Não há um cessar fogo na mente de um autor

Monterey Bay, CA. 2015. @betoandarilho
            Convencer pela imagem poderia ser um truque ou poderia ser a realidade com efeitos técnicos de conhecimento fotográfico. O fotógrafo, seja um jornalista ou um autor de produções, é um ilusionista que tenta passar a verdade com extra do seu olhar. Todo fotógrafo ambiciona passar a imagem em caráter igual ou superior a realidade. A manipulação dos conhecimentos específicos desta atividade e cultura permite a geração de resultados incríveis de aparência em duas dimensões para uma história do passado. Lembrando... fotografia é uma obra que expressa o tempo decorrido. Só existe fotografia do tempo passado... nem que seja de um segundo atrás. Somos feitos de instantes, deles guardamos o que precisamos, ofertamos a nós mesmos as lembranças que motivam nossas andanças. Para quem tem um filho, para quem tem um amor ou para quem tem pais amados, existe um reflexo óbvio do amor que é guardar estes momentos. Para quem ama o mundo, a natureza, a estrutura de compor o mundo que a física oferece, ficam as paisagens como lembranças. Assim, estão as lembranças em nossas mentes. Uma caixa preta, parece escura, mas na verdade guarda tantos segredos em formas de lembranças ilustradas apenas ao seu interior, exceto quando ilustramos estas ao mundo... assim, nos tornamos autores, fotógrafos, ao mundo. 
Manipular o desfoque em certas áreas é na verdade reproduzir a realidade que os olhos não conseguem, pois ao colocar os olhos no alvo, automaticamente eles se focam no objeto para que olhamos. Em tal distância focal podemos dizer que nossos olhos são objetivas incríveis de nossas máquinas fotográficas. Numa reflexão de que nossos olhos são objetivas, parte de nossos cérebros processadores da imagem e outra parte dele estocadora de imagens, percebemos que o homem simplesmente copiou um conceito da natureza humana e transformou em equipamento para um conceito bem simples já criado com um único intuito de levar a mesma imagem para quem quiser observar. "Não há um cessar foto na mente de um autor" é uma frase de minha autoria, embora acredite que exista ou que já tenha sido dito por alguém em algum lugar, ou mesmo pensada. Atualmente, seria muito difícil acreditar que alguém já não disse alguma frase simples... e mesmo assim, genialidade é ser promotor de autorias, criar conteúdo por conta, estar sempre pronto para falar, escrever, ou expressar o novo, mesmo que, motivado por sugestão de alguém. Sensibilidade é um dom, mas mesmo dons podem ser mais ou menos valorizados, pelo seu possuidor, pelo observador, pelos fenômenos de dissipação de uma imagem pelo mundo em redes sociais, como mero exemplo. Caminhar sobre o mundo é escolha, pois ficar em quatro paredes garantirá um olhar. Optar por caminhar sobre a Terra vivendo a experiência do olhar possibilita "sintetizar" ou "tatear" as imagens que passam por nós. Não existe memória suficiente no mundo para guardar a imagem de tudo visto de todos os ângulos. É um processo infinito onde a composição de um fundo complementa a informação do alvo (objetivo fotográfico) e a cada mudar mínimo de ângulo reproduz uma nova ideia. Nossos olhos e nossas mentes são ferramentas essenciais e exclusivas das nossas emoções, das nossas trajetórias, do que seremos. O que somos é calculado e recalculado segundo a segundo, mudando o conceito e grau de desenvolvimento próprio a cada instante. O amor que temos pelo eu, pelo mundo, por tudo que nos circunda, leva-nos ao hábito de olhar para tudo como um enólogo interpreta o sabor de cada vinho. A particularidade de cada algo experimentado é o que temos de melhor como habilidade. Farejamos, sintetizamos e levamos ao mundo o que desejamos mostrar para as pessoas. Isto nos torna geradores de conteúdo e causadores de reflexão. O que não é visto não é lembrado, o que não é dito não é pensado, o que não é ícone de uma lista jamais será motivo de reflexão. É muito mais simples uma ideia que circula pelo mundo motivar pessoas para esta reflexão do que pessoas simplesmente encontrarem sozinhas o caminho desta reflexão. Isto torna autores tão importantes, mas reprodutores de ideias levam a importante tarefa de observar o caminho visto de outras formas. Poderia assim, ser pensado com muito cuidado a diferença de um autor de obra de qualquer natureza e um professor. Há formas diferentes de mostrar o caminho a ser compreendido, como há individualidade em tudo. Somos máquinas da interpretação capazes de escolher de forma inconsciente por bifurcações da estrada da reflexão, e tal, nos leva ao infinito de possibilidades, da mesma maneira que mudamos o ângulo de uma fotografia. O que faz a existência de um fotógrafo? A ação de resultar mundo em imagem, expressar a ideia de forma ilustrada! Somos incapazes de ficar pensando em nada... talvez alguns de nós, por motivo desconhecido, possam executar o breu dos pensamentos. Um lugar onde a caixa preta é sinônimo de inexistência temporária, para inquietos, ilustradores, autores, a resultante é um filme infinito que se ligado na continuidade não teria nexo, mas nós, perfeitos que somos, criamos início e fim para cada história. Nos confundimos, muitas vezes, com o que vemos dentro de nossas próprias gerações. No entanto, acreditamos que estas criações sejam sem razão, quando na verdade são reflexos das mentes inquietas que se auto alimentam da informação captada. Uma frase de Mário Quintana me parece muito interessante do ponto de vista do conhecimento e situação de cada ser humano: "Não tenho paredes, só tenho horizontes!" Esta seria uma frase com algumas interpretações, contudo, do ponto de vista ilustrativo, da imagem, expressaria a infinidade de imagens de alguém para o mundo. Repito... "não há um cessar fogo na mente de um autor!" seja qual for a natureza da informação, elas são como tiros saídos de uma arma furiosa, uma máquina fotográfica perfeita que pode funcionar por quase cem anos, tempo de vida que nós, mortais, podemos alcançar. Imagine viver por mil anos e teríamos uma quantidade tão grande de informações que talvez não pudessem ser devidamente utilizadas e valorizadas.