Reborn

Parque Eólico de Osório, 2017.
           Foi caminhando... lendo, ouvindo, conversando, vivendo um dia de cada vez, que alcancei um estado de espírito que jamais conheci antes de agora. Havia lido que eu devia matar uma parte de mim para continuar em frente... isto dizia respeito não apenas as condições da minha vida pessoal, mas também profissional, e aliás, tudo se mistura. Caminhei muito... algumas vezes através da bicicleta, outras vezes com os pés, também pelo volante do carro, em direções diversas... eu segui o pôr do sol, também o nascer, eu fui em direção ao norte, ao sul, subi em lugares altos, e fui nas planícies, nas dunas de areia, e no topo de montanhas. Eu tentei olhar em todas as direções... almejando alcançar o lugar que teria as respostas que acalmariam minha mente. E foi caminhando na busca disto que esqueci pelo que estava caminhando, e de hora pra outra percebi que já tinha encontrado o que procurava... então ainda estava em movimento e parei para ver onde eu estava. E eu estava exatamente dentro de mim mesmo... meus medos haviam desaparecido, eu percebi que não tinha mais medo do mar, nem do ar, nem do novo, menos ainda do velho, e por incrível que pareça eu havia simplesmente pintado de cores vivas o mundo e as coisas das quais eu mais gostava... e as coisas que não queria mais me importar havia pintado com tinta de invisibilidade. Eu acabei percebendo que havia renascido... metamorfoseado com os adjetivos bons que existiam, e tudo que não era bom escorreu para dentro de uma caixa transformadora e virou adubo para o que eu vinha plantando. E agora... tudo é novo, eu renasci, na vida pessoal, na fotografia, e meu olhar tem confiança... confiança inclusive de que a incerteza não é um problema. Confie... lute por suas reflexões, mas o mais importante é desprender-se, pois é daí que virá a construção de um novo vc.