Errante

Concheiro do Albardão. foto: @robertofurtadofotografia 
          É caminhando que se desafia a mente... é entrando em conflito que nos deparamos com as escolhas. Nossa construção sabe a decisão a ser tomada toda vez em que chegamos ao caminho encruzilhado. É dúvida quando pensamos antecipadamente, fácil de escolher ao chegarmos na questão. Decisões são simples, basta que não acrescentemos os complicadores. E somos ótimos em complicar... Algumas vezes me deparei com algo que trouxe estranhas sensações sobre a jornada. Estive antes com muitas dúvidas sobre o caminho... foi então que senti meus pés tocando o chão e recusei olhar para baixo. Tendo a opção de retornar e encurtar o caminho, arriscar encontrar algo caminhando para a direita, sem ter a opção da esquerda, me restava seguir em frente, voltar ou tentar algo diferente. Olhei para o horizonte em frente e senti medo... não era a distância que me assustava. Pensava no que encontraria ao fim da jornada, se aquilo me contentaria... eu não podia parar, não podia voltar, não queria atalhar. Sabia que a carga da experiência viria como única se acreditasse no meu coração errante. Eu jamais gostei de voltar, jamais suportei a ideia de desistir, pois o alimento do meu espírito era o desafio. Minha alma é errante, minha única alternativa era seguir em frente... A sensação do objetivo, do fim, se confundia com o cenário, também com o calor, com a dor, com o simples ruído das conchas estalando sob meus pés. Eu sabia que não podia parar, estava exausto para continuar, mas meus olhos alimentavam meus sonhos, meus sonhos alimentavam minha existência, meus desafios criavam histórias. Ali, soube, era realmente um errante inquestionável. Um errante com propósito, autoral, motivacional dos sonhos de outros sonhadores e de mim mesmo.