Agora sim...

Balonismo de Torres, 2017. Foto: Roberto Furtado
          Durante muito tempo tive pensamentos que antes não compreendia... hoje, eu os entendo! Queria ser ou fazer algo legal, trabalhar as minhas habilidades e me transformar em algo que só o tempo daria formato em toda precisão. Levei 30 anos pra saber o que seria isto... e quando descobri tive receios e medos se eu conseguiria ser bom o bastante para acalmar a minha própria alma. Estou certo que ninguém é maior crítico que eu mesmo sobre meu trabalho. Sabia o que desejava e embora almejasse um lugar, tinha medo e não conhecia a trajetória... dá medo não saber se é possível encontrar a trilha que te leva para um lugar que você nem sabe onde fica. Muitas vezes é preciso apenas acreditar e sair caminhando por lugares que não passam confiança... mas ao fim, tudo faz sentido. Passei a amar fotografia como uma linguagem de uma forma que não imaginava... o valor da minha vida, embora em primeiro plano, parecia não ser grande o bastante para expressar quanto isto significou e significa para mim. Uma amiga, disse-me algo, recentemente: "Tens um brilho no olhar, e agora que estas falando do teu trabalho, isto esta acontecendo!"
Eu acho que isto acontece todas as vezes em que mergulho em algo que me traz felicidade... a fotografia me traz isto sempre! E outra situação me leva para os mesmos sentimentos... as pessoas! Evidentemente que um apaixonado por imagens é também apaixonado por pessoas... de outra forma, para quem ele mostraria isto? Como um pop star da música, para quem ele faria a música valer cada contorno da emoção.
Pensava... e disse a um amigo: "cara, imagina se morro antes de fazer as imagens que sempre sonhei!" Ele me disse: "tu não vai se importar se isto acontecer!" E eu respondi, "mas eu vou saber agora que ainda não fiz. Então, preciso que chegue este dia das grandes imagens!"
Bom, hoje penso que se me acontecer algo, deixei algumas boas fotos... ilustrei revistas, jornais, sites, redes sociais! Milhares de imagens são vistas no facebook nos perfis de pessoas que foram registradas por mim. E as imagens pelas quais me apaixonei foram realizadas no período mais estranho da minha vida... quando eu mergulhei em nostalgia, minha poesia fotográfica se tornou mágica. Passei a ter não apenas maturidade fotográfica, mas também a sorte invadiu a minha vida. Eu fiz imagens que as pessoas diriam ser a hora e o lugar certo, mas se pararmos para pensar numa sucessão de sorte como competência profissional teremos um novo significado e resposta para tantos acertos. Dedicação é natural em mim... sorte, acho que sorte vai ser viver mais 50 anos fotografando. Estou confiante de que consigo, mas estou mais confiante ainda que posso transformar meu entorno com o meu trabalho. Se pessoas felizes mudam o mundo... e pessoas ficam felizes ao simples observar de uma foto, então esta é uma relação de viabilidade. Estou certo que te vejo por aí... onde o mundo acontece!