Noite

Céu de Teresópolis, zona sul, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado
     Eu e ela... no escuro, sinto a presença... ela veio, encanta, afugenta. Eu e ela... uma parceria e tanto. Não sinto mais solidão como antes... desde que aprendi a viver sozinho. Se procuro as pessoas é porque desejo mudar a rotina... mas eu vivo sozinho, do meu jeito, com o silêncio do vento e da natureza. Na minha cidade, escuto os carros passando na rua, buzinas de longe, por vezes sirenes. A cidade ecoa um som que não sei descrever... é um ruído constante que se propaga entre os prédios, ruas, como uma respiração nos corredores. Eu e ela... nem solidão, nem outro alguém. Uma conexão de universo, submissão de um mortal... frente a algo impossível de tocar ou perder. Lá vai ela... como vento numa grande avenida, como a luz da lua, como o brilhos de longe da cidade. Certa noite... a centenas de quilômetros de Porto Alegre, numa noite com pouco vento, na beira do mar... acordei, sai da barraca e fui olhar o céu. Tive certeza de que não estava sozinho... embora ninguém respondesse aquilo que pudesse perguntar. Era como estar sendo observado, pelo olhar materno, amor maior... era ela, me vigiava, cuidava de mim. Não era a lua... a lua era outra filha, tal e qual o sol. Ali, quem manda, a noite... a escuridão boa, ausência de maus pensamentos, valorizar das estrelas, oferta de sensações, sobre o mundo, sobre nossa diminuta existência. Me olhava, por todas as direções... era claro como o conhecimento, sensação de ali estar, negra de tom azulado... minha mãe, meu universo, a noite que me encontra todos os dias. A noite me encanta...