Carona da vida...

Passarela do Parcão, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado
         Não pense demais... pense apenas quando for motivado. O ritmo certo é aquele que te coloca numa vibe tão confortável que talvez você queira morar nela. Ainda que pareça difícil brecar o pensamento, podemos controlar a velocidade... e você não imagina quanto eu pensei para chegar até aqui. E que lugar é este? Lugar nenhum... é o meu lugar. A gente foi criado para viver na velocidade diferente para a qual viemos ao mundo. Quando o mundo anda muito devagar ou quando ele anda muito rápido, nos sentimos incomodados. E não percebemos que cada velocidade deve ser vivida conforme se apresenta. Não temos nada diferente do que merecemos ou podemos... e até se assim desejarmos, podemos mudar a velocidade com a dedicação, correndo atrás. Foi num dia destes de velocidade baixa que fiquei sentando num lugar alto... olhando para o horizonte e prestando atenção no som do mundo. Percebi que já havia feito tanta coisa e que em outro tempo trabalhei mais do que devia... a vida foi mal aproveitada naquele momento, um momento que não voltara. Não lamento... apenas, devia ter aproveitado melhor, e tal, me faz pensar no presente. Aceitar o ritmo é comodismo, mas acertá-lo na velocidade que você quer é uma arte... é habilidade. Dom... de fazer tudo encaixar conforme tua necessidade. Fiz tantas coisas... aprendi a desenhar, montei e desmontei motores, até reformei um motor por completo. Fui monitor de diversas disciplinas na faculdade de engenharia, mudei de profissão, radicalmente, casei e descasei, voltei a estudar. Resolvi cuidar do meu corpo e mudei minha saúde rapidamente... fui forte muitas vezes, fisicamente, emocionalmente. Pedalei por 18 horas, praticamente sem parar... uma vez pedalei machucado por duas vezes! Corri 12 km pensando que era uma boa distância, concluí que o melhor era correr por apenas 5 km, dia sim, dia não. Escrevi um livro que ainda não foi publicado, plantei algumas árvores, já fiz mais de 500 mil fotografias, estive em centenas de cidades, foram apenas 5 países. Falta muito para conhecer ainda... mas eu fiz um montão de coisas. Por muito tempo eu quis ser pai... por alguns dias achei que seria, e fiquei arrasado quando soube que não mais seria, hoje nem penso no assunto. Talvez fique para outra vida, pois quando é pra ser, acontece, quando não ocorre devemos esperar o próximo check point... a gente quer tanta coisa, e depois muda tudo. Me preparei para ser pai, também para ser um repórter de guerra, uma vez pensei ir longe caminhando ou pedalando. Muita coisa muda dentro da gente em 40 anos, mais ainda quando se caminha ou pedala... ainda penso em ir longe, caminhando e pegando carona. Como diz a música: "Carona... A gente pega e não escolhe onde vai parar... Parando, ás vezes se aprende o quanto se pode andar!"
O importante é pegar carona da vida... e não ter a preocupação com a velocidade.