I'll look for her... Don't look for me!

Imagem da Rota dos Faróis, Roberto Furtado. 
           Acho que muitos não escreveriam isto com medo de ter a autoria confundida com o desabafo... mas o risco é a veste daqueles que almejam a conquista, e o texto é totalmente ficcional! Ou se vc não acreditar, talvez seja pq sabe de coisas que não deveria ou fez suposições que foram além do direito. Estou novamente em uma fase autoral... ou talvez nunca tenha deixado isto, mas agora novos sinais me mostram novas oportunidades. Para que estiver chegando aqui... explico, mais uma vez, sou fotojornalista e tenho o gosto pelo sabor das palavras além da fotografia e, eu sou livre... eu sou um escritor, talvez frustrado, talvez feliz por apenas tentar, mas imagens de boa qualidade sempre fiz, e se não tenho anúncio, tento de outra forma. Eu vivo...

 A carta que me procura... não é a carta que procuro!

           Um pedido de encontro... mensagem privada, uma declaração! Mais uma... entre outras muitas, mais uma, quase um lamento antecipado por possível negativa. Li, reli, uma perda de tempo, mas como não ler... mais uma, algum olhar da multidão, das ruas, ruelas da cidade, no guidão da bicicleta, na empunhadura da câmera. Uma observadora... secreta, ou quase, se não fosse o fato de ter sido descoberta. Contudo, a carta, não comove... para os que ambicionam a escrita, um feito é grande quando sincero, pleno, autêntico, raro! Sem culpas, sem frustrações, toda tentativa é direito concebido pela liberdade. Lê carta quem quer, respondo se quiser, explico se tiver tempo... corre ao vento, notícia de solteirice de um tardio escritor, frustado, ainda que atinja o coração das pessoas, talvez. Sonha com uma companheira, mas não sabe como ela seria, e inútil seria saber. Chega carta, todo cuidado de quem enviou, letra desenhada, a mão, evidentemente feminina, de mulher delicada, esperançosa, talvez carinhosa. Palavras combinadas são poderosas... texto bonitinho, frases oriundas de composições musicais complementam pensamentos. Tentativa com dedicação, tempo empregado na feitura, na ideia também... que coragem! Assinava por um adjetivo de mulher que se via como tímida, mas não poderia ser... ação poderia ser menor que a audácia, definitivamente, uma mulher de coragem se escondia atrás de uma carta, mas talvez nem ela soubesse. De fato, mulher brilhante, grande ideia... ainda que não tenha atingido o sucesso. Sucesso é algo que não precisa estar ligado a talento, tampouco talento garante sucesso. Se deseja uma desconhecida, será que uma carta com procura-se garantiria a oportunidade? Creio que não... há coisas que não podem ser promovidas, nem pedido, nem resposta. O mundo se monta em sucessões instantâneas do que entendemos como acaso... alguns falam em destino, outros em oportunidades construídas. Se acredito? Talvez nas duas opções, mas o que garante o próximo passo é a conectividade do olhar. Podem ser 61 segundos inúteis, talvez longos, talvez centesimais... pra quem procura se emocionar, um autor sensível é objetivo. Para quem é objetivo, um respingo de esperança de ser reconhecido como despertar de algo novo. Se carta é genial ou não... talvez um leitor ou outro possa corresponder, tal mágica das afinidades, igual a relação de pele e olhar. Talvez, não seja autora, mas será então de personalidade virtuosa, conquistadora, cheia de graça... pq não? Confunda as coisas e se perca entre as linhas, mas não esqueça que sonhar é preciso, seja por linhas escritas, ou ditas, quem sabe sugeridas por um olhar persuasivo. Sem medo... sem lamento, viva, arrisque, não se frustre! Cada tentativa leva para algum momento, algum lugar, algum olhar... medo é perda de tempo, pois certamente não leva nem aqui, nem ali, menos ainda ao novo olhar. A carta que me procura não é pra mim... eu soube na segunda linha, mas eu procuro pela carta, mesmo que carta seja rara, devo aceitar a carta certa. Ou encontro, ou morro tentando, quem sabe o sabor esta apenas na busca? Eu me vejo tentando, me vejo até conseguindo... vejo um rosto indefinido, autor de uma carta que descreve sonhos verdes, desejo de coexistência, água cristalina e salgada, campos que dançam com o vento. Eu prefiro olhar, do que fechar a janela, pois de outra forma, nada terei para escrever, e o amor pode não ser o objetivo, mas sim escrever! A carta que me procura não é a carta que procuro... mas eu procuro por uma carta que indicará a dona de minhas cartas.