos insere na vidas pessoas. A gente vai e passa por lugares, as vezes os mesmos lugares do retorno que nem imagina acontecer quando e como vai acontecer, e cada rosto é uma grafia de uma personalidade que conhecemos e deixamos para trás. Algumas vezes estes rostos são frequentes, outras jamais veremos novamente, algumas vezes forçamos o reencontro, outras não fazemos questão. Algumas pessoas são tão comuns para nós, no cotidiano, no reencontro escolhido, talvez promovido, muitas vezes até ao acaso. Algumas pessoas valem cada fração do tempo esgotado, insistimos, outras não sabemos... existência é algo tão pertinente nesta reflexão. O que é existir? O que difere existir de objetivos? O que permite tudo isto? Os rostos... uma grafia de personalidade, representação visual de ser vivo dotado de comportamentos e características. As vezes, rico, muitas vezes, pobre, pode ser semelhante a outros, pode ser incomum, talvez sadio, algumas vezes doentio! Os formatos, os conceitos, definições elaboradas por um conjunto de estudiosos que definem o perfis... como? Baseados em ciência, comprovação, aliás, ligação de responsabilidade com atribuição de quem somos e motivo pelo qual vamos. Alguns rostos mascaram dúvidas, outros evidenciam, certeza, parece ignorância, ignorância reconhecida, sabedoria! Quem define o que precisamos? De onde saiu tudo isto? Como criamos trocar ideias por créditos e que por sua vez se deslocam no tempo e espaço mais rápido do que podemos imaginar? Esqueceu como é comprar algo pela internet que ocupa um momento a milhares de quilômetros? Há perguntas infinitas, muitas, sem respostas! Conhecemos as coisas e não sabemos como elas foram criadas, menos ainda por quem? Que rosto fez isto? O fluxo de pessoas... vi, uma menina, gravei a imagem, passou por mim, não esqueci, me viu também, tive perguntas, passou e se foi. O fluxo... de onde surgem os rostos que por nós passarão? Vieram, foram, virão! Algumas vezes, toquei em suas mãos... pense no ato de cumprimentar, sem objetivar o toque, e novamente teremos perguntas pq fazemos isto. Sou a resultante trespassada de outras vidas que existiram... rosto do meu pai, rosto do meu avô, outros rostos antes! Circularam mesmos caminhos por alguns lugares que passei, caminhos imaginários, de terra, ar e água. Lugares inéditos aos meus genes, outros são velhos conhecidos... meus genes e genes de outras pessoas, se aproximaram-se sem combinar, sem nada gerar, sem obetivo? Coexistem paralelamente... todos eles são oportunidades relacionadas de tentativas sem sucesso de perpetuar existência de um eu, ou ele, nós! Algumas raras vezes, milagres, filhos, persistem um caminho, sem aparente motivo! Procuram lacunas para serem encaixados, tais de acaso ou destinação, dos indivíduos. Nos servem os rostos que passam uma vez ou duas, também de milhares de vezes... mesmo lugar e espaço, dois corpos jamais ocuparão, somente na cabeça dos imprecisos. Precisão... o que é exatidão? Não existe... de onde sai teoria de exatidão, haverá, apenas, singularidade. Me pergunto se tudo isto é uma tormenta? Ou se é apenas estrada para evoluir, ou melhor, quantos mais o fazem e se há motivo. Me parece fluxo... pessoas vertendo de lugares que não alcançamos, que trocam de lugares, como folhas verdes que se desprenderam de árvores e durante a trajetória secam... elas se deslocam com o vento, levam a matéria de cá para lá, sem aparente motivo, mas é uma das poucas formas dos nutrientes trocarem de lugar. No entanto, não pergunte novamente o motivo, não haverá fácil entendimento... a simplicidade e a ignorância, nos colocam em confortáveis situações. O simples fato de reconhecer o desconhecimento nos projeta ao lugar que não nos leva a nenhum lugar, exceto, ao repouso, tal e qual ao rosto da total ignorância. O caminho se difere em uma chegada para o mesmo espaço físico, mas a resultante é uma consciência viajada. O fluxo é inquestionável...