Do amor

Imagem produzida durante a disciplina de Iluminação 1, modelo de identidade preservada, foto: Roberto Furtado. 
              Fiquei a pensar na exposição que eu faria da minha própria vida ao escrever sobre coisas tão pessoais, contudo, depois entendi que muitos autores são assim. E se ocorre a exposição, também se cria uma motivação para que as pessoas pensem e/ ou façam o mesmo. O importante é ser livre, e da liberdade conquistar a felicidade. Enfim... É depois de passar por algumas experiências que a gente aprende o que gosta e valoriza na vida e, claro que até as experiências menos divertidas são positivas. Os homens mais durões são apenas garotos em frente a garota de que gostam. Eu mesmo, experimentei esta vivência algumas vezes na vida... e de durão não tenho nada, menos ainda fui com as garotas pelas quais estive apaixonado. Não foram muitas as minhas paixões. Gostei de algumas garotas, mas por apenas uma meia dúzia nutri algo mais. Por uma delas fui estranhamento cego, reconhecendo agora que não vejo as tantas qualidades que via durante a relação. O amor faz isto com a gente... a gente melhora as pessoas, ou isto é do meu perfil e do perfil de algumas pessoas. Eu conheci garotas muito legais, que ficaram minhas amigas, mas infelizmente não me apaixonei por elas... lamentando por mim, pois algumas delas seriam ótimas parceiras. Viver o amor é um conjunto de experiências que é impossível, e há formas diferentes de viver isto. Os sinais de interesse se manifestam em nós sem que saibamos exatamente do motivo, pois as motivações são instintivas e algumas vezes baseadas em químicas complexas que nos fazem ver mais do que as coisas realmente são... ou realmente vemos o que importa em alguém. Eu pensei que a paixão que tinha cessaria depois de algum tempo com a mesma garota e para minha surpresa amei ela por quase metade da minha vida. Por outro lado, quando percebi, já não gostava mais dela e não conseguia acreditar que aquele sentimento havia simplesmente terminado. Uma vez, me apaixonei por uma garota que jamais beijei... outra vez tive um amor de infância que mais tarde virou meu amor de adolescência. Tive uma outra paixão de infância que parecia encerrada, mas quando tornei a ver a garota depois de adulto, retomei o sentimento como se ele estivesse em stand by. É possível? Não sabia até então... acho que sobre paixão e amor, muita coisa pode. O sentimento é um laço de importância muito mais ampla do que a relação entre homem e mulher, pode ser apenas de amizade quando não invade o sexo, de outra forma não existiria o amor de amigos, tanto de homens como de mulheres. Eu... não tenho vergonha alguma em dizer que tenho amigos, aos quais muito amo e que parecem ser meus irmãos de sangue. Isto é evolução... nossa espécie, ao contrário do que parece, é bastante evoluída em alguns de nós e assim conseguimos saber a diferença ou compreender a extensão dos sentimentos. 
O que nos move? Sobre o amor... talvez seja algo químico, talvez seja o que vemos de bom nas pessoas. Será que podemos amar as pessoas ao longo do convívio? Ou amor é algo que começa por existir algo mesmo que mascarado? Eu não sei a resposta para muitas coisas... gosto de escrever este assunto, e percebo quão romancista sou. Misturo fotografia com minhas palavras, me aproprio dos meus sentimentos, observando a pele, olhos, as sombras do rosto delicado das mulheres. Gosto das pequenas, baixas e delicadas, mas já me interessei por algumas mulheres de estatura mediana. De onde surge isto? Preferências... parecem características escolhidas, tão vazias, sem nenhuma ligação com o potencial afetivo ou comportamental de alguém. A pele, os olhos profundos, o caminhar delas... de calcinha e camiseta, pelo interior da casa pouco iluminada, me parece um filme em preto e branco e meu coração quase rasga o peito. Você consegue sentir? Eu esperaria, sempre, por uma nova oportunidade disto... mas isto acontece sem que saibamos quando virá, sem imaginar por quem será! Que dure o tempo que durar... e mesmo que acabe, você pensará que foi bom. Não tem como evitar que comece, nem que termine... você vai perder o interesse nela, ou ela de você, e ao fim, tudo que restará serão pedaços de um dos dois, talvez, dos dois! Algum tempo depois e você estará, possivelmente, pronto para outra... eu não tive muitas, na verdade foram poucas mesmo. Umas três, ou quatro, não sei ao certo... guardei todas elas num compartimento do meu peito. Se foram, mas eu as quero bem e sabendo onde andam. Estranho é transformar amor em desamor... acho que isto não sou capaz de fazer. Do amor resta sempre a lembrança, seja qual for o prazo de sua existência. E no fim é ele que nos motiva, de outra forma, não haveria graça alguma se aventurar por aí. Saudade de algum amor... ou, de todos eles!