Bloqueio

Arroio Dilúvio, entardecer de inverno. Foto: Roberto Furtado
Estou sentindo o peso do impedimento... é como se minhas mãos estivessem atadas. Como seu estivesse impedido de pensar... mas apenas sobre algumas coisas. Já escrevi coisas que criaram o impacto necessário... já promovi o estalo em algumas pessoas. Eu escrevi milhares de críticas, contos, histórias, textos variados, quer fossem lúdicos ou jornalísticos. Eu perdi as contas... foram milhares de páginas. Apenas no Bikes do Andarilho, que não era nem o primeiro, nem meu blog mais ativo do momento, foram mais de 1700 postagens. Algumas palavras, foram republicadas em diversos canais, na Revista Bicicleta, em linhas do tempo de amigos. Meu livro... uma centena de páginas, me pego mais uma vez pensando se realmente vou publicá-lo. O que fazer quando parece que a energia esta se esgotando para algumas coisas... será uma mudança? Já escrevi tanto... será que isto era não renovável e eu não sabia? Será que as coisas, as últimas, foram bons textos, boas abordagens? Será? Eu penso tanto, porque os pensamentos não me vertem em forma de linhas? Tô realmente me sentindo estranho... é coisa deste último semestre. Numa conversa com a minha mãe... percebi que não sou mais o mesmo. Muito tranquilo... acho que aquele que muitos conheceram, talvez nem exista mais. Eu penso nisto... que mudança! Havia tanta ansiedade, tanta vontade de ver e saber... sobre coisas incontroláveis, sobre as pessoas. Agora, paz! E com paz veio silêncio, e do silêncio veio a calmaria... e com calmaria, não há mais ondas que viram frases. O que será que mudou? O que me traz este bloqueio? Em outro momento, pensaria desespero, agora, paz, bloqueio! Ao que parece, turbulência mental pode virar alguma habilidade com palavras... mas agora, paz!