No alcance das mãos...

Ciclistas pelo interior do RS. Foto: Roberto Furtado
              Muitas experiências vivemos da infância a maturidade... e quando falo em maturidade falo de um estado de consciência, não de ter chegado aos 20 anos. Somos tudo aquilo que passamos... as perdas, as conquistas suadas, o sucesso de ter conseguido executar algo depois de muito fracassar. E sabemos que só conhece o sucesso, quem compreende o seu oposto... de outra forma nem o sucesso tem sabor de conquista como deveria. Subir em uma bicicleta e percorrer um caminho com dezenas ou até centenas de quilômetros é um desafio que só o processo de insistência garante. Ninguém inicia no mundo da bicicleta com um trajeto de de 80 km... quem começa, começa com 5-12 km, talvez um pouco mais se estiver acostumado com outras práticas esportivas. Outras atividades ou práticas surgem com o tempo, da mesma forma, criar uma estrada com posicionamento seguro na sua realização é uma questão de vivenciar desafios. Consertar um pneu de bicicleta, realizar um audax com 300 km, percorrer a pé a maior praia do mundo ou o caminho de Santiago, quem sabe terminar uma faculdade, talvez escalar um pico de dificuldade 8-10. O que é importante para cada um, cada um vai saber... O que é relevante para a vida, também! Outro dia, vi um homem substituindo um estepe porque o pneu havia furado e, estava ele de terno e gravata, mas realizava a tarefa com eficiência. De outra forma, já vi um jovem que se quer sabia onde ficava a chave de roda e para qual lado deveria afrouxar as porcas. Já pensou colocar um macaco para levantar um carro sem pensar se esta firme o suficiente? Não havia ninguém pra fazer por ele... e eu disse naquela oportunidade: "Amigo, coloca o tapete do carro antes de colocar o macaco, este calçamento é escorregadio!"
Há coisas que aprendemos fazendo, outras, observando... mas quando um pai troca o estepe enquanto o filho permanece acessando o celular no interior do carro, tenha certeza de que ele não vai aprender nada, nunca! E pode custar até uns dedos ou quem sabe outro ferimento... evitar fazer, torna-se impossível, um dia, todo mundo é obrigado a fazer. Um adulto que se torna incapaz é resultado de vários ou todos os anos sendo poupado de praticar situações. É facilmente observado que os jovens que são estimulados, ou que passam muito tempo sozinhos, ou que não possuem tudo ao alcance das mãos... estes são os que geralmente encontram os caminhos para serem independentes. Jovens independentes se tornam adultos independentes. A diferença entre ter iniciativa e esperar é justamente ter alguém que resolva por nós antes de começarmos... não é garantia que fazer será sucesso, mas o sucesso de cada prática (simples ou complexa), virá de executar por inúmeras vezes. Excelência surge com a prática... nada que esta facilmente ao alcance das mãos, torna-se uma habilidade e em todo desafio surge um estalo de como começar algo que nunca foi realizado antes. Até "como não fazer" é um caminho para quem vai conseguir... depende apenas de começar, de pensar! Não pense por alguém, ensine a pensar... no alcance das mãos estará tudo que um vivente precisa quando ele estiver suficiente maduro e decidido para enfrentar o desafio que for.