Amplitude

Farol do Bujuru, sei lá quando foi! kkkk. Foto: Roberto Furtado
             A autonomia... eis a responsável por uma trajetória que significa mudança. O exercício de viver os dias em uma nova concepção me permitiu fazer o maior experimento de todos... comandar a própria vida, sem regras, sem domínios, sem qualquer tipo de influência não desejada. Eu vivi no último ano a experiência mais incrível... eu conheci de verdade a solidão e nela permaneci pelo tempo que queria. Quando desejei evitá-la, procurava pelos amigos. Quando queria viver solidão, abraçava quem estava por perto, me despedia, e assumia o volante do meu carro para algum lugar por algumas horas ou dias. Se o mundo acabasse hoje e fosse eu o último... bem, acho que isto seria totalmente diferente, pois a opção seria extinta. Vos digo... solidão têm prazo de validade. Sabe qual é a melhor coisa do mundo? Ter alguém... verdadeiramente amigo(a) que pegue na tua mão, te pergunte se esta tudo bem ou se quer fazer alguma coisa. E estou falando, mais uma vez, de algo, sem nenhuma relação sexual. Estou falando de amigo que se apoia no teu ombro e pergunta quando "vamos pescar", ou se "podemos pedalar". Se for amiga... puxa! Não tem papo melhor no mundo do que jogar conversa no vento com uma garota... mas não confunda as coisas, mantenha-a como amiga, a não ser que ela não seja apenas isto pra você. Muitas foram as vezes que eu peguei o carro... coloquei minhas tralhas e fui pescar, sozinho! Eu montava minha barraca ao lado do carro, as vezes dormia de qualquer jeito dentro do carro. E uma vez eu quase morri dentro do carro... mas eu conto esta história se você me encontrar e perguntar como foi, pq é outra história. Eu sentei no teto do carro, inúmeras vezes... ao entardecer. Neste lugar da foto, inclusive, nas proximidades de Mostardas. Eu vi as lebres correrem por entre dunas, as aves pousando pra dormir Eu vi a silhueta deste farol... comendo biscoitos e tomando água, ao entardecer. Tomei banho de sanga ou de garrafão, só de cueca, onde não havia mais ninguem... acho que poucos fizeram coisas que fiz. Foi neste momento que eu vi que era diferente... que eu me importava muito mais com o que eu queria ser do que ter. Eu fugi dos modelos prontos, ofertados pela tv, pela imposição social. Acho que este ferrolho que eu vivia era de fato, uma fuga, temporário. Eu não gosto de pensar em fuga como algo que eu não quisesse enfrentar... pq eu voltava pra cidade de concreto, as vezes no dia seguinte, e mordia a faca e trabalhava 10 dias sem parar se tivesse trabalho. Eu me lembro de ter as pernas doendo de tantos dias seguidos trabalhando em pé por horas... parado ou caminhando. As vezes, eu subia no teto do carro, ou numa duna mais alta pra ver até onde podia enxergar, pensando que o horizonte "até onde a vista alcança" era o infinito como a vida poderia ou será. Eu penso nisto como amplitude, ter opção, ter alcance. Se gostaria de pensar tanto? Hoje, vejo como uma dádiva... no passado achava sofrimento, mas hoje vejo como uma ferramenta poderosa de evoluir. E o melhor... eu me dominei! As vezes, parece que posso controlar tudo... é tão confortável pensar que há solução pra tudo, e que quando não há, "solucionado esta", como diz um dos maiores amigos que fiz neste lugar. Aliás, ele sempre diz que me conhece de outra vida... e cada dia eu acredito mais em coisas deste tipo. É evidente, para mim, que consciência é algo que viaja, ou no espaço, ou no tempo, e em todo lugar e por qualquer motivo. Amplitude pode ser um desprendimento de crença... eu não duvido de nada, que venha até mim, tudo que o mundo quiser oferecer, e assim, tentarei aprender com mais esta experiência. Você não precisa fazer como eu... temos o direito da liberdade. Vai do teu jeito...