De qualquer jeito...

Possivelmente antes de 2008, com uma 450D e 300 mm. Foto: Roberto Furtado
         Houve um tempo em que eu fazia o que podia com o que tinha... era um tempo que os materiais ainda não eram tão bons assim ou talvez eles fossem caros demais para meu orçamento. Ainda que a realidade não fosse tangível, havia fome de executar. Há um sentimento de fazer tudo e mais pelo que se pode, mas eu penso que ter uma condição menos favorável faz de nós mais "faca na bota". Não foi em vão, foi mais difícil e o ruído me acompanhava aonde quer que eu fosse... até mesmo durante o dia, como é possível ver na imagem acima. Não era um trabalho ruim, tampouco desmerecido, mas para crescer todos precisamos acreditar e ir... em frente! Naquele tempo toda configuração da minha vida era diferente... não imaginava como refletiria sobre aquele tempo, com saudade, ainda que não quisesse imaginar que as coisas fossem novamente daquela forma e que apostaria em outras versões da vida. Seria ainda um fotógrafo, teria me casado e seguiria meus instintos da mesma maneira... mas a gente sempre sabe que embora as condições sejam iguais, teria feito tudo diferente. A maturidade diz que isto não é calculável, também que agora é fácil chegar aqui e dizer que faria diferente, mas vontade de refazer é algo que surge no pensamento e... vai impedir pensamento? Explica como...
Eu poderia ter mudado toda minha vida se tivesse a cabeça de hoje e o poder de voltar 10 anos atrás... teria feito escolhas que não pareciam tão boas. Se fosse pouco mais de 20 anos atrás teria feito outras escolhas e possivelmente não teria me casado com quem estive e nem por isto seria um problema ou foi. Eu pensei numas garotas quando tinha 20 anos... pensei onde uma delas estaria, e ela não foi a única, mas tu sabe que a dúvida bate a tua porta de vez em quando e não tem nada que possa mudar. Sabe lá como teria sido a vida... talvez pior, talvez apenas diferente, talvez tivesse sido do mesmo jeito. Este lance de máquina do tempo é inútil. E me fez lembrar mais uma vez sobre como é inútil ter certeza, e que isto era o preço da minha pureza. A imaturidade é um dom fenomenal quando faz parte da tua história... pois o fato de estar imaturo em um período de experiências permite que sejas arremessado aos ciclos de reflexão que posteriormente farão sentido. Somos o que vivemos, nas condições em que estivemos! As garotas, bem... elas ainda são garotas pra mim. Uma delas jamais vi novamente, foi praticamente extinta ou, quem sabe ficou tão diferente que jamais poderia reconhecer. Uma delas reencontrei... estava mais bonita, me surpreendeu quando vi. Me fez pensar, também, que tudo é como deve. Ela envelheceu, ainda que esteja linda. Engraçado como o tempo age sobre as coisas... mais ainda sobre nós mesmos! A gente brinca de gato e rato, vira gato, vira rato, pula para o ferrolho, olha de dentro da situação, em outro momento percebe que sorte temos. Deves estar curioso, tanto quanto eu... sobre a vida, curiosidade é essencial. Imaginar é de alguma forma apreciar um momento... e as quatro hora da manhã de um dia normal, estou a escrever coisas tão pessoais. A garota que eu queria... bom, se queres saber, não posso contar. Quis a volta da vida que eu não pudesse falar nisto e veja que já fui longe demais. É minha amiga, conheço há muito tempo... e já vivemos uma vida anterior, sem saber um do outro, mas agora tomamos café ou almoçamos juntos de vez em quando. Brincamos de ser adolescentes, confessamos lembranças ao outro, também anseios e bobagens. Sabe o que é? De qualquer jeito... Se eu começar contar uma história, vou acabar falando das mesmas coisas. E agora eu entendo o motivo... as coisas são como são, circulam e tentam viver para você. Se não for hoje, será amanhã, num passo e efeito de causa e consequência que parece ser regido pelo universo, mas evidente que a gente não acredita nisto. Vai explicar as coisas... então vai dizer, mesmo que estude a vida inteira: "não sei" e "talvez", ainda assim vai parecer perfeito. É de qualquer jeito...