Fotojornalismo 50 mm

Vista de Porto Alegre através da ponte da BR-448, rodovia do Parque. Fotojornalista: Roberto Furtado
           Acho estranho quando penso que o fotojornalismo tem sido realizado até com celular... no entanto, acho mais estranho ainda ver jornal impresso, principalmente em folhas de papel de qualidade tão ruim. E qualidade ruim impede qualidade fotográfica... que por sua vez, explica um motivo de existir fotojornalismo com celular. Quase irônico... se não caísse na vala da tragédia. Depois, um atira a culpa para o outro... e por fim, o patrocinador não quer gastar em anuncio em jornal com papel tão ruim. Se os problemas do jornalismo permanecem e nada muda, para mim fica claro que o jornalismo vai enxugar, depois se transformar, até que talvez não se pareça mais com o que é. Tudo muda... inclusive a informação. Não vai dar tempo nem de aposentar alguns... a velocidade, de cada momento, neste caso, não depende de vc! O mundo dita as regras... só que, eu, um fotojornalista perdido no espaço temporal, também me adaptei. Jornalismo... faço, muito pouco! Corporativo, quase que totalmente, responde por minha renda. Eu não tenho motivo pra pensar diferente... a poesia de um ofício é a essência que ele injeta na história! Como o ofício foi contado... começou, tudo, com muita simplicidade. Não eram câmera digitais, poucos frames, em PB, lente fixa, cálculo de cabeça, etc. Gosto de pensar que posso voltar algumas vezes no tempo, com fragmentos da limitação que nossos colegas do passado possuíam. Se posso usar uma digital tão versátil por escolha... posso sim fazer alguns trabalhos abrindo mão de algumas versatilidades. Por isto... fiz, e de vez em quando faço, fotografo com objetiva 50 mm, fixa. Uso e abuso da condição que há, ou não, faço simplesmente o frame mais singular que pode haver, como a imagem desta postagem. No fim... vc percebe que tanto faz se fizeram com celular, se fizeram de lente fixa, se vão imprimir em folhas de papel da pior qualidade. Importa o olhar, a decisão... a forma como o autor se conecta ao mundo. Eu já fiz fotos em 50 mm, já vendi fotos assim... tanto faz, tanto fez, a notícia chegou da mesma forma. Os celulares... bem, os celulares, tiram nosso trabalho pela mediocridade da história, assim como fotógrafos aéreos perderam seus jobs para os drones, ou então, mudam tudo, ou tudo muda, como num piscar de olhos, que se parece como uma câmera disparando. Câmera disparando é uma coisa que não tinha refletido ainda... parece até, que algo vai sair através da objetiva. Esta na hora de consertar isto... câmeras não disparam, câmeras capturam! Até eu, trago comigo vícios de um tempo passado... mas é hora de mudar. Corrigir, melhorar, tudo isto... compreende um jornalismo que precisa amadurecer, de outra forma, padecerá! Enquanto isto... brinco, de 50 mm, mais uma vez.