Em busca da imperfeição

As águas, Guaíba, Porto Alegre. Foto: Roberto Furtado
          Somos o conjunto de ideias... somos adjetivados, comportamentos, reações perante um acontecimento. Observo que somos ações, reações, relações! Somos movidos pela estética, ela é assimétrica ou perfeita aos padrões. Entendemos o que não podemos mudar, aceitamos o que é inalterável, questionamos quando ocorre a opção de escolha, questionamos quando não temos escolha! A aparência possui seu além da simetria, terá razões, talvez físicas, talvez meramente escolhidas pela evolução da espécie humana, como na teoria da seleção natural. Se o mais apto sobrevive, talvez seja também o que dite regras, como partes dos nossos corpos que não são tão belos quando minunciosamente avaliados. Se o tempo nos envelhece, nos torna feios ao entendimento conceitual de que a velhice é não bela, ingrata ou frustrante, talvez seja algo que tenhamos criado. Cotovelos enrugados, estrias, seios que caem, peles marcadas pelo tempo, calvice que entregam os espaços entre um fio e outro... ou seriam pernas que não se alinham, dentes de um sorriso assimétrico e desigual, talvez ou membros pares que não se equivalem ao seu "igual"? Somos tão preocupados com a estética em relação a nós mesmos que esquecemos de ver a beleza que há em nossas individualidades, em nossas estranhas e belas diferenças. Engraçado pensar que a única forma de sabedoria se desenvolve pelo tempo e a chamamos de maturidade, mas ingrato que somos rejeitamos os sinais do tempo que nos dão a habilidade de lidar com tudo. Crescer, casar, crescer de novo, separar, ter filhos, envelhecer, crescer outra vez, esperar o fim do ciclo olhando aqueles que são filhos dos filhos... Maturidade deveria ser seguro para não ter medo do que vira! Imperfeição é a palavra perfeita da vida, onde a água se move diferente a cada movimento, o vento arrasta as folhas que secaram diferentes embora fossem iguais. O que entendemos como imperfeição, acaba sendo perfeição. Linha de produção não garante iguais, mas semelhantes, se tratando de seres humanos... que bom que você não é igual a mais ninguém!