Tu é o vento... disse Silvia!

Adicionar legenda? Legenda eu ponho se quiser... eu sou o vento! 
         Minha mãe disse que desde pequeno, sou um tipo de filho difícil de segurar... aquele que fica porque quer, e não por ser convencido por outra pessoa. Ela disse que sempre teve medo de eu ir, não de eu ir e não voltar, mas de eu simplesmente ir... ela sempre comenta sobre coisas que teve medo, coisas que ouviu, palavras de outras pessoas, sobre mim... sobre ser uma "alma inquieta". Sempre digo para as pessoas que levei 30 anos para descobrir o que realmente faria profissionalmente, já que antes trabalhava em algo que não gostava. Nos últimos 10 anos, percebi que minha vida começou a fazer sentido, e parte dela, inciada antes, perdia o sentido. Inclusive pensando nas pessoas que nela existiam, a vida, se transforma, perde fundamento e encontra um novo sentido. Os ciclos... a transformação, os amores, o entendimento que a gente possui. Quem me ama hoje, possivelmente não me amaria antes, pois sei o tamanho da transformação. É claro, que algumas pessoas, amigos jamais deixam de amar amigos uma vez conquistados e verdadeiramente encontrados. E depois, sobre amores, não posso deixar de criar esta pequena observação... os amores, nascem e morrem, nem por isto são menos valiosos e importantes. Temos que aprender nesta vida que amor não é um "patrimônio", mas sim algo que compartilhamos com outra pessoa, seja o amor que for. Se eu queria ter um amor da vida inteira? Acho que seria mágico... mas sejamos realistas, e se você estiver enganado, como ficará tua segunda chance? É preciso ter maturidade para ficar, para partir, para prosseguir sem mágoas e sem rótulos. Sempre falo de amores, quando posso, mesmo que o tema não seja este especificamente, pois no fim é o amor que move tudo. Nosso amor por existir move os ventos e todas as coisas passam a ter movimento! 
Minha mãe... estes dias, eu disse pra ela, que não saberia o que fazer quando ela partisse, um dia. Como seria minha vida? Na verdade, todo presente que tive, e que realmente importou nesta vida, foi oportunizado por ela. Se sou isto que vivo, devo a ela e a mais ninguém... ela, me ofereceu um começo, minha escolhas, meus horizontes! Muitas vezes eu fiz o oposto do que ela disse para eu fazer... foi então que, agora pensando, ela aprendeu a não dizer o que eu não devia fazer, mas sim falava das consequências e perigos do mundo. Quando se descobre que um filho não pode ser impedido por palavras ou qualquer limite físico, não resta outra coisa a não ser orientá-lo. Aquela jovem, aos 23 anos, tornara-se mãe... antes na verdade, não esqueçamos o período de gestação. Desde então, a socióloga, mestre, ex professora escolar e acadêmica, atualmente, policial civil, acompanha a minha estrada e dos meus irmãos, como um pássaro que cuida dos filhotes. Deu-lhes a oportunidade de partirem, e quem foi, voltou. Descobri, ao longo da vida, que meu lugar é aqui com eles... posso ir, ficar meses longe, talvez um dia fique anos sem voltar, mas cedo ou tarde, voltarei. Ela sempre espera o dia em que partirei, pois ela mesma diz... "Tu é o vento... não posso te segurar!"
Levei tempo para entender o que eu era... não sou como a maioria. Sou um nômade que tem para onde voltar... vou viajar, seguir meus instintos, caminhar sobre esta terra e então, de momento para outro, iniciarei o retorno. Sou um andarilho desde criança, e ela sabe disto... eu saia para longas caminhadas para ver o mundo, voltava horas depois, talvez não tivesse nem 10 anos... e ela de coração na mão porque eu desaparecia. Eu torcia para ela não perceber que eu estava fora, porque ela sofreria e eu uma mijada levaria ao voltar. Eu sumia... na praia, longe era um lugar que não existia para os meus pequenos pés, nem areia quente, nem vento forte suficiente para me impedir. A chuva de verão me arrancava o sorriso... ali, naquele momento, na infância, nascia uma vocação. Era um aventureiro, desbravador, um contador das histórias que só os olhos podem entregar. O universo passou a vida me dando sinais, a escola tradicional passou toda vida tentando me colocar nos trilhos formatados... minha iniciais de RF se equiparam com as do meu atual ofício, de repórter fotográfico. Sou exatamente aquilo que deveria ser, uma decisão do universo, se foi um deus ou meu mapa astral quem quis, ou se a ciência não pode explicar, bom, acho que pouco importa no que acredita o homem. O que importa não é o que gostaríamos de ser... porque neste caso, nem tudo é real, factível. O que importa é o que você se transformou... se foi no vento, se foi em alguém que nasceu para caminhar em todas as direções, pouco importa para o resto do mundo. Importa é que você se sinta bem... e que encontre um rumo que alimente o teu coração. "Tu é o vento...", nunca vou esquecer o que me dissestes, mãe!