A delicadeza da vida...

Nymphoides SP. Foto: Beto Andarilho
        O vento é um estranho que esta sempre perto, mas sempre se fazendo de invisível. Muda ao próprio desejo todas as coisas de lugar. As folhas e as sementes vão pra longe, alcançam córregos e rios, desaguam no mar, outras vezes "encalham" em outras margens. A vida, se dissipa, se transforma, se transporta, pela ação do tempo que responde pelo vento. Impossível existir tudo sem o vento... o vento, que em sua ação delicada ou até sua força estúpida, age e reage com o humor que estiver. Pune e compensa tudo... permite a vida, encerra se preferir. A vida é um festival de estatísticas improváveis, ainda que os homens prefiram precisar tudo que é incalculável... aí chamam de exceção. A delicadeza de uma flor é triunfo de uma espécie que teve a competência e sorte de evitar o vendaval... usou da brisa para espalhar seu aroma, atrair insetos polinizadores. Conquistas... um ato de paciência, investimento e probabilidade. Sorte... chamar de sorte a conquista cultivada com dedicação parece ser uma inconsequência. Demérito é não perceber que toda delicadeza é um gesto de fortes, que resistiram ao tempo, ao vento, contra uma certeira opção. A vida é imitada pela arte, algumas vezes registrada pela arte... se arte é autoria, cunho da sensibilidade, fé do sentimento, ação física do amor invisível, assim se aceita que tudo é realmente complicado, mas fácil quando se permite. Como as árvores que se curvam ao vento e por isto são grandes, como as mais delicadas flores resistem aos temporais. Há um ritmo estranho ensaiado pelo tempo e pelo acaso, orquestrado pelo universo. O universo é física pura, produz e justifica tudo, desenha a sonoridade pelo vento que corta as superfícies, também pelo canto dos pássaros que transportam sementes e que se apropriam do vento para dançar no ar. Um dia, espero, entender tudo isto... ser velho o suficiente para responder um por cento de todas as perguntas que me são arremessadas pelo universo. A beleza esta nos olhos de quem sabe olhar... seja para outro olhar, para flores, para pássaros, para o vento denunciado por folhas que correm perto do chão. Cones de vento... minha paixão, minha frustração, como queria fotografar um cone de vento. Tal redemoinho de folhas é meu desafio, minha musa inspiradora, minha prova de existir e existência. Sou sim... isto aí, um emaranhado de pensamentos romancistas, que lutam para existir em toda aspereza do planeta. Ver o belo é saber separar a dureza da maciez, o brilho do fosco, o meio sorriso é um sinal de conquista. A delicadeza da vida é sutil como o motivo para tocar uma campainha, mas o que surge depois é incontestável como a felicidade. Vida, bem longa, aos que promovem sorrisos, pois estes aprenderam como sincronizar com o vento.