Uma direção... pra se envolver e envolver o mundo!

Barra do rio Tramandaí, 2015.
          É engraçado como tudo se transforma tão ligeiro... Me pego pensando no presente enriquecido de pessoas e valores dos quais eu não tinha oportunidade de conviver e exercitar. Esta forma de ver o mundo, suave, sem exigir nada de ninguém, nos deixa com um olhar tranquilo sobre a mudanças, quer sejam pequenas ou grandes. Me pergunto o que motivou este "gatilho" no meu cérebro... como foi isto? Eu sinto que meus medos se diluíram... eu não tenho mais medo de ficar sozinho, nem do que virá, tampouco de perder algo pelo caminho. A gente começa a perceber que só ganha, mesmo quando perde... cada mudança, seja perda ou ganho, traz consigo, uma nova oportunidade de experimentar uma situação que antes era impensada. Avaliei meus pensamentos e vi que num período bem pequeno, cerca de 3 ou 4 meses, subi alguns importantes degraus sobre o controle de mim mesmo. Eu consigo escolher o que é melhor pra mim... mesmo sendo questionado emocionalmente. A dúvida que tinha sobre isto pude me certificar... que o momento não me chantageie, não me cobre, não me force, não crie situações onde eu precise escolher, pois irei. E escolherei o que é melhor pra mim... é uma habilidade. E você pode escolher esta direção, e por ela se envolver com o mundo. Com estas decisões você muda a trajetória da sua vida, mas contagia o mundo com novos comportamentos. Nós podemos mudar o mundo, basta que muitos de nós, sejamos persistentes e exemplares. Não precisamos ser perfeitos, precisamos que nossos exemplos de ação sejam vistos. Quanto pesa uma boa ação... uma atitude bonita pode motivar muitas pessoas. Tenha certeza disto... e o melhor de tudo, vc faz pra vc mesmo, não para os outros. Você se sente muito bem... 

Um causo da escolha
            
          Quando fui adolescente passei por uma situação de escolhas e observação. Uma menina pouco mais nova que eu, se desesperava no mar após ter percebido que as correntes a levavam em direção ao mar aberto. Como já era um bodyboarder com alguma experiência (comecei cedo, pergunte para minha mãe se duvidar kkk), a primeira coisa que me passou na cabeça foi pensar o que aquela "guria tava fazendo ali"... Ela estava sem pés de pato, agarrada ao bodyboard mesmo que uma tábua pregada sobre a outra e batia os pés de forma inútil. Eu não recomendo que ninguém entre no mar de bodyboard sem pés de pato... nunca! Eu cheguei a fazer isto algumas vezes, mas com aquelas luvas de que potencializam a remada... e eu remava forte mesmo, tinha vigor! Mesmo assim, não se comparava aos pés de pato. Eu usava as luvas eventualmente até que meus pés se cicatrizassem das feridas feitas pelos pés de pato. Bom, mas voltando a menina... ela já estava aos prantos. Eu tentei acalmar ela da maneira que podia. Me aproximei devagar e comecei a conversar com ela... Meu pai, certa vez, disse: "sempre toma cuidado quando alguém estiver se afogando, pois quem se afoga pode ficar desesperado e se agarrar em ti pra tentar se salvar, te afogando junto!"
Tentando acalmar a garota, fui conversando e me lembro de ter dito para ela... "eu não vou te deixar aqui, estou contigo. Te acalma, e presta atenção no que vou te dizer. Pára de gastar energia e faz o que vou fazer... me ajuda a nadar na direção que eu vou te puxar!" 
Ambos estavam sobre pranchas, não nos afogaríamos, mas estávamos sendo levados para fora da zona de arrebentação. Era uma saída dágua bem ágil... com bastante força dágua. Eu vi que era como nadar contra a correnteza de um rio naquele lugar. Agarrei a cordinha do leash dela, bem junto da prancha e bati os pés com força, ela ajudava, eu guiava para a lateral da corrente, em direção favorável. Logo escapamos da saída dágua... e nos aproximamos de uma arrebentação. Perguntei para ela se ela sabia pegar a onda e ela respondeu que sim. Tranquilizei ela dizendo que faria ela pegar uma onda pra sair e que estaria logo atrás dela cuidando. Ela pegou a onda e foi indo em direção a praia e no meio do caminho dois salva-vidas a encontraram. Ela saiu na praia com eles... e foi meio que um drama, afinal, foi tenso. Quando eu saí na praia um dos salva-vidas veio me agradecer e depois veio a menina. Eu sorri, e fui embora, eu nunca esqueci. Possivelmente ela teria se salvado de qualquer jeito... mas acho que tornei menos traumática a experiência.