Brisa


          Dias quentes... foram vários. Dormi com ventilador ligado... em pleno inverno, dias quentes. O calor era invasivo... notado, imaginado! Era impossível não sentir o calor que irradiava... tinha gosto de quente, perfume de verão, toque úmido pela transpiração. Eu, passei uns dias a me apropriar do calor. Era de fato, conquistado, aos poucos, parecia estratégia... ainda que houvesse o erro. Nós estávamos no inverno e tal calor não era normal. Eu sentia conforto, estava bom viver de calor... era agradável o toque do lençol, era calor na medida certa, principalmente a noite. Uma semana tempestuosa e houve mudança de clima... esperei que as coisas voltassem ao que eram, mas não. Choveu, ventou, esquentou um pouco, mas não o suficiente. Final de semana de clima ameno depois de uma semana fria. Veio então, sábado, algo aconteceu. Eu sabia... era um sinal, uma mudança. Domingo de céu limpo e vazio, sem nuvens não há calor, simplicidade. A manhã daquela segunda feira lamentei... não quis acreditar. Era uma brisa fraca, quase fria... a estação fora de tempo havia ido embora. Desejei que tivesse ficado, estava tão bom... Eu lembrava do calor no dia seguinte... pensando se no dia posterior haveria também. Não houve... houveram palavras, que não era boas, sobre o tempo e o vento, bem como os sentimentos, eles se vão, querendo ou não, se vão. Agora, me lembro da brisa, que veio e que levou tudo embora... me deixando apenas, com lembranças. Lembranças de calor antes de brisa...