Para trabalhar, para amar, ser!

Duca Leindecker, no Opinião, em Porto Alegre, no dia 09.10.2017, foto: Roberto Furtado
          Dizem que os taurinos são pessoas ligadas a arte, sensíveis e com muitas habilidades ligadas a esta sensibilidade, que também são teimosos e fortes. Toda vez que leio coisas sobre o signo ao qual pertenço, me reconheço em muitas coisas... em quase tudo pra ser sincero. Sou sim, um ser humano cheio de defeitos... alguns amigos me dizem modesto, mas na verdade não me acho tão grandioso assim. Eu sou, sempre fui, um aluno nota cinco em cálculo... mas se me pedires para fotografar ou escrever, provavelmente me sairei muito melhor do que esperam. Não sei se este lance designo possui fundamento, mas como é baseado na movimentação dos astros, acredito que possa ter uma influência em nossas vidas. De outra forma, não haveria como explicar as marés e as luas e seus horários ótimos para pescar. E se me perguntares sobre isto, não vou poder negar, sou pescador desde criança, e um dia fui convencido de que isto funciona, mesmo que pareça fora de nosso alcance. Os signos, cada dia que passa, me parecem mais e mais corretos. Os medos, receios, teimosias, dificuldades e qualidades se apresentam nas pessoas pelo período do ano em que nasceram. Tudo isto parece estar diretamente relacionado aos nossos sonhos. E aliás, quem não sonha, me parece muito empobrecido espiritualmente. Eu sonho muito, penso muito... caminhei muito mais que a média para chegar aos 41 anos. Fiz tudo de um jeito e mudei tudo... como um péssimo exemplo de taurino, mudei tudo, aos 30 anos, mas mostrei um teimoso em fazer dar certo muitas coisas. Se me iludi em alguns momentos, como um bom taurino, sim... me iludi e desisti de momentos, situações e pessoas que se mostraram diferentes dos meus ideais. Se tenho ideais? Muitos... e aprendi a separar as coisas em caixas. As minhas emoções ficam separadas por finalidade. Posso ser um homem forte, mas choro... posso sentir a dor e até pensar que a coisa ficou feia, mas neste momento não verá uma lágrima. Eu choro por coisas belas, por sentimentos que colidem entre beleza e tristeza. Juntei tudo dentro do meu peito... coloquei todo carinho, força e colorido dentro de uma caixa. A caixa do coração me faz produzir, me envolver com as pessoas, profissional ou pessoalmente, assim vou construindo uma trilha de histórias. De vez em quando eu olho pra trás e vejo ou lembro, sinto no mínimo simpatia, por vezes muita saudade. Algumas pessoas não mais consegui me afastar... preciso saber como estão, outras, me contento com os desencontros da vida. Se estão perto ou longe, me importo com todas, mas algumas, quero sempre saber. Ser taurino... acho que isto não tem a menor importância, me parece muito mais importante como me comporto junto de algumas pessoas. O que elas despertam em mim... eu gosto de como me sinto, por causa destas pessoas. Eu me sinto melhor por causa de algumas pessoas. Acho que sou um bom amigo... de homens e de mulheres, mas isto é difícil de dizer. Da conversa com as mulheres, me sinto sempre melhor que nunca, embora alguns amigos homens me mostrem boas reflexões e risadas. Acho que vestimos um físico que nos vende como homens ou como mulheres, mas não é muito justo. Parece que isto faz com que confundamos amizade e sexo... aqueles que me conhecem sabem bem do que falo. Quis a natureza, e assim penso, que eu fosse homem e hetero, mas tenho amigos e amigas bem melhores que eu que não são heteros e com eles aprendi muitas coisas sobre amizade. Tudo se confunde... trabalho, amizade, amor. O que somos? Acho que somos máquinas biológicas, complexas, talentosas, classificadas por signos, bandeiras, carteiras de identidade e a cada dia criamos mais e mais "emplacamentos" para nos rotular. Eu sei o que sou... o que quero ser, quem quero ter por perto. Sou um fotojornalista, homem, sonhador, taurino... mas tudo isto, criamos! Somos apenas humanos... 
A música Bossa, de Mônica Tomasi, cantada ontem por Duca, diz que cada um é como é... "há quem construa os aviões, escreva as revistas e dedilham violões!" Viva o livre arbítrio... das escolhas, dos motivos, do andar dos acontecimentos... assim nascem as estradas!