Infinito pensamento...

        Estive em muitos lugares... bem menos do que gostaria, mais do que poderia, aquém das minhas expectativas. Tenho duas características contrapostas... sou um vivente apegado demais as pessoas; e possuo um raro coração andarilho. Eu tenho um desejo muito grande em viver e conhecer o mundo... mas não consigo me imaginar em duas possibilidades. Na primeira, ficando longe muito tempo de casa. Na segunda, meus amigos, e as novas pessoas que conheço longe de casa, me deixam com uma saudade arrasadora. Vivo assim, com medo de não ir, com medo de partir, com medo de estagnar, com medo de mudar! Uma nova amiga... não disse, mas olhou pra mim e com sorriso me motivou a perguntar: "Me achou esquisito, né?"
Eu vi... nos olhos dela, algum tipo de surpresa, algo que sei que ela não vira até agora, talvez uma que outra vez. Sei que sou formatado de outra maneira... e ela respondeu: "Tu não é esquisito, é diferente! E eu gosto disto..."
Fiquei pensando nos meus ciclos de ir e vir. Já ouvi tantas vezes isto... de amigos, amigas, até de gente estranha.
Ao que parece, somos, todos, especiais para alguém. Se tenho pessoas especiais... algumas. Me ocorre o pensamento sobre algumas quando o assunto é amizade e carinho. Ficar longe é desafiar a saudade... acho que descobri minha fraqueza durante o desenvolvimento deste texto. Até então, me sentia forte para atividade física até mesmo machucado. Prefontaine, lendário corredor, dizia que se aprende a superar a dor para ultrapassar os limites. Seria apenas para um tipo de emoção restrita? Posso usar isto pra amassar a saudade mesmo sem ver as pessoas? As vezes, tenho vontade de ir, cada vez menos penso nisto. Cada dia que passo penso em formar raízes, sentar ao lado de alguém num banco de praça, talvez de frente numa mesa de café. Pode ser também ao final de tarde, depois de umas ondas, com café, bolo e boa prosa. Encontrar alguém para isto parece muito mais difícil na prática... mesmo que você não procure, ou mesmo que encontre, tudo que houver na vida, as tais bagagens, tornam o emparelhamento difícil. Sejam ambos boas pessoas, tenham afinidade, o sincronismo parece ser uma tarefa de paciência, talvez nem mesmo atingido por ambos. Ou vejo tudo assim, afinal, sou um romancista!

As pontes

      Quando estive na ponte do Brooklyn me dei conta que estaria em uma das pontes mais famosas do mundo. Quando estive na Golden Gate, pensei a mesma coisa... Ali, percebi que quase toda estranheza do mundo, em algum momento pode passar por estes marcos. Estas pontes são como portais, funcionam como um funil gigante, obrigando todo mundo a passar por esta estreita estrutura em forma de caminho. Em algum momento da história as pessoas de diversos lugares do mundo, as vezes de um mesmo lugar, passarão por um lugar como este. Quantas histórias você já ouviu sobre ter conhecido alguém que já esteve no mesmo lugar que você, antes mesmo de terem se conhecido. Compartilham de experiências e histórias parecidas, se afastam e se aproximam, recriam novas estradas em conjunto... e entendemos como destino. As estranhas coincidências...

Ela?

      Ela surge algumas vezes no meu pensamento... eu pensava nela quando nem sabia quem ela era. Imaginava, ela me perdeu e me ganhou algumas vezes, o rosto mudou, como eu! Eu quis ser sempre dela, mas aprendi que não poderia... então, quando ela foi embora, ela veio, de novo, outra identidade. Não se parecia com a primeira, nem com a segunda, menos com a terceira... tinha gênio forte como uma delas, mas a inteligência era notável. Sei que ao conhecê-la, percebi que não existia um homem bom o bastante para ela. Não era eu... menos os outros que vi por aí. Talvez ela nem precise de alguém, talvez seja apenas machucada, talvez se convença com o tempo, talvez veja em mim mais do que eu mesmo vejo no espelho. Ela não se afasta, não se permite aproximar mais que algumas horas... não confia tanto, nem me engana quando me olha nos olhos. Eu olho todo mundo nos olhos, pois tenho uma estranha habilidade de me conectar. Confesso que não me apego a muitos olhares, mas alguns, me apego facilmente. Eu os coleciono em minhas memórias e gosto de guardá-los vivos, como se fossem os olhares para os quais eu olharia para sempre. Eu queria ter nascido diferente... um amigo disse para mim que jamais se apaixonou de verdade, nunca gostou de alguém... eu, bem, acho que fiz isto umas três, talvez ou quatro vezes na vida, o resto foi carinho. Uma das vezes transformei ela em esposa, mas um dia acabou. Acho que a receita é variável como variam os gostos... da primeira, da segunda, da terceira, não mais gosto. Da última, puxa... ainda sim. Espero que passe logo... ou que ela se convença logo. E isto que tenho... não sei se jogo fora, se guardo no bolso, se dou pra alguém. É um infinto pensamento...