Um olhar para o fotojornalismo digital

Homem ateou fogo em ônibus no centro de Porto Alegre, ao lado do mercado público. O coletivo ficou completamente destruído, o suspeito não foi encontrado, e houve apenas prejuízos materiais. Populares afirmaram que as chamas alcançaram altura muitas vezes superior a estação/parada de ônibus e de longe se via a fumaça negra.
Foto com celular: Roberto Furtado
               A globalização e toda corrida tecnológica motivaram quase que todos os segmentos profissionais. Não há como negar, nem como desacelerar. Nos sentimos passageiros de um veículo que parece não ser controlado por ninguém, embora seja uma criação de nós mesmos. Nos últimos anos evoluímos rapidamente utilizando tudo que depende de eletricidade/eletrônica... os computadores evoluíram e com eles evoluíram os processadores que a cada dia são menores, mais rápidos e singulares em suas capacidades. A tecnologia trouxe mudanças... em primeiro momento, muitos vibraram pela facilidade e pela agilidade na produção, edição e transmissão de imagens. As câmeras digitais deram um grande tombo nas câmeras de filme 35mm. O fotojornalismo jamais conhecera uma vantagem tão expressiva quanto a opção de clicar o botão, conferir a imagem, retirar o cartão da câmera e colocar o mesmo no computador. Em um ambiente ideal, não é impossível fazer a imagem em um minuto e estar transmitindo a mesma no minuto seguinte. Enquanto a realidade anterior era revelar para então ter certeza de como ficaram, escolher e encontrar uma forma de enviar (como num sistema de telefoto ou até mesmo em algum tipo moderno de transmitir gráficos), agora, nos deparamos com a versão com milhões de caracteres que definem uma fotografia através de pontos coloridos executados e transmitidos pelas câmeras atuais. As câmeras de valores variados encontraram um lugar em cada mercado que as necessitava, da publicidade e jornalismo, ao entretenimento e mera recordação. O velho jornalismo se perde ao poucos na história nas telas de celulares, tablets e computadores. A textura da notícia, se perde, parece que em alguns anos nem lembrada será. Na medida em que telas de led evoluem e "barateiam", os papéis dos jornais encarecem e ficam desmerecidos. O branco e preto, sem qualidade e satisfatório para entregar a história, das folhas de jornais deu lugar a qualidade superior das telas de telefone celular. O fotojornalismo através do profissional freelancer esta praticamente encerrado, as agências pagam de 4,70 a 100,00 por uma imagem ótima, mas a grande maioria das imagens giram em 15 reais. O motivo parece ser uma combinação de fatores, tais como a concorrência desleal, pois qualquer transeunte e testemunha de fato se transforma em jornalista quando munido de um celular. Os jornais ganham de presente do leitor, a pauta, a imagem, a história... o valor é ter o nome publicado no jornal. Os próprios jornalistas que trabalham em jornais realizam esta prática, cedendo para pressão exercida pela direção. Certa vez, existiu... um repórter, um repórter fotográfico, um repórter cinematográfico, porém, hoje, a cada dia, surge mais um novo tipo de repórter, denominado repórter multimídia. Demite-se o fotógrafo, também o câmera, e coloca-se na mão de um repórter um bom celular. Esta feita a notícia na era digital ao valor de apenas um profissional...