A distância... balança dos atos!

O Guaíba e o entardecer de Porto Alegre. A distância é um "divisor de águas". Foto e devaneio: Roberto Furtado
              Algum tempo atrás vivi um desejo de ir embora do país... era uma opção de mudança frente a tudo que eu via por aqui e que não me agradava. Então, havia uma balança, onde tudo era colocado do lado correspondente, até que a decisão era bastante segura. Tempo depois, algumas coisas caíram da balança... e eu, percebi que as escolhas de um momento não responderiam pelas escolhas de um momento diferente. O conteúdo de cada um dos lados da balança do equilíbrio, muda e com o conteúdo, mudam as opções. Algum tempo atrás, talvez, se eu tivesse 20, 25, 30 anos, talvez tivesse ido com mais segurança, porque sei que o conteúdo da balança é menos volumoso e detalhado, talvez menos importante aos olhos do jovem. A verdade é que os passos de uma vida, agregam sobre ela, novas informações, novos componentes, novos sonhos, novos conceitos, novos sentimentos e comodismos. Segurança é uma palavra importante neste assunto... um jovem de 20 anos, não se preocupa em adoecer longe de casa, tampouco esquenta a cabeça com a velhice, mas um homem de 40 anos se preocupa com adversidades da saúde e com a segurança da velhice. Ao fim, certo é o jovem, certo homem de 40, certo quem pensa em si mesmo e na materialização dos desejos. Sonhar é preciso, mas colocar em prática... muito mais!
Balancei novamente, mais uma oportunidade de ir... seria muito bom viver experimentar uma nova versão da minha própria vida em um lugar onde aparentemente as coisas funcionam melhor que aqui. O que carrego na balança? Sonhos, de ambos os lados, alguns, com pesos diferentes... somados, correspondem ao meu interior, onde só o que importa sou eu mesmo, mas de uma forma importante. A minha felicidade é importante para fundir ela a felicidade daqueles que amo... me parece muito claro isto. Devemos manter a felicidade para sermos... e sendo, seremos "encaixados" na vida das pessoas que nos rodeiam. As pessoas precisam de nós... nós, delas! Se "a felicidade só é verdadeira quando compartilhada", talvez seja uma prerrogativa, talvez tenha algumas observações e "cláusulas" sobre como isto pode ser verdade. Falar ao whatsapp ou ao messenger em tempo real parece uma mudança muito boa para quem quer matar a saudade, mas a não posso deixar de pensar no abraço, toque de mão ou beijo como algo exclusivo e insuperável. O toque, físico, é indispensável para mim. Ir embora tem prazo de validade, quem é como eu... ou leva consigo as pessoas que ama ou jamais se muda para longe. Talvez, devesse eu, experimentar a experiência de morar longe no máximo 500 km, pois assim, experimentarei em distância segura. Ir para 8.000 km não me parece prudente a esta embarcação... e eu, como capitão de mim mesmo, devo desviar dos obstáculos flutuantes, mas tão importante quanto, será objetivas os portos seguros. Ser acometido de mudanças inevitáveis quando estiver longe, me parece, algum tipo de imprudência, já que tenho ciência dos fatos. Não conhecer os mesmos, ou não ter o peso destes, como os jovens se encontram, nos permite escolher errado, arriscar! Conhecer as regras do jogo e ainda assim arriscar... me parece ser para desesperados ou até para embarcações livres. Desta forma, depois de uma noite longa de reflexões, mantenho adiado e devidamente pesado um sonho que não pode ser real. A balança dos atos é uma boa forma de decidir sozinho sobre a direção, velocidade e momento da embarcação da vida.

obs: eu queria escrever bem mais sobre isto, mas por hora é o que consigo.