Agora me vou...


            Observei tudo de uma janela... minha janela, meu tempo, minha vida. Nunca decidi nada sozinho... sempre teve influência de alguém... em cada momento, um alguém diferente. Avós, pais, irmãos, namorada, esposa, faculdade... tudo e todos influenciavam nas decisões. Tudo natural... zelo, talvez excessivo, talvez condução, talvez faltasse iniciativa minha. Entendo que todo pássaro voa ao sabor do seu desejo, embora até o tempo influencie sobre sua direção... estar na proteção de uma palma da mão. Lembro e penso... certa vez eu achei um pequeno pássaro preso no interior de um tonel... uma corruíra. Pássaro conhecido por ser pequeno, curioso, por entrar em frestas pequenas. Delicado como só ele... o pássaro não saía de dentro do recipiente. Se batia lá dentro... cobri com a escuridão para pegá-lo, e com delicadeza o segurei com a mão. Fiquei olhando para ele por alguns segundos, bati a foto, e o devolvi para onde pertencia... a liberdade. Comparei a presença da minha mão como o zelo das pessoas que me rodeiam... sem diferenças, quem ama, tenta proteger. Proteção não é cercamento, embora comumente confundidos. E dentro desta confusão há ainda a condução, as escolhas por ti... e isto pode ser um tipo de egoísmo. Não preciso dizer... quem ama, deixa ir! Tudo que é livre, se amar-te, vai e volta. O fluxo do sentimentos precisa de espaço... manipular, conduzir para decisões diferentes das que este vivente gostaria, não é um gesto de amor, mas de controle. Hoje, vejo que fui controlado, toda minha vida. E vejo muitas pessoas vivendo assim... controladas. Eu, entendi, e aprendi. Agora, conquistei a minha liberdade, talvez pela maturidade... me vou as minhas próprias decisões. Agora me vou...