Pra dominar... razão!

Mar do Bojuru, meu amigo de infância, meu irmão, Rodrigo, não lembro ano. Foto: Roberto Furtado

            Procurando por um trecho específico do livro: "Cem dias entre céu e mar", me deparei com uma reflexão de Amyr Klink... Gosto do que escreve o navegador, na verdade, considero-o um sonhador com grande habilidade em colocar em prática os sonhos. Como ele mesmo disse uma vez:

“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.” 

“Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo.
Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mal tempo.
A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança.
Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada querer.”

A primeira frase, uma boa e simples forma de objetivar e planificar os desejos por aventura. Alguns de nós, nasceram realmente para sonhar, alguns destes, para colocar em prática certas aventuras. Para muitos, a aventura é fazer dinheiro, talvez adicionado de sucesso, talvez não nesta ordem. Para poucos, ficou claro que o mundo não vai sair do lugar, mas nós vamos passar por ele e, nada e nenhum bem material seguirá conosco. A única grande experiência que podemos deixar aqui é o ser humano que nos transformamos com o passar do tempo, tal, pode ser brilhante, em toda simplicidade. Enriquecer o mundo de novos olhares, de saberes, de amor, me parece uma forma absolutamente desprendida de construir os sentimentos. Fazer amigos... uma garantia de ser lembrado, mas mais importante que isto, uma garantia de manter vivo aquilo que você foi um dia. Já pensou que sensacional pensar que da tua partida em diante o mundo inicia uma caminhada nova, onde a esperança e o horizonte passam a fazer sentido. Eis uma forma de se manter eterno, de ser rico! Desisti há tempos de ter números... talvez fosse um erro que insiste em dominar o homem. Alguns, aprendem cedo, outros, tardiamente. Há aqueles que jamais aprendem... tornam-se velhos avarentos, incapazes de sentar em uma cadeira de frente para o mar para simplesmente saborear o vento. Pensar que somos grandes é um ato de rebeldia, sem lucidez, onde a modéstia se foi, e pelos motivos que enterra o próprio em hábitos estranhamente infundados. Se me pego pensando no meu maior temor, lembro dele... medo de solidão, sempre tive! Se receio vencê-lo, não... já estive em solidão em momentos de dor, de ausência de luz, sob sol forte na cabeça e com sede. Já senti fome, dois dias sem comer, preso num lugarejo pelo mau tempo, não me fez de vítima, nem me roubou a vida, talvez apenas me assustasse com a novidade. Sofri de amor... da perda, pensei que jamais iria superar. Tive poucas vezes crise de enxaqueca... também tive febre acima dos 40, me arrebentei todo quando caí da árvore quando criança. Em toda oportunidade, superei... superamos! Eu, você, tudo... o tempo, o vento, o medo! Não tenho mais... pode vir! Se sofro ou sofri, aprendo o valor do sacrifício e da sabedoria de como observar as situações que enfrento, de fora, de dentro, de mim mesmo. Quem não pensa, não mergulha no mundo, dele não terá as maiores riquezas... ditas experiências, carga do saber. Não há livro que ensine, nem professor que transfira tal oportunidade de vivenciar. É preciso viver... arrisque. Fui prancheiro, bodyboarder ainda sou... quando entro no mar mordo a faca, não tenho medo dágua. É a tal forma de ver o mundo da segunda frase que destaquei aqui, de Amyr. Se passa o tempo e a força diminui, então somente a forma como é feito o processo garante a execução. Não dominar a força, mas sim a razão...