Da minha natureza

Foto com Samsung J7, Roberto Furtado. 
             Fui ao centro para assistir uma das mostras do FestFoto POA 2017... ao chegar na Avenida Borges de Medeiros, avistamos, eu e Renan, grande quantidade de fumaça vertendo entre os prédios. De longe não se precisava de onde vinha aquela fumaça, fumaça que oscilava com o vento e mudava de tons de cinza claro a quase preta. Começou ali uma agitação no centro de Porto Alegre... e corremos na direção do caos, como sempre. Acho até impressionante ainda ter disposição física para correr até o local... talvez seja explicado pela raiz jornalista que há em mim, por não perder o melhor momento, ou ao menos, tentar! Quem me vê nas ruas, sabe que até quando não estou trabalhando, muitas vezes estou com minha câmera em mãos, mas nesta oportunidade lamentei não ter a mesma comigo. Renan falou... "Tu tá sem câmera, pangaré!" Eu respondi... então hoje é a vingança contra os jornais que deixam de comprar da gente para pegar foto de leitor que foi feita com celular. Oportunidade ganha, oportunidade garantida! Saquei o celular do bolso... e já me senti um idiota na mesma hora, tal e qual profissional fazendo trabalho com brinquedo. Acabei fazendo o que sempre condenei, fotografar com o celular é uma assinatura do jornalismo decadente. Imagino que os jornalistas devem se sentir assim quando percebem que no assunto que domino, jamais alcançam a plenitude que tenho quando escrevo sobre o mercado da bicicleta. Acho que assim sempre me senti quando eles enviavam imagens produzidas com celular e eu deixava de vender imagens de qualidade. Vamos dizer que isto é... educativo! 
Então... passei o espaço demarcado pela polícia para conter o público... e comecei a fotografar, me sentindo um pseudo snapper, mas garantindo alguma coisa para minha história do dia. Mesmo assim.,. foram ótimas imagens, bem dramáticas, bem enquadradas, bem descritivas. Havia até um colega no local... nunca vi, mas estava ali, clicando. Até me olhou nos olhos um momento... talvez com o olhar que já olhei um dia para alguns... pensando: "este cara vai mandar a foto de celular para o jornal antes de mim, vou perder a pauta!" 
Eu, por conhecer a dramática situação do fotojornalismo, jamais faria isto... eu diria foda-se para qualquer chefe de redação que implorasse pela foto. Eu diria para crescer... e acho que o que falta para muitos é correr no meio do trânsito, povo, arriscar-se, para então saber o que é ver o trabalho ser desvalorizado. Talvez eu tenha assumido uma postura rígida... séria, como pede o jornalismo, mas não seria esta a verdadeira raiz de um trabalho? Trabalhamos com informação... é ali, no meio de tudo, da correria, da fumaça, das sirenes, dos olhares tensos, que me sinto útil, forte e eficiente. É da minha natureza, tal de fotojornalismo. Minha pauta é a própria pauta... uma causa, uma forma de ver o mundo e de explicar o que acontece e pq acontece.