Durante a noite

Noite recém chegada, num céu do Bojuru, 2014. Foto: Roberto Furtado
         Há noites em que você se vê refletindo de uma forma que não é fácil dormir... elas são noites estranhas, carregadas de perguntas, alimentadas pelo dia que antecedeu, perspectivas dessincronizadas, talvez, mal interpretadas. Não gosto destas noites, embora elas sejam as noites que me trazem maior carga de experiência e desta forma ajudam a construir meu futuro. Para um bom entendedor, palavras complexas, positivas ou desencontradas, formam as histórias que o levam para a maturidade. E maturidade, ao meu ver, é o maior prêmio da longevidade. Não me serviria de nada chegar cada vez mais longe sem que esteja cada vez mais forte e apto a sobreviver com esta sabedoria. Aliás, me parece que sempre tenho mais a aprender, parece... sabe o que parece? Parece aquele filmezinho que você caminha em direção ao horizonte, segue caminhando por horas e o objetivo se distancia cada vez mais. Sobre a vida, em comparação ao horizonte, posso relacionar como objetivo o fim da estrada. Não importa que o fim chegue... me parece bastante óbvio como chegarei lá, uma vez que seja tão trivial que o fim é a única garantia. E só um tolo veria o fim como uma perda... e não como uma dádiva, de outra forma, nada se fez no caminho. O caminho... sim, ele acontece a cada minuto. Com sono, com sonhos, com boas ou estranhas oportunidades. Gosto disto... embora, muitas vezes, sejam evidências doloridas de um longo caminho. Não sejamos dramáticos e impositivos... as histórias são como são! Elas simplesmente acontecem... saboreia quem tem sensibilidade, sabota quem sabe como, dissolve quem pode, ignora quem nasceu com outra capacidade, são fatos! Ao meio da noite, um mau estar qualquer, traz a atividade de reflexão no meio do descanso. Ali, escuridão, olha pra teto e faz seu autor um encaixotado, ainda desta forma consegue ver o mundo e tudo que acontece. Deu vontade de ir ao banheiro... "e já que levantei, vou no terraço olhar o céu!" Lá fora, a umidade do sereno sobre tudo... uma camada fina expressa a qualidade do ar, mas o céu é limpo e a lua e com estrelas estão em seu campo. A lua, em sua majestosa luminosidade, não consegue ofuscar o brilho pequeno das estrelas oscilantes. Parecem quase piscar, uma intermitência energética que garante que estrelas sejam percebidas mesmo com menor brilho. Esquecemos, por um momento que lua é apenas um astro sem luz, próxima de nós, cuja luminosidade é rebatida e originada pelo sol. Ao fundo, centenas de milhares de verdadeiras protagonistas que chamamos de estrelas, mas que são fontes de luz... fontes com luz própria, distantes, ao sabor do infinito, que aqui próximo possuem representante e conhecemos como sol. O sol, uma estrela, a fonte de maior energia de todo sistema solar que conhecemos como casa... e neste assunto, vou parando, sou ignorante demais pra saber, mas aprendo diariamente coisas do mundo e as relaciono com meu caminhar. Presto atenção porque posso... imagine o potencial de sentir, escrever e oferecer aos demais algo pronto para pensarem. Sabe o que é? Gratuidade... e o valor disto é incalculável, pode não valer nada para alguns, para outros caminhantes do escuro é como oferta de estrelas que ditam a direção. Somos embarcações solitárias que trafegam na direção de um infinito. Não importa nada a não ser o ensinamento... ser grande ou pequeno, vai além da paternidade, é ir ao encontro das perguntas para presentear alguém. 
Eu... bem, não sei. Toda vez que converso com alguém sobre isto, parece que sou eu quem estaria perdido, mas sinto que apenas fiz as perguntas que a maioria jamais fará. Se é inútil perguntar porque as respostas não podem ser entregues, talvez. Acho que prefiro fazer as mesmas para, talvez, responder ao menos 3% do que conseguir ligar. Sei que minhas expectativas raramente são correspondidas com sucessão de fatos, regidos por outros humanos como eu. Colocar reciprocidade nas relações não é uma tarefa simples, de quaisquer natureza que sejam... contudo, sabemos que são tais experiências que nos trarão enriquecimento. Viver alguém sozinho é desperdiçar uma estrada cheia de adjetivos do aprendizado, pois somente um campo florido expressa o visual de um tom de cores extra no campo, assim como somente um coletivo de pessoas pode expressar a diversidade dos comportamentos. Como diz uma música: "Espero sempre mais..." porque de outra forma, não seria eu, seria apenas alguém com início tão igual ao durante, tão parecido com o fim. E se em breve me tornar alguma coisa de que posso gostar mais, deve ser porque o caminho me trouxe até aqui. Quando o silêncio me indagar dos porquês... espero que entenda, como eu, em grau de paciência incomum, talvez, expresse reciprocidade. Cumplicidade é uma palavra tão bonita no assunto entre silêncio e paciência, podem ser sonoramente escondidas, mas carregam centenas de palavras pelo olhar. Não sei se há mais estrelas ou palavras, mas acho que pouco importa. O importante é que sejam transformadas em questionamentos... dizia um sábio que nem precisa ser citado para ser lembrado: "O importante é nunca parar de questionar!"