Perspectiva x aparência x feitos

Saint Patrick Day, Porto Alegre, 2017. A perspectiva é dada pelo autor! Foto: Roberto Furtado


       Não dou muita importância para muita coisa... eu não tenho um carro arrojado, nem me visto como se fosse um designer ou como se estivesse preocupado com o julgamento de alguém que valoriza a aparência... eu não corto o cabelo ou faço a barba com a frequência da formalidade. Sou o tipo que toma banho duas vezes por dia... mas que não dá importância para o que vão pensar. Ou quase... quase pq a gente vive numa estrutura que exige certas rituais ou formalidades. Acho muito complicado dar as costas completamente para algo que a sociedade traçou como necessidade para estar no mercado de trabalho. Eu simplesmente odeio usar camisa ou paletó, mas algumas vezes por ano algum cliente exige. De fato, deve melhorar muito meu trabalho de fotógrafo/fotojornalista o fato de estar numa veste preta e engravatado. Se me perguntares como prefiro, vou dizer... e estiver frio, calças jeans e tênis, moletom, quem sabe uma touca pra esquentar inclusive as orelhas; se estiver calor, certamente bermuda, camiseta e havaianas. Ah, pra trabalhar... bem, trabalho se faz com calças, jamais de bermuda, exceto se for pauta de turismo/aventura ou esportes. E na real é uma perspectiva um tanto quanto limitadora... você não imagina como fotógrafos precisa de liberdade aos braços, seja para uma foto realizada em pé, ou deitada, a limitação ao conforto do corpo para clicar faz a diferença na prática como item psicológico ou mecânico. O empregador ou cliente escolhe... mas eu vejo bem mais do que aparências. Prefiro sentir-me bem e então executar uma tarefa com qualidade... e quando eu vejo fotógrafos embecados, me impressiona a habilidade de trabalhar assim e me questiono se conseguem realmente ter o mesmo desempenho. Não imponha condições restritivas ao trabalho de alguém... exceto se este alguém não esteja realmente executando uma tarefa plena, mas sim um teatro. Com relação a vida pessoal... não se apegue tanto as aparências, pois as pessoas mais preocupadas com isto me parecem as menos felizes. Carros, roupas, acessórios... tudo isto pode parecer importante, mas lembre-se, não para as pessoas especiais. Pessoas especiais dizem, escrevem, fazem coisas especiais... pessoas especiais não precisam chamar atenção pela aparência, pois elas gritam através dos seus feitos!