Gatilho de reflexão...

Click meramente ilustrativo... Em algum lugar da Califórnia, 2014. Foto: Beto Andarilho
           Estive no tal viaduto 13, em Vespasiano Correa, trecho da Ferrovia do Trigo. Fui lá, sozinho... e não que fosse opção, também não tinha como ser de outra forma e por isto nem me atrevo a reclamar. A verdade é que estou de "saco cheio" de fazer as coisas sozinho, mas por outro lado... melhor ir sozinho, do que não ir! E eu nem sei o motivo de dizer isto... pois o post possui outra finalidade. Hoje, enquanto parei para descansar entre dois túneis de trem, sentei numa pedra e fiquei olhando uma paisagem. O entre vales cortado pelo rio... era água que corria e eu ali olhando tudo de cima. Eu já falei isto antes... sobre olhar tudo de cima de algum lugar. É uma forma de pensar diferente, de fazer relações entre as coisas do mundo, sob nova perspectiva, porque normalmente a gente observa sempre da parte plana, da altura dos olhos. Tudo isto em torno da gente já estava aqui antes de nascermos... é uma existência como um playground. Estamos aqui brincando que somos importantes, enquanto o mundo esta em uma decorrência constante de fatos novos e velhos, certamente cíclicos. Não me atrevo a confirmar o motivo disto tudo existir... mas por favor, me permita compreender que isto não tem nenhuma relação com a Bíblia e/ou outra religião contada como verdade. Ando cada vez mais convencido à respeito de que o mundo esta aí, possui suas energias, das quais somos parte e as ignoramos, jogados ao sabor do universo que não tem exatamente uma explicação para nós. O que não podemos é encontrarmos a dúvida com sofrimento... eu, estacionei em um lugar entre a aceitação e o questionamento, que permite seguir e de vez em quando ganhar algumas migalhas que parecem explicações sobre o mundo. O processo é tão lento que devo precisar de uns 1000 anos para compreender a minha existência... então, se o lance é este, que seja aceito. A gente muda e se dedica para coisas que pode... o resto, bem, o resto, fica para o exercício do botão "foda-se". ;) 
Então estava parado lá, na pedra, quando um borrachudo pousou na minha mão... mas não dei tempo para ele servir-se. E por causa dele levantei e tornei a caminhar nos trilhos do trem. Ali, naquele momento, percebi que esperar ou seguir depende de muitas coisas... inclusive de ações externas. O borrachudo foi uma interferência externa... por causa dele levantei e retornei ao rumo. Bom ou ruim, me parece que não importa... é uma ação que te coloca em um sincronismo para outras coisas, para livrar-te ou atribuir-te uma experiência, que depois chamamos de acaso. Nós somos pretensiosos demais para aceitar que tudo acontece por um motivo simples, de uma necessidade, que não compreendemos. Não estou mais preocupado, apenas vi que faz diferença... e que a ordem é seguir, de coração leve, sendo objetivo consigo mesmo. Em qualquer lugar do mundo que você esteja, tais oportunidades para refletir acontecerão... uma vez, duas vezes, muitas! Se é perto, se demanda muita energia para lá estar, se foi rápido... pouco importa. Lennon, dos Beatles, certa vez disse: "Eu estive em todos os lugares, e só me encontrei em mim mesmo!" 
Acho que ele quis dizer sobre uma perspectiva que jamais conhecerei, por escolha, mas eu já estive em tantos lugares. Estive no mar, no céu, na terra em muitas opções... e todas as vezes, encontrei apenas a mim mesmo. Espero que um dia, a humanidade consiga entender isto... que o lugar mais poderoso do mundo é o interior da gente. Dominar-se, criar uma cama macia para consciência é uma alternativa como um atalho. Não há fuga que leve para outro lugar... e apenas quando realmente enfrentamos nossos inimigos internos é que conseguimos atingir um espaço merecido. Como fazer? Bem, infelizmente, encontrei para mim... não há receita de bolo, mas eu garanto, o caminho é este mesmo. Morda a faca e insista com tua intuição. Uso os lugares como ferramentas, embora, pudesse, simplesmente sentar no meu quarto e encontrar as mesmas reflexões... mas advirto, hoje, o borrachudo me inspirou. Os fatores externos trazem a tona seus sentimentos, suas habilidades, seu curso natural de questionamentos. E eu, achei que isto era impublicável... mas resolvi falar sobre isto, para que talvez, alguém pudesse se aproveitar de alguns fragmentos desta reflexão e então, encontrar o próprio caminho. Talvez, o que eu tenha pra dizer, mesmo que me exponha, seja importante para ficar guardado. Vou pensar mais um pouco sobre isto...