A toda velocidade...

Volta internacional de Ciclismo, Rio Grande do Sul, 2014. Foto: Roberto Furtado
         A velocidade... dos meus pés, dos pneus do meu carro, dos aviões que me levaram para muitos lugares. Da bicicleta que me trouxe de Gramado para fora da serra... nas descidas mais rápidas que lembro de ter feito na vida. Lembro ainda que era uma bicicleta touring 700, GT Transeo, com pneus que assobiavam junto do asfalto e cortando o vento. Era rápido... tenho sensação que superei os 90 km/h naquela oportunidade, sentia a energia da descida. A velocidade... de tudo que corta a minha frente, o vento, os pássaros, os olhares em frações temporais, o clique das minhas câmeras... nada se compara ao meu pensamento, toda velocidade das coisas que penso. Antes, toda velocidade me incomodava... eu aprendi a lidar com ela. Eu administro a paciência com o ritmo de tudo... se tiver que passar por mim, vai passar! Não podemos mudar o ritmo do mundo, mas o ritmo interno é um relógio cujo o domínio nos pertence. O coração anda no ritmo que quero... meu pensamento supera toda velocidade que precisa. Posso parecer lento, mas meu clique é rápido... difícil eu sacar a câmera e perder um lance. É mais fácil acertar agora, que tenho idade, mas evidente que depois de 400.000 fotografias me tornei certeiro. Meu pensamento é rápido sobre textos e fotografias, muito diferente dos meus passos... eu corro, eu caminho, quase não tenho paciência para a velocidade que me movimento. Eu vejo tudo borrado porque meus olhos acompanham o movimento das maiores velocidades... somos, sem dúvidas, predadores! Nossos olhos, milhões de anos em evolução... nada é mais rápido que os olhos de um fotógrafo. Exagerei? Pensa num ciclista passando por um ponto cerca de 10 metros de vc... paralelamente, em velocidade de 60 km/h, ainda assim vc consegue enquadrar  alvo e chutar 6 ou 7 fotos. Imaginou? O snapper é como um snipper... só que ele usa a habilidade para o bem, de todas as formas. De outra forma, como diz um amigo... "meldeus, se fosse uma arma seriam vários headshoots!" Exagerou... pirou no deboche! Eu me vejo como um fotojornalista, promotor da paz, mas a velocidade... ah, a velocidade condiz, entre snapper e um atirador, talvez muito pouco mude. A velocidade... eu acho que é um dom, do ser humano, somos bons, somos capazes, cabe o exercício da prática. Somos bons em esportes, somos bons em muitos espetáculos cuja velocidade é tão usada quanto o uso das palavras. Eu... me acho bem rápido. Difícil errar... muito difícil! Na verdade isto não importa... importa mesmo é eu saber que o pensamento é mais rápido e este, uso para o que eu bem entender.