Tattoo, a derrubada de um muro!

Selfie com o amigo tatuador, Leo Lamb, da New Tattoo, São Leo. 

Tattoo 2 
       Vou começar dizendo que não tenho dúvida nenhuma de que algumas pessoas vão reprovar minha postagem. Não posso ser ingênuo ou hipócrita. E confesso que demorei muito para tomar a minha decisão, era o meu tempo. Cada um tem o seu processo e ritmo para trabalhar sua mente. Por muito tempo pensei nos mitos e esteriótipos que cercam esta estrada dos tatuados. E acho que isto se amplifica na medida em que as tatuagens tornam-se mais aparentes, maiores e impactantes. A simbologia choca... sempre! Primeiro, pq tudo que é diferente sobre uma crítica de quem não concorda ou não consegue se libertar de rótulos. Em segundo momento pesa a questão da opção ser irreversível... ou quase! Dentro do preconceito se criou um rótulo de "marginalidade" ou promiscuidade... ora, conheço meninas e rapazes que são tatuados e muito comportados, e na contramão também conheço o oposto destes comportamentos em pessoas que não possuem tatuagens. Desta forma, fica claro que o rótulo é inútil ou injusto, ou pior, uma mancha na cabeça do autor das acusações preconceituosas. Não estou aqui pra falar de preconceito, mas achei que era uma oportunidade de ajudar a derrubar este olhar conservador e incoerente. E aliás, o que cada um faz e como quer viver, diz respeito somente a esta pessoa... se ela não machuca ninguém, acho que isto não é problema do resto da sociedade. E a sociedade que encontre mais uma forma de resolver suas patologias...

Com amigo Leo  / Tattoo 1
Um momento... 

       É difícil de saber o motivo e os pensamentos das ações de cada um... então assim fica da mesma forma entender pq cada um resolve gravar na pele alguma ideia, O que penso é que muitas das tatuagens geralmente ficam em partes do corpo onde ninguém consegue visualizar... as minhas são facilmente escondidas quando uso camisetas de manga curta, portanto me parece evidente que foram feitas para mim e não para os outros olharem. Muitas pessoas afirmam isto... que a arte é realizada com o propósito de gravar um sentido para o próprio tatuado. E concordo... e vou usar meu exemplo para provar isto. Em 2011, tive uma queda feia de bicicleta durante uma prova. A consequência da queda foi uma luxação tipo 3 da clavícula. O trauma da queda foi irreparável... tanto psicológico como físico. Fiquei com o ombro caído, é visível quando estou sem camisa. Depois disto veio um processo lento de recuperação, com fisioterapias e trabalho. Trabalho? Sim... na época, fui recomendado a fazer repouso, mas a perícia do INSS demoraria tanto quanto a recuperação. Em resposta a isto... resolvi que trabalharia da maneira que era possível. E graça ao trabalho de fisioterapia e ao meu trabalho, me recuperei da melhor maneira possível e com uma certa agilidade. O peso do meu equipamento fotográfico e a repetição de elevar o mesmo na altura do olho para bater as imagens, acabou reforçando minha fisioterapia. Arrisco a dizer que hoje, meu ombro danificado é mais forte que o ombro bom... pq a musculatura acabou se desenvolvendo mais justamente pelo exercício repetitivo. Como fotojornalista e precisando levantar a câmera de 2,5 kg centenas de vezes por dia, gerei um ombro forte. Então, com esta história, percebi que a primeira vez que a fotografia me salvara a vida quando abandonei outra atividade profissional para me tornar um fotógrafo, depois foi também a fotografia que trabalhou minhas reflexões, e por último foi ela quem recuperou meu ombro. Nesta gratidão, entendi que a fotografia havia mudado minha vida. E foi ela que transformou minha "time line" de uma vida sem graça para uma vida especial... e foi assim que nasceu minha primeira tatuagem, modesta, que aparece logo acima. Esta tatuagem é pequena, simples, mas de um significado grandioso para mim. E então comecei a pensar nos motivos... nas coisas que queria e podia relacionar a minha felicidade. Um amigo, de infância, sabe da minha relação com a fotografia e admiração por super heróis... e me apelidou de Peter Parker, personagem fotojornalista que vive o Spiderman. E eu sempre dizia que por baixo da minha pele havia este sonhador, de viver um herói, Qual a criança não gostaria? Então imagine como ficam os adultos que não deixam de ser sonhadores. Foi assim que nasceu a ideia de tatuar a roupa de homem aranha por baixo da pele... como no outro ombro já havia a câmera fotográfica, resolvi "simular" o sinal de uma queda onde a pele foi arrancada e deixa aparente a roupa do herói. Cada um com seus significado... o que é especial para alguém pode parecer uma tolice para outros, mas cada conquista ou superação representa algo especial para este vivente. 

A relação com o tatuador...

          Tão inexplicável como a vida é a amizade... portanto não espere um motivo para alguém ter uma resposta pq ama um amigo. Vamos dizer que estas são as combinações e submissões que o universo oferece as pessoas para que elas coexistam e valorizem estas relações como elas puderem ou souberem. O fato de eu ser um fotojornalista do mercado da bicicleta, originado pela paixão da bicicleta e combinada ao fotografia, e o tatuador Leonardo Lamb ser ciclista, ofertou a ambos o convívio que resultou na amizade. Ele fez o convite para tatuar a primeira... eu demorei um pouco a organizar a ideia, mas aceitei. Depois veio a segunda arte, do spiderman, e tenho certeza que isto não vai parar por aí. Tanto na primeira oportunidade, como na segunda... o que se observa é um momento de altos papos durante o processo. Leo é bom de papo... um cara do bem, com sua história, que compartilha de momentos incríveis. É como ir numa barbearia ou em consultório médico dos velhos tempos... mais do que uma relação de cliente ou paciente com o profissional, se envolvem ambos, em um momento de conversa de aproximação. É a relação humana que precisa existir e nos tempos modernos esta desaparecendo, inclusive nos lares. 

Depois de muito caminhar com um pensamento, me deparei com uma série de novas condições para a minha vida. Meu casamento terminou (coisas da vida), meu exercício profissional amadureceu, minha mente se abriu para novas perspectivas (diga-se perspectivas muito saudáveis) e a tatuagem se tornou apenas mais uma experiência normal para mim. A tatuagem é um roto de passagem... ela marca o momento onde vc se desprende de uma vida e entra para outra, uma vida libertadora. Assim como descobri um dia que era fotojornalista... tal como descobri que era um redator por entusiasmo, um ciclista por comportamento, descobri que era o também alguém que poderia ter tatuagens e ser uma pessoa melhor. Sem nenhuma relação "ser uma pessoa melhor" e ter tatuagem, posso dizer que na minha estrada evolutiva estavam estas necessidades. E se isto é um problema meu... bem, posso dizer que imagino um mundo bem melhor se houver outros problemáticos soltos por aí. Não fique olhando, não pergunte os motivos, deixe que a pessoa fale se quiser... quem precisa externar uma ideia, vê oportunidade entre linhas. Eu achei uma postagem no R7 sobre 16 coisas que vc deve saber sobre tatuados... achei meio superficial, mas há observações interessantes das quais me identifiquei. Divirta-se... derrube os rótulos, viva como quiser, principalmente se isto ajudar vc a respeitar os outros e ser feliz.